News 2 meses atrás | Leo Saldanha

Anne Geddes fala sobre sua carreira e as fortes transformações do mercado

Em entrevista recente para um canal de notícias australiano a lendária fotógrafa contou sobre o que ela construiu na fotografia. Além dos impactos dos smartphones e as mudanças no mundo

por Revista FHOX
An Anne Geddes photograph of three babies in flower pots
Fotos: Anne Geddes

Anne Geddes é considerada a grande responsável pela fotografia newborn como conhecemos. O que ela criou nos anos 1990 em termos de fotografia de bebês acabou influenciando profissionais do mundo todo. Ela criou uma grife com livros e que acabou se tornando uma marca licenciada em produtos. Com direito até a lojas e muitas linhas de itens vendidos. Ou seja, extrapolou a fotografia. Em uma entrevista recente para o site ABC News da Austrália, ela discorreu sobre diversos assuntos. Destacamos pontos que merecem destaque abaixo:

Sobre ficar marcada por um estilo: “eu tenho um vaso de flores tatuado na minha testa” disse Anne em um desabafo do que ela comentava na época sobre só ser perguntada sobre esse tipo de fotografia. Anne ficou famosa justamente pelas fotos de bebês dentro de vasos com flores ou combinados com outros elementos distintos. Fez tanto sucesso que foi parar no programa da Oprah no auge da audiência da atração de tevê. Na verdade graças ao livro Down in The Garden de 1996 que apareceu no programa. A fotógrafa disse que levou anos até abrir o livro de novo. Disse que depois conseguiu se orgulhar das imagens porque as pessoas ficavam felizes em ver as fotos. Algo que levava alegria para muita gente.

A photograph by Anne Geddes of two babies sitting in cabbages with cabbage leaves on their heads
Fotos: Anne Geddes

 

Carreira – Nascida em Queensland na Austrália, filha do meio de cinco meninas e sem nenhuma foto dela como recém-nascida. “Eu sempre teria adorado ter me visto como recém-nascida, e acho que é por isso que eu estava realmente fiquei atraída para esse tipo de retrato”, disse ela. Anne se interessou pelo fotojornalismo aos 20 anos quando foi morar com o marido em Hong Kong. Naquele tempo ela fotografava com uma Pentax K1000 usada e aprendeu tudo sozinha. Ao completar 30 anos e já vivendo em Melbourne na Austrália ela iniciou na fotografia de família. Clicando crianças e sobretudo bebês. “Percebi que poderia fazer retratos realmente bonitos e simples, e que posso fazer belas imagens para famílias que durarão a vida toda”.

Step Inside the Anne Geddes Studio - YouTube

 

Evolução – Anne começou de forma simples no estilo fotográfico. E só depois começou a criar as produções elaboradas com elementos inusitados. O que seria sua assinatura visual. Anne mudou de cidade de novo e começou a trabalhar no livro Down in the Garden que segundo ela tinha inspiração nos jardins da capital da Nova Zelândia (sua terra natal). Outra inspiração eram livros infantis.

Ela começou simples, mas logo experimentou o fantástico, eventualmente voltando-se para os tipos de filmagens elaboradas pelas quais ela se tornaria conhecida.

“Eu não penso no meu trabalho como fotografia de bebê. Eu penso no meu trabalho como uma forma de contar histórias, e isso é o que eu estava fazendo com Down in the Garden”

DOWN IN THE GARDEN | Anne Geddes | Ninth Printing

Fama e uma pergunta chata e recorrente – Anne já fazia sucesso na Nova Zelândia com seus produtos com fotos. Mas foi a ida ao programa da Opra Winfrey que mudou tudo. O mais curioso é que ela nem sabia da popularidade mundial da apresentadora. E justamente por conta do clube do livro com indicações de publicações que ela recomendava. Sempre que Opra fazia isso os livros viravam fenômenos de vendas. Quando a apresentadora disse que aquele era um dos melhores livros que ela tinha visto a coisa toda bombou mesmo em um tempo sem redes sociais e internet ainda engatinhando. Resultado: o livro foi parar na lista dos mais vendidos do New York Times. E foi graças a isso que ela conheceu outra grande celebridade. Celine Dion. A colaboração entre as duas rendeu mais sucesso para Anne.

