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Ansiedade e Depressão durante a Pandemia do Coronavírus

A artista Renata Bragatto colabora com a FHOX para tratar de um tema tão urgente nesses tempos de isolamento e crise sanitária e econômica

Por Renata Bragatto

Estudos desenvolvidos pelo instituto de Psicologia da Universidade do  Estado do Rio de Janeiro evidenciam que os índices de pessoas com depressão aumentaram desde o início da pandemia da Covid 19. A pesquisa  foi conduzida pelo professor Alberto Filgueiras, o estudioso diz que neste  período os casos de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%. 

Além disso, aponta que as mulheres são mais propensas que os  homens a sofrerem destes transtornos durante o distanciamento social.  Existem alguns fatores de riscos que podem agravar essas patologias, como:  sedentarismo, alimentação inadequada, comorbidades, não realizar  acompanhamento psicológico, a necessidade de uma rotina de trabalho e de  realizar as atividades diárias.

Em entrevista com a Psicóloga Carolina Marrara que desde o início da  pandemia está realizando atendimentos online com seus pacientes, pontuou: 

“Alguns pacientes no começo da pandemia criaram resistência em um  primeiro momento com atendimentos online, pelo fato de estarem em casa e  recearem interferências de familiares ou parceiro, mas com o tempo isso foi se  resolvendo, cada um no seu ritmo e do seu jeito”. 

Carolina Marrara ainda ressalta, “Percebi que alguns pacientes tiveram  um grau de aumento de ansiedade e estresse desde o início da pandemia. Pois  tiveram como a maioria de nós que criar uma nova rotina, se adaptar a ficar  mais em casa e a trabalhar e estudar virtualmente. Além disso, organizar os  trabalhos utilizando recursos tecnológicos foi bastante desafiador para muitas pessoas, mas adaptável. Talvez a maior dificuldade seja aceitar a mudança 

brusca na rotina da família. Tenho percebido no decorrer do período uma certa  adaptação interessante do ser humano mesmo ao caos inicial e ao incerto  ainda presente. A ansiedade ainda fica evidente devido a tantas incertezas que  rondam nosso pensar, muitos pacientes, a maioria mulheres entre 20 a 40 anos 

tem relatado aumento de peso e consumo de alimentos em maior quantidade  do que o habitual, principalmente doces”. 

Ainda na entrevista com a psicóloga questionei sobre esse novo cenário e  como ela enxerga essa coreografia social que estamos vivendo: 

A especialista relata: “A incerteza de quando tudo isso de fato vai  terminar é um dos estresses pontuais que percebo agora. Muitos relatam 

desmotivação em fazer seu trabalho ou estudos devido a isso. (…) A ansiedade  vem se adaptando dentro de cada um, mas não sabemos como será pós  pandemia, como emocionalmente seremos afetados quando tudo isso passar.  O que penso é que podemos usar todo essa fase desafiadora para tirarmos  lições de vida, respeito, empatia e de humanidade. ” 

Finalizo essa entrevista com o pensamento de que nunca voltaremos ao  normal, pois o “normal” era justamente o problema. Precisamos questionar  como nos tornar pessoas melhores, ter mais empatia pelo outro, ajudar ao  próximo, procurar ter uma vida mais saudável e principalmente, cuidar da  nossa saúde mental.

Referência Bibliográfica https://www.uerj.br/noticia/11028/