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Como fotografei os Yanomami estreia hoje em Porto Alegre

Foi por causa de uma viagem até as regiões mais remotas da Terra Yanomami, na Serra de Surucucu, Roraima, que o diretor Otavio Cury teve a ideia de realizar o documentário ‘Como fotografei os Yanomami’. O filme estreia hoje, 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, no CineBancários, em Porto Alegre, às 19h.

Na viagem, o que chamou a atenção do diretor foi o desencontro cultural entre os índios e agentes de saúde. Aqueles que levavam as seringas não falavam o idioma Yanomami e não conseguiam conversar com seus pacientes. Para os Yanomami, estar doente é ter sua imagem agredida. Para resgatá-la, os xamãs fazem seus rituais de cura. Mas para os enfermeiros que chegam às aldeias, as doenças e os remédios são outros.

Como fotografei os Yanomami

O documentário traz o ponto de vista de enfermeiros e técnicos de enfermagem que passam mais tempo na floresta do que com suas famílias: como veem os Yanomami e como se transformam com a longa vivência nas aldeias? Como lidam com os pajés e com uma concepção diferente de doença?

Em sequências, que oferecem contraponto à visão branca dos atendimentos, o filme dá voz a uma agente de saúde Yanomami e apresenta a visão de mundo do xamã Davi Kopenawa, a partir de passagens do livro ‘A queda do céu, memórias de um xamã yanomami’, de Davi Kopenawa e Bruce Albert.

Como fotografei os Yanomami

Por meio de sua narrativa documental, Cury apresenta um relato sensível e chama ainda atenção para o futuro da floresta e dos Yanomami.

Cury é diretor de fotografia e de documentários. Em sua filmografia estão Cosmópolis (2005), Constantino (2012) e História de Abraim (2015). Em Constantino, sua obra de maior destaque, ele retoma a trajetória do bisavô, o dramaturgo sírio Daud Constantino Al-Khoury (1860-1939), por meio de uma viagem à Síria. Constantino foi filmado antes do início da revolução síria. Já o curta-metragem História de Abraim (2015) retrata a vida de uma liderança da etnia Macuxi na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, também em Roraima. Vale a pena conhecer os seus trabalhos.

Como fotografei os Yanomami

Thalita Monte Santo
É jornalista e integra a redação da Revista FHOX. Escreva para: thalita@fhox.com.br