News 2 anos atrás | Diogo Amorim

A fotografia que revelou a crise de subnutrição que assola a Síria

por Revista FHOX

Sahar Dofdaa que tinha um mês e pesava dois quilos, morreu este domingo. A sua fotografia chamou a atenção internacional para um dos problemas mais graves da Síria.

O Estado Islâmico perdeu grande parte dos seus bastiões na Síria. Mas há ainda dezenas de milhares de civis a viverem em condições de guerra insuportáveis. Uma fotografia de um bebé subnutrido lembrou o mundo desta condição. A criança da fotografia morreu num subúrbio de Damasco, controlado pela oposição ao governo de Bashar al-Assad.

A pequena Sahar Dofdaa, com apenas um mês, pesava menos de dois quilos, tinha uma pele cinzenta, da cor do pó, e a pele colada aos ossos, com as costelas e as omoplatas a sobressaírem. Nos pequenos braços da criança estava um tubo intravenoso que era usado para o alimentar, na cidade de Hamouria. Sahar morreu no domingo. Um dia depois emocionou milhões de pessoas que se lembraram que a Síria está a ultrapassar uma crise humanitária comparável a poucas outras da sociedade actual.

As imagens foram capturadas pelo fotógrafo Amer Almohibany e divulgadas pela agência noticiosa Agence France Press.
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Dezenas de milhares de civis vivem sitiadas na cidade de Ghouta, cercada pelas forças leais ao presidente sírio. Esta é uma pequena percentagem dos 3,5 milhões de sírios que “habitam” sitiados, ou em áreas de difícil acesso. A maioria destes cercos são feitos por militares leais ao regime. Cada vez é mais difícil às organizações humanitárias internacionais levar mantimentos a estas zonas.

A fotografia da bebé levou a que a atenção internacional se virasse para os diversos problemas de subnutrição que milhares de sírios enfrentam todos os dias. Médicos e activistas revelaram que há dezenas de casos de subnutrição a ser tratados em diversas clínicas e hospitais de campo. Há ainda dezenas de mães que não conseguem amamentar as crianças por sofrerem elas mesmo de subnutrição. As fórmulas de leite são uma fantasia para maior parte destas crianças. A mãe de Sahar não a conseguia amamentar por não ter o que comer, o que fazia com que não conseguisse produzir leite.

Segundo afirmou o médico Mohamad Katoub, há actualmente 68 casos de subnutrição nos hospitais da região de Ghouta. No entanto, como lembra Katoub, esse número pode ser maior, já que é difícil reunir informação de todos os hospitais da área completamente devastada pela guerra que dura há cinco anos.

Segundo contou um médico à AFP, das 9.700 crianças examinadas nos últimos meses, 80 sofriam de grave subnutrição, 200 de um elevado nível de subnutrição e ainda 4.000 tinham uma nutrição bastante deficiente. Estes problemas alimentares derivam, em parte, da incapacidade das condições brutais em que vivem os civis, incapazes de obter alimentos.

O mercado de comida está, actualmente a ser controlado por traficantes que inflaccionam, sem controlo, os preços da comida de tal forma que é impossível aos locais comprarem o que quer que seja.

Ghouta é uma das zonas que faz parte do acordo de desmitilirização entre as forças russas e turcas para reduzir a violência na Síria. No entanto, Bashar al-Assad não cedeu quanto ao desmontar do cerco à cidade, tendo inclusivamente dificultado o acesso das Nações Unidas e outras organizações a várias cidades.