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Conheça a incrível história do primeiro fotógrafo de espíritos

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William Mumler foi o primeiro fotógrafo de espíritos que se tem notícia. Ele atuava no final do século XIX como especialista em fotos espirituais. Retratos com fantasmas flutuando junto ao retratado.

O assunto é tema do livro The Apparitionists de Peter Manseau e foi tema recente da ótima matéria da Revista The New Yorker. Antes da fotografia, Mumler trabalhou em Boston com joias. Sua primeira foto espiritual foi clicada quando tinha 18 anos e tratava-se de um retrato da prima falecida.

Não demorou para ele se destacar e ser aclamado pela comunidade de espíritas da cidade. Assim como hoje, seu trabalho ganhou força no boca-a-boca e logo ele estava ganhando dinheiro com fotos em seu estúdio. Deixou de ser um hobby para virar uma profissão: fotógrafos de espíritos. Todos queriam um retrato com alguma aparição da família. Mumler passava noite adentro fotografando. Ia do anoitecer até a madrugada trabalhando.

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De acordo com a matéria, à época era mais do que propícia. Afinal, o número de mortos era crescente com a Guerra Civil nos Estados Unidos. O retratado tinha que ficar parado sem se mexer durante um minuto. Os fantasmas aparecem como vultos translúcidos e com aquela aparência que se esperaria de uma assombração.

A fotografia naquele momento era uma grande novidade. Tinha algo de mágico a ideia de associar o mundo do além com os cliques. Havia, de fato, um apelo e tanto. Mesmo naquele tempo a fotografia já apresentava concorrentes. E o que colegas competitivos fizeram em relação ao trabalho macabro de Mumler? Tentaram desmascarar as sessões de fotos espirituais.

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Os fotógrafos (adversários) sabiam que Mumler fotografava com a técnica de fotografia de colódio e placas de vidro. E que isso favorecia alterações químicas (e retoques em laboratório). Ou seja, os concorrentes queriam expor o charlatanismo de Mumler. Não demorou para Mumler receber visitas de investigadores que procuravam encontrar as trapaças no processo usado por ele.

Enquanto isso, Mumler ganhava ainda mais popularidade. Com direito a marketing direto com envio de mala direta e expansão da operação de fotografia. A chamada era ótima: faça uma foto com o espírito que você quer ver. Só 7.5 dólares.

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Até que um dia Mumler cometeu um grave deslize. Clicou um dos clientes e o fantasma da foto era da mulher (ainda viva e que tinha contratado os serviços do fotógrafo antes do marido). A farsa e a ruína começaram ali e também questionamentos de jornalistas investigativos daquele tempo. Mumler viu seu negócio ruir com o número crescente de desconfiados e descrentes maior do que os curiosos e crentes das sessões com fantasma.

A mudança para NY em 1868 não ajudou muito e em 1869 ele foi acusado de roubo e fraude. A repercussão do julgamento deu ainda mais fama para o fotógrafo dos espíritos. Agora totalmente exposto e aguardando julgamento na prisão. Absolvido da acusação, Mumler escapou por falta de provas mais contundentes. Safou-se pelo benefício da dúvida de não ter agido com maldade ou má-fé. Mumler retornou para a fotografia, mas no fim já não clicava mais os ensaios ocultistas. Ele seguiu na fotografia (não mais espiritual) e até criou um novo processo fotográfico.

O fim da matéria mostra que ele só não resistiu a um pedido ilustre. A primeira-dama de Abraham Lincoln apareceu em seu estúdio e ele não conseguiu dizer não para a grande chance daquele retrato ilustre. Mary Todd Lincoln aparece sentada com o marido Abraham Lincoln repousando as mãos de forma serena nos ombros da esposa. Um belo retrato, aliás.

A fascinante matéria da revista encerra o texto com uma provocação: os clientes procuravam o fotógrafo porque estavam abalados, carentes. Então, a culpa não seria exclusiva de Mumler em atender esses pedidos. Só quem perdeu alguém da família sabe o quão valiosa pode ser a ideia de um último encontro ou uma última memória com um ente querido.

Atualização: no meu perfil do Facebook, Fernando Lopes perguntou: Ok, mas como ele sabia quem era da família? Eu não tinha a resposta exata, embora soubesse se tratar de uma fraude. Em uma pesquisa mais detalhada descobri esse ótimo post de um blogueiro/jornalista português. Segundo, ele (e também em outros sites que pesquisei), Mumler corria atrás das fotos dos entes queridos dos clientes interessados. Foi pego arrombando a casa das pessoas caçando fotos para depois sobrepor na fotografia feita no estúdio. Além da Viúva de Abe Lincoln também fotografou outros famosos depois de toda a fama com a mídia. A propósito, é o tipo de caso que mostra que muitas vezes não existe marketing ruim…a mídia fez tanto barulho mesmo duvidando do trabalho dele que a divulgação atraiu ainda mais clientes. 

>> Profissão: fotógrafo de terror

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