News 1 mês atrás | Leo Saldanha

A era das lives e da fotografia remota em tempos de quarentena

Não são poucos os cases que estão usando as ferramentas digitais para se relacionar e até vender de forma remota. Enquantos alguns estão céticos e esperando, outros estão aproveitando a oportunidade dessa nova fase do marketing em tempo real

por Revista FHOX

Parece que tudo começou com o italiano Alesio Albi que retratou modelos de diferentes países europeus usando o FaceTime. Aqui no Brasil um dos destaques foi Jorge Bispo (entrevistado pela FHOX nesse episódio recente do podcast). Vale lembrar que essa é uma forma de “live” adaptada para retratos remotos em tempo real usando o recurso da videoconferência da Apple. O fato é que as transmissões ao vivo avançam com força em vários e distintos formatos. Fotógrafos e laboratórios estão fazendo transmissões ao vivo para conversar, trocar ideias, experiências e falar de novidades. Alguns criaram rotinas de entrevistas caso da Camila Vedoveto que entrevistou uma infinidade de colegas (de renome) durante vários dias. Também ali por perto, as irmãs Roberta e Marina Cadore fizeram lives também no Instagram para falar de estilo, criatividade e outros assuntos. No Rio de Janeiro Renato Rocha Miranda realizou uma série de conversas com colegas no projeto Comvida. Laboratórios como a Viacolor fizeram super lives reunindo times de fotógrafos conhecidos no mercado. Já a Go image fez transmissões ao vivo para os clientes lançando um pacote de soluções para os clientes. O que fica claro dessa quantidade de iniciativas ao vivo é o avanço do único marketing que restou nesse momento: o relacionamento em tempo real. Some aí a geração de conteúdo e temos um composto como a tempos não víamos no ramo. Uma grande oferta de informações das mais variadas. Tem fotógrafo famoso falando de técnica, tem outros mostrando o que fazer no confinamento.

O que é curioso após um mês de quarentena é ver a evolução do formato. Os fotógrafos aqui e lá fora começaram a testar outras ideias. A fotógrafa Jeniffer Amaral disse que ela e um grupo de colegas iriam fazer álbuns de quarentena a partir das sessões remotas. Aqui cabe não só a impressão de fotos feitas a distância, mas também de estimular o cliente a enviar fotos da família para transformar em álbum como memória dessa situação histórica e sem precedentes.

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❥ { PRONTA ENTREGA } ❥ . Uma das metas em 2020 era conseguir ter alguns produtos a pronta entrega por aqui. ♥️ Nesse post vou deixar algumas peças que temos no momento pra quem quiser presentear alguém nesse momento ou guardar os pequenos momentos vividos nesse tempo de quarentena 🥰 . Pista 3. Vocês vão ficar ainda mais pertinho de mim! ♥️ . . . . . . #curadoriaonline #mentoriaencantar #convitedecasamentovintage #casamentovintage #casamentoboho #waxseals #caixaparafotografos #caixasartesanais #printbox #packaging #caixaspersonalizadas #caixaemlinho #pastaderecordacao #artesanato #fotografosdecasamento #linenbox #hotstamping #gravacaopersonalizada #caixaparapendrive #embalagenspersonalizadas #embalagempersonalizada

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Como tudo hoje, muitos fotógrafos não apreciam nem a quantidade de lives ou mesmo as sessões remotas. Por um lado dizem que tem muita transmissão ao vivo que poderia ser um “Stories” e que as sessões remotas são mero artifício para aparecer sem apelo de vendas. Outros reforçam que a sessão feita a distância não é fotografia. Em uma entrevista recente para a FHOX a fotógrafa de Brasília Tainá Frota mostrou que é bem diferente disso. “Algo que exerce a criatividade e a visão do fotógrafo naquele momento” disse ela. Vai além disso, os clientes em casa sem um fotógrafo ficam ainda mais a vontade. Outro desafio para os fotógrafos nesse cenário de isolamento é entrar em contato ou tentar oferecer algo. Devo abordar, vender ou tentar oferecer algum produto? não parece oportunista? Ou seja, devo ou não devo fazer marketing e divulgar essas ações diferenciadas? Rubens Vieira que foi entrevistado recentemente pela FHOX em um bate-papo no Zoom, disse que sim. É hora de aparecer, se preparar e até de manter campanhas (menores) para aparecer e ser lembrado. Na visão dele a fotografia documental terá papel importante nessa nova fase. O que não deixa de ser verdade nesse formato remoto que também acaba sendo mais rápido. Como produto a sessão remota é interessante porque pode ser oferecida de graça. O fotógrafo ganha na venda de um álbum ou decoração com foto ou porta-retrato do ensaio. E mais: é uma forma de aparecer, se relacionar e surpreender nesse momento. Vieira comentou com a FHOX que o fato de aparecer agora mesmo nessa atendimento e ensaio digital gera reconhecimento da marca depois. O fotógrafo Francisco Rojas que é especialista em retratos começou a testar retratos com clientes corporativos. Uma prova de que existe espaço para testes nas mais variadas frentes. Claro que a fotografia “virtual” não vai substituir a real. Claro que em algum momento as coisas devem voltar ao normal. Ninguém ainda sabe quando isso vai ocorrer, logo agir com abordagens criativas e inusitadas parece sim uma estratégia acertada. A propósito, já tem fotógrafo vendendo essas sessões remotas e produtos impressos a partir do ensaio. E com resultados reais. A coisa avançou tanto que até a famosa revista Vogue na sua edição italiana fez um ensaio completo via FaceTime com uma supermodel. O resultado ficou bacana. 

