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Depois de fugir do Estado Islâmico, jovem retoma estudos de fotografia na Finlândia

Crianças brincando em Mossul.

refugiado-finlandia-7Quando começou a receber ameaças de morte, o iraquiano Ahmed Alalousi soube que era hora de fugir. O grupo Estado Islâmico chegou à cidade de Ahmed, Mossul, em junho de 2014, e muitas pessoas que ele conhecia começaram a desaparecer, como colegas jornalistas, amigos e familiares foram ameaçados, torturados e assassinados.

Ele e seus amigos estudavam para serem repórteres e frequentemente eram vistos conversando com empolgação sobre acontecimentos atuais e injustiças no mundo. Isso fez com que alguns membros da organização terrorista os considerassem inimigos.

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Ele se escondeu, mas não foi suficiente para proteger a si mesmo e sua família. “Eles torturam meu irmão, mas ele não disse onde eu estava”, lembra em entrevista para a Agência da ONU para Refugiados. Em dezembro de 2014, o rapaz e sua família saíram do Iraque em uma jornada de carro até Bagdá que durou dois dias, entre uma parada e outra e estradas ruins. Da capital voaram para a Turquia, onde tiveram que contornar dificuldades financeiras. O visto de Ahmed logo expirou.

Entre seus contatos, ele ouvia dizer que, na Finlândia, pessoas eram tratadas com justiça e igualdade e que o sistema educacional era um dos melhores do mundo. Seu maior desejo era terminar os estudos. Então, ele decidiu ir para o país a fim de transformar suas ambições em realidade. Em agosto de 2015, o iraquiano se arriscou pela perigosa rota do Mediterrâneo rumo à Europa.

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Depois de aportar em território grego, o iraquiano passou duas semanas viajando a pé, de trem e em veículos irregulares numa jornada que atravessou Macedônia, Sérbia, Hungria, Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suécia até chegar a Finlândia, onde aproveitou todas as oportunidades que surgiram em seu caminho. Estudante dedicado, ele sempre sonhou em seguir os passos de Michael Shainblum, fotógrafo norte-americano.

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Logo que chegou à nação europeia onde atualmente reside, buscou oportunidades de aprendizado para aprimorar sua técnica, mas a espera pela concessão do refúgio atrasou seus planos. “Minha câmera havia ficado para trás na Turquia e, na Finlândia, estava muito frio e escuro. Mas as pessoas eram legais e todo mundo tentava me ajudar”, explica.

refugiado-finlandia-2Ahmed mostrou umas fotos que tirou com seu celular para as pessoas que trabalhavam no centro de recepção onde estava morando. Eles viram que o rapaz tinha talento e ligaram para Kjell Svenskberg, fotógrafo que vivia na região. O profissional transformou o jovem iraquiano em seu pupilo.

O talento de Ahmed começou a ser reconhecido e lhe rendeu seu primeiro emprego no Museu de Fotografia Finandês. O iraquiano já exibiu seu trabalho em mais três diferentes mostras e ainda colaborou com o rapper Qruu. Juntos, fizeram um videoclipe e organizaram palestras em escolas para falar sobre a crise dos refugiados e o que significa ser um deslocado forçado.

Ele espera um dia retornar a Mossul com sua família, que ainda está na Turquia esperando a guerra terminar.

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