News 1 semana atrás | Leo Saldanha

Sebastião Salgado se posiciona sobre o novo governo

por Revista FHOX

Fotógrafo que é reconhecido mundialmente se posicionou sobre o momento do Brasil em entrevista para uma rádio francesa

O fotógrafo brasileiro foi entrevistado pela rádio francesa “France Inter”. Ele falou sobre a vitória de Jair Bolsonaro e deu sua opinião sobre a ascensão da direita no Brasil. Vale lembrar que Salgado fugiu do país nos 1960 por conta da ditadura. Na entrevista o renomado fotógrafo disse que o “Brasil ficou louco e que já estava dando sinais de insanidade”. As colocações dele estão aparecendo em destaque em vários sites europeus e também daqui com destaque no UOL e Carta Capital.

“Quando Dilma Rousseff, eleita democraticamente, foi destituída, praticamente em um golpe de Estado, e um governo totalmente corrupto foi colocado no lugar, começamos a perder o controle do País. Colocamos na prisão aquele que poderia ser eleito diretamente no primeiro turno, por corrupção, praticamente sem provas. Praticamente um prisioneiro político. Houve muita corrupção do PT e que, para governar, o partido comprou muito apoio político”. E isso se voltou contra as forças democráticas” disse.

Salgado também comentou sobre o alto índice de rejeição de Bolsonaro e de como ele se tornou vencedor. “Teve muita gente que não foi votar”. O fotógrafo falou ainda sobre a nomeação do juiz Sérgio Moro para o ministério da justiça e disse não acreditar no retorno da ditadura e exaltou outro ponto das Forças Armadas. “São modernas, como as da França, que participam de missões técnicas e internacionais com a ONU. É diferente. Não são Forças Armadas golpistas de uma República das Bananas. Isso mudou”. Salgado crê que será um grande desafio para o presidente eleito fazer as mudanças sem se curvar aos acordos e concessões políticas. E que existe uma grande diferença entre o discurso do candidato e da realidade que ele vai enfrentar.

Meio Ambiente – ele se posicionou sobre um possível recuo do presidente eleito quanto a criação de um Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura. “Isso mostra a pressão que existe nos negócios internos. O Brasil se tornou o maior produtor agrícola do mundo e exporta carne, soja, café. O agrobusiness é enorme e depende do mercado externo. Acabar com o Ministério do meio-ambiente e destruir uma parte da Amazônia traz efeitos para a economia, haverá um movimento planetário de boicote”. Vale lembrar que o fotógrafo têm uma ONG voltada para reflorestamento no Brasil. “Plantaremos 150 milhões de árvores e não precisamos de dinheiro público. O grande problema ecológico de Bolsonaro é a Amazônia, porque ele prometeu uma abertura da Amazônia ao agrobusinness. Mas eu me pergunto se o agrobusinness precisa da Amazônia. Eles têm as terras mais férteis do mundo” disse e completou. “As Forças Armadas são a principal instituição presente na Amazônia, e eu conheço um certo número de jovens generais que são contra a abertura da Amazônia”, afirma.

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