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A evolução e transformação da fotógrafa Bruna Veratti

Profissional que começou na fotografia newborn e de família se reposicionou e agora atua em nova fase com foco em retratos femininos e corporativos

A fotógrafa Bruna Veratti atua em São Paulo e passou por um processo de reposicionamento do negócio. Da fotografia de bebês e família para retratos femininos. Uma proposta sofisticada que envolve consultoria de imagem e também analisa as cores para cada pessoa. No fim, nessa nova fase ela também ajuda as clientes a reposicionarem e valorizarem suas próprias imagens. Conversamos com ela sobre a carreira, os desafios do último ano e sobre fotografia. Bruna Veratti Fotografia (@brunaverattifotografia) • Fotos e vídeos do Instagram

Bruna Veratti em ação. Mercado de retratos só tende a crescer

Como foi sua trajetória na fotografia? Conte um pouco de você?

Desde pequena a fotografia é algo muito importante na minha família. Todas as viagens, festas e férias sempre foram registradas e impressas em álbuns que até hoje admiramos. Apesar disso, eu só tive interesse em comprar minha primeira câmera após uma viagem que fiz a trabalho para a China em 2008 para organizar um evento da revista EXAME (na época eu trabalhava na Editora Abril como coordenadora de eventos). Quando retornei meu álbum recebeu muitos elogios inclusive de diretores de arte da revista. Com isso, me matriculei em um curso básico, mas não tinha coragem de largar um emprego para tentar uma aventura neste segmento.

No fim, a vida deu o pontapé que eu precisava. Em 2010 saí da Abril após uma reformulação da equipe, e me dei um prazo de 10 meses para tentar algo em fotografia. Para isso fiz um curso profissionalizante no IIF (Instituto Internacional de Fotografia) e conheci a fotografia newborn através da Danielle Hamilton. Me encantei com a sensibilidade deste estilo e fiz inúmeros cursos na área. Após um período fotografando na casa dos clientes abri meu estúdio e no ano de 2015 tive a honra de ser convidada a atuar como diretora da ABFRN (Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-nascidos) substituindo uma das fundadoras que precisou se afastar, onde permaneci até 2018.

Neste período comecei a sentir que algo ainda não estava completo no meu trabalho. Adorava fotografar as gestantes e bebês, mas não me identificava totalmente com aquela realidade.  Foi quando me interessei pela fotografia de retratos, especificamente de mulheres, e percebi que era possível oferecer algo diferenciado e especial.

Me apaixonei pelo trabalho da fotógrafa neozelandesa Sue Bryce e me inscrevi no seu programa de ensino à distância. Consegui aprender vários aspectos de como valorizar uma pessoa em um retrato, questões de iluminação, ângulos, e especialmente poses. Acredito que hoje este é um dos pontos mais fortes no meu trabalho.

Em 2018 passei por um processo de consultoria de imagem e isso abriu meus olhos para a importância que nossa imagem tem em vários aspectos da nossa vida. Um dos processos da consultoria é a análise de coloração e fiquei encantada em como as cores influenciam a nossa fisionomia e fotogenia, por isso incorporei este serviço no meu estúdio.

Ouço constantemente minhas clientes falarem que não se gostam em fotos ou que não são fotogênicas e isso tem totalmente a ver com a forma como a mulher se vê. Hoje considero que meu trabalho vai além da fotografia. Considero uma forma de ajudar as mulheres a se olhar de outra forma, e se redescobrir através das fotos.

Como lidou com esses últimos 12 meses?

Foi um período de profunda adaptação, pois a fotografia exige o trabalho presencial. Como muitas clientes precisam de fotos constantemente para alimentar suas redes sociais, oferece a possibilidade de tratar as fotos que elas faziam com o celular, editar vídeos e fazer o atendimento de análise de coloração online (que eu já oferecia antes mesmo da pandemia). Isso foi essencial para me manter durante os 4 meses em que ficamos totalmente reclusos em casa (março a junho/2020).

Em agosto inaugurei meu novo estúdio no Espaço Duas Marias, que é um local destinado à autoestima e autoconhecimento da mulher, onde estão associadas a consultoria de imagem e a fotografia. Com isso os atendimentos foram reiniciados com toda segurança e cuidados que este momento exige.

Como é esse trabalho de retratos e posicionamento de imagem?

