News 3 anos atrás | Redação

Agência de modelos aposta em representatividade

Sensibilidade e criatividade são usadas por Campbell Addy em sua agência, a Nii

por Revista FHOX

A agência Nii, criada pelo fotógrafo britânico Campbell Addy, surgiu da ideia de explorar questões de empoderamento e representação racial. Foi baseada no Niijournal, um projeto criado por Addy que ainda existe, uma publicação independente criada após o contato com o movimento Black Lives Matter, durante uma viagem para Nova York.

campbell2Campbell Addy

Ávido por criar imagens e histórias com as quais pudesse se relacionar, Addy enxerga as antigas rotas de casting de agências tradicionais como entediantes, então começou a contatar modelos e desenvolveu o projeto, criando um coletivo de talentos fora do estereotipo, que levou à Nii. Os modelos da agência já foram clicados para editoriais de marcas como a Valentino, além de desfilar para nomes como quentes do cenário londrino, como Molly Goddard.

“Muitas referências sobre diversidade são tomadas de artistas que criaram seus trabalhos em tempos de opressão, e com a infusão de seu próprio espírito na obra. Quando você percebe isso, é muito fácil saber como criar um trabalho que fale realmente sobre diversidade”, diz ele.

Nii

Na tradução literal, Nii significa “rei” no dialeto Ga, falado em Ghana. A relação de Campbell Addy com suas origens é profunda: o Ga é a língua-mãe de seu pai e também faz parte de seu sobrenome. Restabelecer esses laços foi ideal para que ele encontrasse sua voz e traçasse seu caminho. “Antes eu tinha vergonha por ele não ser um nome ocidental como os outros. Agora, eu compartilho com orgulho”, conta ele.

campbell1Campbell Addy
Sobre Campbell Addy

Campbell graduou-se na Central Saint Martins há menos de um ano, mas já estabeleceu-se como destaque por sua colaboração com pessoas talentosas de origens diversas. Ele é votado como o fotógrafo mais influente da lista de 2017 feita pela britânica Dazed — no ranking geral, ele está em 54º de 100. A revista aponta, porém, que seu sucesso não aconteceu do dia para a noite. Em um mercado saturado, ele precisou descobrir sua voz e, mais importante, entender como canalizá-la para o mundo. Surge, então, a poesia de seus cliques.

Sua bagagem pessoal também já serviu de influência para a mostra “Seek, and ye shall find”, busquem, e encontrarão, na tradução. Criado como uma testemunha de Jeová e gay, ele sempre sentiu fé e sexualidade como coisas incompatíveis. Se afastou da religião, mas descobriu que não era preciso descartar a espiritualidade que o acompanhou durante a vida. O versículo de Mateus 7:7,8, foi sua base e inspiração para a exibição solo, que aconteceu em Londres, no começo deste ano. A mostra retratou esses temas em diferentes contextos, como na cena LGBT da Coreia do Sul, provendo a história e o contexto dos personagens.