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Conheça quatro artistas que produzem para o ambiente digital

Camila Yunes apresenta quatro nomes da arte a saber, que vem explorando os limites do digital em seus trabalhos

por Revista FHOX

Por CAMILA YUNES (@KURAARTE)

Desenho recuperado do computador do artista. Cortesia Andy Warhol Museum, Pittsburgh. (Foto: Divulgação/ Reprodução)
Desenho recuperado do computador de Andy Warhol. Cortesia Andy Warhol Museum, Pittsburgh. (Foto: Divulgação/ Reprodução)

Estamos vivendo o ápice das exposições virtuais e trabalhos online – cada dia que passa descobrimos novos artistas que usam a internet como suporte para desenvolver seus trabalhos. No entanto, esse tipo de produção não teve início agora, mas sim no início dos computadores. Andy Warhol, em meados da década de 1980, experimentou algumas obras em um computador Commodore Amiga. Agora, as atenções estão ainda mais direcionadas à esse meio, seja pela restrição de acesso aos espaços físicos ou por uma necessidade de inovação do mercado.

still do vídeo ilusão (Foto: Divulgação/ Reprodução)
still do vídeo ilusão (Foto: Divulgação/ Reprodução)

Não apenas a renomada fotógrafa e diretora de cinema Cindy Sherman tem seu perfil no instagram como obra, jovens artistas vêm inovando o uso dessas e outras plataformas enquanto vias possíveis de existência de seus trabalhos. Entre os muitos que se destacam pelo uso dessas plataformas, Vitória Cribb, Igi Lola Ayedun, Wisrah Villefort e Ilê Sartuzi chamam atenção pela contemporaneidade das discussões que os trabalhos levantam, não apenas por serem virtuais, mas também por estarem atrelados a temas sociais, históricos e políticos. Confira uma seleção:

Vitória Cribb @louquai

Vitória Cribb (1996) é filha de pai haitiano e mãe brasileira e foi criada em Campo Grande – Rio de Janeiro. Designer de novas mídias e artista interdisciplinar, explora a convergência entre a imaterialidade das novas mídias com as mídias físicas e táteis. A artista propõe a multidisciplinaridade em suas séries artísticas investigando o comportamento das novas tecnologias visuais e seus desdobramentos. Ela participa da Residência Online Possíveis Futuros com curadoria de Gabriela Maciel e Yasmine Ostendorf no espaço Largo das Artes, no Rio de Janeiro; da Web Residência do espaço OLHÃO com curadoria de Cleo Döbberthin, em São Paulo. Vitória já teve o seu trabalho exposto na ZAZ10ts Gallery, em Nova Iorque; Epicentre e WDWDN na The Wrong Biennale (2019); No ATO “Começo de Século”, na Galeria Jaqueline Martins; Festival Arte Core (2019); Na exposição “Formas” no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; Eneagrama Festival de CIne Experimental, em Córdoba; na instalação ‘FastLine’ no ArtNight Festival London (2019); no programa Lives of Net Art – Face Up Tate Exchange do Tate Modern Museum, Londres e no Valongo Festival Internacional da Imagem – Santos.

imagem retirada do site da obra (Foto: Divulgação/ Reprodução)
imagem retirada do site da obra (Foto: Divulgação/ Reprodução)

Ilê Sartuzi

Ilê Sartuzi trabalha com diferentes suportes e mídias, seus trabalhos mais recentes se materializam no espaço virtual, como o Dollhouse Gallery, uma casa de bonecas que abriga trabalhos não-virtuais do artista ambientados nos cômodos da casa. A obra pode ser acessada no link https://dollhouse.gallery/. Em 2020 foi convidado pelo IMS – Instituto Moreira Salles para produzir uma obra comissionada resultando na produção de um vídeo construído com imagens geradas por computador (CGI) que dialoga com um texto tardio, Worstward Ho!, de Samuel Beckett. Realizou também uma residência no Olhão (2020), desenvolvendo outro vídeo similar, Night and Day, que foi posteriormente contemplado com o incentivo do Itaú Cultural.

Wisrah Villefort

Wisrah Villefort trabalha com vídeo, fotografia, texto e hipermídia. Sua pesquisa se ocupa do não-humano, da matéria digital, dos polímeros sintéticos e de seus mercados. Seu trabalho @mercado_livre se materializa como um perfil no instagram que circula imagens de produtos comercializados em sites online. O artista está com a exposição The Mouth Of The Gifted Horse em cartaz na Galeria Goswell Road, em Paris, até o dia 17 de julho.  Foi finalista do 3º Prêmio Reynaldo Roels Jr (Rio de Janeiro, Brasil) e integra a coleção da The One Minutes Foundation at Sandberg Instituut (Amsterdam, Holanda). Exposições recentes incluem SUPERHOST (Polignano, Itália), Prosthetics Vol. 2 (Belgrado, Sérvia) e 14a Bienal de Curitiba (Curitiba, Brasil).

Igi Lola Ayedun

Igi Ayedun é uma artista interdisciplinar que circula em diferentes atmosferas, seja arte, moda, comunicação ou educação. Seus trabalhos tomam grande proporções nas plataformas digitais, seja pela criação de realidades virtuais ou filtros do instagram. Em 2010, assumiu a co-direção e internacionalização da revista digital U + MAG; e em 2018, junto de Samuel de Saboia e Lucas Andrade fundou o Escola Efêmera AEAN (Ambiente de Empretecimento da Arte Nacional), escola gratuita direcionada para artistas negros e LGBTQ+ que oferece aulas de performance, artes visuais e outros, sempre de uma perspectiva decolonial. Atualmente encabeça o MJOURNAL, publicação mobile mensal que analisa e informa acontecimentos que impactam a indústria criativa, e o HOA Art, centro cultural interdigital focado na promoção e venda de artistas latino-americanos.

Conteúdo: https://vogue.globo.com/