A nossa sociedade está sendo bombardeada por fotos a todo momento. A moda e as redes sociais têm um impacto profundo na forma como as mulheres se veem, criando uma visão deturpada de si mesma. Observo com tristeza a forma como elas se depreciam ao se comparar com esse mundo “perfeito” que é apresentado a todo momento.

Após passar pelo processo de consultoria de imagem comecei a usar meu próprio conhecimento para buscar a essência da mulher que vou fotografar. Algumas são mais tradicionais, outras mais esportivas, sensuais, criativas, femininas… Ao observar isso já consigo decidir como será o estilo das fotos. Além disso, cada corpo tem sua forma e é minha função respeitá-lo com poses que vão valorizá-la ainda mais. Por fim, caso ela tenha feito a coloração, estará ainda mais favorecida para as fotos. Tudo isso auxiliará no resultado da sessão onde ela finalmente se sentirá verdadeiramente representada.

Este ano lancei 2 cursos onde passo esta visão. Um é o “Workshop Online Como Sair bem em fotos de rosto” direcionado a qualquer pessoa que tenha interesse em aprender os detalhes para sair bem em um retrato. E o outro é o “Curso para Fotógrafos: Como Identificar e valorizar a essência feminina nas fotos”, onde abordo minha forma de fotografar buscando identificar o estilo e tipo físico, ensino a fazer uma pré-análise de coloração para ajudar na escolha dos tons da maquiagem e fundo fotográfico, e as poses que a valorizam. É uma visão totalmente diferente de fazer fotografia.

Como funciona a parte de coloração?

A análise de coloração tem fundamentação na física e podemos facilmente fazer um paralelo com a fotografia. Por exemplo, quando queremos suavizar as sombras em uma foto usamos um rebatedor branco no lado oposto ao da luz, certo?

O mesmo princípio acontece com tudo que está ao redor do nosso rosto (cabelo, brincos, colar, lenços e roupas). Essas cores “rebatem” na nossa fisionomia de forma a valorizá-la ou não. A análise de coloração tem como objetivo revelar as melhores cores para cada pessoa, analisando aspectos como contraste pessoal, luminosidade, profundidade e temperatura de cor da pele (fria ou quente).

Por que isso é importante? Quando usamos essas cores nossa pele fica mais iluminada e com aspecto saudável; suaviza olheiras e manchas na pele; disfarça aspecto de cansaço; deixa o rosto com um contorno bonito e os traços ficam mais finos e elegantes.

Tudo isso tem impacto direto no resultado das fotos, nos deixando mais fotogênicas. Por isso achei tão importante incluir nos meus serviços.

É importante dizer que na metodologia que eu uso (Duas Marias) este serviço pode ser feito tanto presencial quanto online com toda segurança e assertividade.

Nota um crescimento do interesse das pessoas em melhorar a imagem? Por quê?

Existem estudos que mostram que basta uma fração de segundo para se formar a primeira impressão sobre alguém e nosso rosto é responsável por 70% da nossa comunicação não verbal.

Passamos mensagens silenciosas quer seja através do nosso corte de cabelo, se usamos ou não maquiagem, a cor de nossas roupas etc. Tudo isso influencia na imagem que as pessoas formam ao nosso respeito antes mesmo de abrirmos a boca.  Por isso nossa foto de perfil profissional é tão importante!

Além disso, ao trabalhar com o público feminino percebi que muitas vezes a mulher “esquece” de si, dedicando todo seu tempo aos filhos, família e trabalho. Especialmente neste período da pandemia em que as pessoas estão em casa e não tem um convívio social, ficam mais relapsas com sua imagem. Isso tem impacto direto na sua autoestima.

Com tudo isso percebo que as pessoas estão buscando saber mais sobre o assunto.

Quando descobrimos nossos pontos fortes nos sentimos mais seguras e confiantes impactando positivamente em vários aspectos das nossas vidas. A imagem é uma consequência desta redescoberta. Começamos a nos cuidar e nos olhar com mais amor e admiração.

Tenho clientes que fizeram a análise de coloração durante a quarentena de 2020 e me disseram que foi o melhor investimento que podiam ter feito. Foi uma forma de resgatarem a mulher que estava esquecida.  Muitas falam que é um gesto de autoamor.

Você oferece produtos de que tipo (fotos) para esse serviço? Algo impresso?

