News 2 anos atrás | Redação

A herança da memória

A experiência de visitar a casa de uma cliente para ver fotos de família

por Revista FHOX

Texto e fotos por Fer Cesar

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Eu e minha esposa Bruna contamos histórias geralmente ligadas a um dos momentos mais felizes na vida das pessoas, o casamento. Somos fotógrafos de histórias autênticas de amor e amizade onde quer que elas aconteçam, e isso tem nos levado para lugares que nunca imaginaríamos estar.

Pessoalmente gostamos muito quando temos a oportunidade de contar histórias como estas, pois temos uma maior possibilidade de explorar fatores que fogem ao roteiro de um casamento “mais tradicional”.

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Casamentos onde quer que aconteçam são sempre uma tradição e o convívio com as pessoas por mais tempo que o normal nos proporciona experiências incríveis de imersão e conhecimento, e isso sem dúvida se reflete em nosso trabalho, porque dependemos muito desta abertura, pois para contar histórias precisamos antes de mais nada conhecê-las.

 

Essa sessão da família revisitando os álbuns antigos foi exatamente um exemplo de como gostamos de explorar o fator “extracasamento”. Conversando com Juliana (a noiva), ela nos contou que o seu pai tinha muitas fotografias de viagens, a família toda gostava muito de fotografar, e foi justamente isso que despertou desde cedo a paixão dela pela fotografia, até que um dia decidiu se tornar fotógrafa.Quando soubemos disto, propomos a Ju de conhecermos a casa dela, para ver o local onde se prepararia para o casamento e revirarmos as antigas caixas de sapato com fotos antigas dentro.

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O que a princípio era uma simples ideia se tornou quase que um resgate coletivo de memória afetiva familiar. Toda fotografia está relacionada ao passado, por mais que tenha sido feita há instantes atrás. De uma foto do pai com o Pelé (ainda muito jovem) às fotos dadas de presente por familiares nas mais diversas épocas, encontramos todo tipo de recordação. Mas dado o motivo de estarmos ali, o que mais uniu todos em volta das antigas imagens foram os álbuns de casamento, dos pais, avós e antepassados. Curioso ver como essas imagens constituem uma espécie de patrimônio histórico das experiências que adquirimos durante a vida.

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Foi curioso notar como tínhamos o costume de presentear as pessoas com fotografias, onde se faziam anotações no verso para se lembrar como e onde foram feitas. Mais do que a sensação de que tínhamos uma boa história, tivemos uma real noção da importância do nosso trabalho como registro histórico. Nós, fotógrafos, constantemente estamos preocupados com o discurso da estética, narrativa e outros, e poucas vezes paramos para analisar com os olhos do coração, com os olhos de quem vê ali, na imagem em si, uma herança que certamente será revisitada por gerações como um resgate de memórias individuais ou coletivas, que é de grande importância para a compreensão de nossa identidade. Afinal, todos nós somos feitos de retalhos.

>> Fotografia no papel é para sempre

Fer Cesar e Bruna. Ou Bru e Fer, the Cesar’s ou como queiram chamar… São um casal de fotógrafos de Curitiba. A fotografia de casamento entrou na vida deles há aproximadamente sete anos, a idade da Clara, filha do casal e start de tudo que veio depois. Mesmo vindo de áreas distintas, como a publicidade e a administração, a fotografia foi a forma que encontraram de se relacionar com o mundo à sua volta. Eles acreditam no real interesse pelas pessoas e suas histórias, e que a fotografia é somente uma consequência disso.