How to add Zoom to your Outlook account in 5 steps - Business Insider

Zoom Marketing – Não resta dúvida que a era das lives vai muito além do Instagram. Aliás, é no Zoom ou plataformas similares que parece que as possibilidades se mostram mais efetivas e frutíferas. Sem as notificações de outras “lives” e sem apitos do WhatsApp, as ferramentas como Zoom, Skype, Google Meeting e outras mostram-se cada vez mais populares. Mesmo com questões de segurança e privacidade expostas recentemente, o Zoom parece o grande vencedor da disputa. Aliás, a FHOX testou durante duas semanas (entrando já na terceira) e gerou mais de 20 horas de conteúdo (pago e grátis) com resultado surpreendente. Os recursos disponíveis e a interação mostram que as turmas, entrevistas e debates nesse local são mais do que possíveis. No Zoom existe a versão grátis que permite transmissões para até 100 pessoas por sala por 40 minutos. Caso queira fazer mais longo ou com mais pessoas por turma tem que pagar. Mas dá perfeitamente para fazer uma nova apresentação depois que o tempo termina. Muitos fotógrafos e os negócios em geral se perdem no devaneio das transmissões com milhares de pessoas assistindo, quando uma reunião com poucos e boas pode ser tão efetiva quanto uma com 10 mil ou mais pessoas assistindo. Afinal, quando o público é pequeno dá para atender melhor, conversar e tirar dúvidas. Contudo, o foco dos fotógrafos mostra-se difuso do real poder desses espaços virtuais. Pois o profissional pode atender um único cliente em uma apresentação personalizada e sem distrações de um Instagram. A ferramenta seja no Skype ou Zoom ou Google permite conversar de forma mais próxima mesmo a distância. Para laboratórios e grandes marcas do mercado as oportunidades dessa nova fase ainda não parecem ter sido descobertas. Uma marca pode conversar com clientes em tempo real em uma sala exclusiva. Fazer demonstrações, tirar dúvidas e mostrar novidades. Ou até fazer mais: pois recentemente um fotógrafo profissional controlou a câmera da modelo a distância via Zoom. Mostrando que não é só pelo FaceTime que a coisa vai seguir.

Louis Reed

Como foi dito antes, uma parte dos fotógrafos está paralisada. Com os eventos congelados, adiados e até cancelados e sem uma previsão de como as coisas vão ficar. Essa incerteza gera paralisia, medo e insegurança. “É legítimo que a gente não queira fazer nada. Que eu possa ficar na minha e não queira me reinventar” disse um fotógrafo que pediu para não ser identificado. Sim, todos podem concordar que é mais do que legítimo. Que estamos enfrentando um desafio sem precedentes e sem saber como as coisas ficarão daqui para frente. No novo livro de David Sax (autor de a vingança dos analógicos) o autor canadense aborda o real espírito empreendedor que tem relação direta com a pandemia. De empreendedores que sabem do impacto social e que querem ajudar a comunidade e que estão se unindo em busca de soluções. Fazem isso ao mesmo tempo que pensam: como vou sobreviver? talvez esse seja o espírito necessário para o quadro atual. 

David Sax - The Soul of an Entrepreneur (San Francisco Ferry ...

A experiência da FHOX com a Escola de Negócios FHOX nas últimas duas semanas se mostrou rica em vários sentidos. Não sem mostrar os inúmeros obstáculos e complicações da Covid-19.. Fotógrafos e empreendedores da imagem participaram de duas turmas e compartilharam seus anseios e trocaram informações. Uma turma foi grátis e outra paga mas nas duas experiência houve algo em comum: de que existe uma necessidade de ação imediata mesmo na pandemia. De que o marketing não pode ficar de quarentena. O que mostrou que é possível realizar iniciativas diferenciadas para a troca de ideias, análise de casos, estudo de ameaças e oportunidades nesse ambiente desafiador. Sem deixar de lado as condições delicadas do que está acontecendo. Na verdade trata-se de um processo de adaptação ao momento. Algo que explica até o motivo das lives, das sessões remotas e afins. Agir como forma de seguir se adaptando ao mesmo tempo. Não. Não é fácil, mas para esses empreendedores a alternativa de tentar e falhar parece melhor do que ficar esperando tudo passar. 

A próxima turma já tem data definida e inscrições limitadas. Saiba mais e participe aqui: II SEMANA ONLINE DO MARKETING 4.0. 

II Semana Online do Marketing 4.0 na Fotografia