Para as fotos de perfil profissional dou somente a opção de fotos digitais, pois a intenção é o uso destas fotos para a divulgação do seu trabalho, quer seja online ou para alguma publicação.

Nos ensaios femininos e de família dou os arquivos digitais, mas sempre coloco a opção de fazer um álbum ou quadros para decorar a casa. Constantemente falo nas minhas redes sociais da importância de termos estas lembranças impressas, pois são nossa história contada em imagens. Adoro esta visão da fotografia!!!

Qual a grande diferença entre o que fazia antes e agora?

Acredito que hoje meu trabalho tem mais significado. Tomei como missão ajudar as mulheres a se redescobrir através da fotografia. Tenho depoimentos que me emocionam como este: “Quando duvido de mim, suas fotos me ajudam a lembrar de que sou capaz de muito mais que imagino”. É isso que faz meu coração saltar todos os dias quando vou trabalhar.

O que mais aprendeu na fotografia newborn e de família?

Aprendi que não temos controle de nada! Fotografar recém-nascidos exige muita paciência e saber respeitar os limites do outro. Não adianta impor minha visão. Preciso entender quem é a pessoa que estou fotografando e a importância deste momento para ela.

Na fotografia newborn eu sempre falava para a mãe que quem mandava na sessão era o bebê. Eu podia imaginar uma linda pose, mas era ele quem me mostrava se era a mais confortável para fazer a foto.

Nos retratos é a mesma coisa. Posso ter várias ideias, mas preciso adaptá-las a todo momento para se enquadrar a quem é minha cliente. É um desafio constante, mas delicioso!

As clientes que eram de newborn e família não são clientes em potencial desse trabalho novo?

Sim, com certeza!!! Hoje muitas mães me procuram para registrar uma nova fase em sua vida, quer seja pessoal ou profissional.  Apesar de estar mais focada nos retratos femininos e de perfil profissional, ainda faço sessões de família e de gestante. Só parei com o newborn. Tenho famílias que fazem sessões todos os anos e curto muito.

Outras vezes as mães querem fazer fotos sozinhas como forma de se dar um presente ou ficam interessadas na análise de coloração. É uma forma de estar sempre em contato com esses clientes que são tão preciosos para mim!

As redes sociais ajudam seu negócio? Como faz o marketing hoje?

Sim!!! Tenho meu site que é meu cartão de visitas, mas hoje o Instagram se tornou a grande vitrine do meu trabalho. Procuro que minha página não seja somente uma demonstração de fotos dos meus trabalhos. Dou muito conteúdo aos meus seguidores, falando sobre aspectos que podem ajudar a fazer uma foto melhor. Gosto de fazer stories e criar esta conversa com quem me segue. Abro espaço para perguntas, posto bastidores, e inclusive fiz uma série de vídeos no IGTV com inúmeras dicas durante a quarentena do ano passado.

Digo que sou uma fotógrafa que é muito “aparecida”, rsrsrsrs. Não fico somente atrás das câmeras. Uso a minha própria imagem para mostrar a importância de estarmos sempre “em ordem”. Nossa imagem tem um impacto profundo na forma como as pessoas nos veem e se irão ou não nos contratar. Tenho clientes que me contrataram pois me acharam muito elegante ou fashion!

Pensa em fazer vídeo para isso também

Sim! Faço vídeo para vários profissionais como forma de apresentarem seu serviço/produto, ou para tirar dúvidas de seguidores, dar dicas, etc. É uma mídia que pode e deve ser explorada, pois aproxima o público da marca. Presto serviço para consultores, médicos, autônomos de forma geral, e até loja de vinhos.

Muitos fotógrafos não se adaptam e não fazem transições…em um momento como esse que estamos passando, como você nota isso?

Acredito que precisamos estar sempre atentos, pois muitas vezes podemos perder oportunidades preciosas pelo fato de ficar preso a uma ideia. Por exemplo, eu demorei um pouco para criar coragem de parar as fotos newborn e me dedicar 100% aos retratos, pois na minha cabeça eu já estava com meu nome reconhecido naquele segmento. Porém, no momento que finalmente desapeguei foi quando minha carreira decolou.

Este momento está sendo desafiador, mas somos profissionais que podemos contribuir de várias formas com nossos clientes. Não devemos ter medo de tentar o novo.