Anne Geddes photograph of the singer Celine Dion with her newborn baby
Celine Dion no auge da carreira e do sucesso em foto de Anne Geddes.

Sobre a etapa preferida para fotografar bebês. O que ela prefere é clicar bebês com seis ou sete meses de vida quando conseguem sentar. E claro, os recém-nascidos, pois são perfeitos para as fotos já que estão dormindo.

Hoje ela segue retratando gestantes, crianças e os bebês. Nesse ponto ela destacou a cobrança por fotografar outros assuntos que não fossem bebês. “As pessoas nunca perguntaram a  Ansel Adams ‘Quando você vai parar de fotografar paisagens?’. Talvez a explicação para a pergunta chata foi o próprio legado de tantos produtos e imagens geradas mundo afora. O que de certa forma gerou saturação comercial – As fotos foram parar em calendários, livros, cartazes e até bonecas. E isso marcou o nome da fotógrafa.

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A black and white photograph by Anne Geddes, hands holding a small baby
Fotos: Anne Geddes

De acordo com a fotógrafa o sucesso da sessão com crianças é colocar o foco nelas. A diva da sessão tem que ser o bebês ou a criança. Questões óbvias como segurança e conforto valem muito. A experiência proporcionada por Anne é completa e com uma assinatura única. Hoje ela cobra entre 250 e 300 mil dólares para fotografar. Algo que envolve produção de meses e um grande time envolvido. “Fantasias custam dinheiro”, disse ela.

A era das redes sociais e smartphones – Anne diz que essa nova fase afetou muito fortemente seus negócios. “Há trilhões de fotografias que estão sendo tiradas em smartphones todos os dias … Eu realmente acho que essas fotos são apenas um pensamento fugaz. Eu não acho que as pessoas estão pensando sobre essas fotos em qualquer sentido permanente”. Um pensamento que boa parte dos fotógrafos concorda. Afinal, são fotografias descartáveis e sem valor. E para a fotógrafa essa é a vantagem dos profissionais. “Eu posso criar imagens que viverão para sempre … É uma obra de arte na parede”, disse ela. O desafio prático é o roubo de fotos dela e de outros colegas. No caso dela isso levou a queda óbvia na venda de produtos dos mais variados que iam acompanhados com seus retratos de bebês. A própria Anne fez uma aliança com a PPA (associação de fotógrafos norte-americanos) para pressionar o governo dos EUA a aprovar a leia de execução de direitos autorais em pequenas reivindicações. E assim entrar com medidas legais contra os que roubam fotos sem permissão. Antes dessa fase a fotógrafa conseguia bons rendimentos e seguir com projetos e hoje isso não ocorre devido a pirataria. Ela até lançou uma campanha de financiamento coletivo com outros colegas para gerar comunidades que possam apoiar seu trabalho. Embora critique a fotografia efêmera das redes sociais e com smartphones, Anne destaca o lado positivo das pessoas que usam a fotografia de uma forma diferente. Algo para celebrar. E para reforçar esse apelo ela até realizou uma ação de engajamento no Instagram. Pediu aos fãs que enviassem fotos de bebê. Recebeu imagens de quase 80 países. “Eu estava tentando descobrir como posso fazer a diferença neste mundo horrível que todos estamos experimentando agora, e espalhar alegria é a maneira de fazê-lo”, disse Geddes. E mesmo depois de tanto tempo ela segue feliz com a fotografia de bebês. O que para ela em tempos de pandemia eleva ainda mais a importância da gravidez. A celebração da vida em tempos de Covid-19.