News 2 anos atrás | Redação

Criadores da câmera digital ganham prêmio, mas um deles critica selfies: ‘Frustrante’

Na avaliação dos jurados, o trabalho dos quatro cientistas "revolucionou" o mundo

por Revista FHOX

Os inventores da câmera digital ganharam a maior premiação da engenharia internacional, o Prêmio Rainha Elizabeth, que na edição deste ano reconhece o desenvolvimento de tecnologias relacionadas a sinais digitais.

Michael Tompsett, Eric Fossum e Nobukazu TeranishiJason Alden/QEPrize via AP Images
Michael Tompsett, Eric Fossum e Nobukazu Teranishi

O prêmio foi compartilhado pelo físico britânico Michael Francis Tompsett, pelo professor universitário japonês Nobukazu Teranishi e pelos americanos Eric Fossum, físico e engenheiro, e George Smith, físico. Este último foi o único que não pôde ir à cerimônia, realizada no dia 1º, em Londres, Inglaterra.

Michael Tompsett, embora animado com o reconhecimento, admitiu que se sente “frustrado” por ver seu invento usado de forma tão indiscriminada, em especial em selfies. “Me sinto frustrado por todas essas pessoas que têm câmeras ficarem tirando fotos de tudo que veem. E selfies!”, disse.

Desde 1969

A revolução começou com a criação do dispositivo de carga acoplada (CCD), no Bell Labs, em Nova Jersey. George Smith e Willard Boyle tiveram a ideia de desenvolver esse sensor CCD em 1969, mas com o objetivo de usá-lo como um circuito de memória de computador. Os dois receberam o Nobel de Física em 2009 pela criação do que viria a ser os “olhos” das câmeras digitais. No entanto, foi Michael Tompsett, que viu o potencial do invento para tirar fotografias.

Até então, imagens eram capturadas em filme e as pessoas tinham que esperar vários dias para vê-las, enquanto eram processadas em laboratórios. A primeira fotografia digital em cores foi da esposa de Tompsett, Margaret. A imagem apareceu na capa da revista “Electronics”. As câmeras digitais só entrariam no mercado na década de 90.

As realizações do quarteto vencedor ajudaram a transformar tratamentos médicos e diagnósticos por imagem, além de métodos usados na ciência e no entretenimento. Sem o trabalho deles, conversas por skype, selfies, jogos de computador e serviços de streaming não seriam possíveis.