Varejo 2 anos atrás | Leo Saldanha

Hoje entrei em uma loja de fotografia

A transformação do varejo fotográfico não depende só da fotografia. As mudanças tecnológicas e o comportamento do consumidor devem afetar ainda mais as lojas de foto daqui para frente

por Revista FHOX
Foto tirada por mim faz pouco tempo na nova loja de foto da vizinhança

Foi uma grata surpresa. Poder entrar em uma (nova) loja de foto aqui perto da FHOX. A loja fica na Rua João Cachoeira onde antes funcionava um pet shop gourmet. Na vitrine o adesivo traz uma foto e a chamada: não perca as fotos do HD ou celular. Um bom começo. Lá dentro alguns itens de decoração com fotos como porta-retratos e um varal com fotos. No balcão o rapaz mexe no computador. Está só. Vejo no fundo em outra sala pela porta entreaberta um minilab Fujifilm. Pergunto ao rapaz se ele imprime fotos do smartphone. Faço sim em uma hora. E como funciona? Manda no Whatsapp que a gente imprime. Em seguida ele me dá seu cartão. O cartão diz que ele faz um pouco de tudo. É fotógrafo, faz comunicação visual e tem laboratório. Completo perguntando: faz tempo que abriu? Ele diz que abriu a loja tem uns dois meses. Eu pergunto se vem sempre gente. Vem sim. As pessoas estão imprimindo de novo? Estão sim. Vem o pessoal que não tem mais espaço em HD ou com aquelas fotos de viagem. Pergunto se são jovens ou velhos. De tudo o que é idade. E dos usuários de smartphone? Vem, mas imprimem poucas fotos. O pessoal que esqueceu fotos no HD e outros chegam com muita foto diz ele. Agradeço e saio. Aproveito para clicar a fachada na foto que abre esse post acima.

A FHOX é a única publicação que fomenta e divulga sobre as lojas de foto daqui e de fora. Uma história de tantos anos que até batizaram lojas (que não são nossas) com o nome da revista

Um bom tempo atrás a FHOX tinha uma loja de foto vizinha na mesma rua do nosso prédio. Por muitos e muitos anos ela funcionou no mesmo local e tinha clientela fixa. Depois não aguentou. Provavelmente por conta dos custos fixos que sobem e queda na revelação. Ficamos sem nenhum ponto que imprimisse aqui por perto até a papelaria da frente passar a oferecer 3×4. Algo que inclusive virou matéria na FHOX. Depois a ótica aqui da esquina colocou um quiosque. Decisão que surgiu na própria demanda dos clientes. Outras lojas de foto no bairro ficam a uma boa distância andando (são três em um raio de uns 5km daqui). Logo, ver uma nova loja surgir tão perto em 2018 é algo bem bacana. Passei outras vezes na frente do novo ponto de fotografia da João Cachoeira e vi que volte e meia tinha cliente.

Foto recente feira por mim no Shopping Villa Lobos. Aqui a inspiração é nas galerias que vendem fotos autorais em substratos diferenciados. Grandes formatos

Andando no shopping vila lobos no ano passado vi outra loja. Essa não é exatamente de foto, mas sim de um artista. Um fotógrafo que vende suas obras de arte em grandes formatos e substratos diferenciados. Decoração com fotos? Está mais para galeria e venda de arte. Lembra o Peter Lik que tem lojas enormes nos shopping centers de Cassinos de Las Vegas. Uma foto do Peter Lik ou do Cavali valem muito e com alta margem e rentabilidade ao negócio. Só assim para manter uma loja de shopping. No mesmo Villa Lobos tem a loja do Foto Paulo, bem pequena e quase sempre com movimento. Volte e meia tem alguém imprimindo nos quiosques.

A verdade é que o varejo se transformou. E olha que ainda existem muitas lojas tanto no Brasil quanto lá fora. Duvida? Entre em sites de listas de negócios e pesquise sobre revelação. Verá centenas de lojas de foto operando no país. Mesmo com o encolhimento de centenas de pontos pelo Brasil. Prova disso é uma pesquisa que fiz antes desse post e que mostrou que só na cidade de São Paulo são 1500 pontos com algum tipo de impressão na hora ou serviço voltado para foto no papel. Desde gráficas rápidas até lojas de foto e estúdios com impressão. Repetindo: 1500 pontos com enfoque em impressão de foto em algum tipo de serviço só na cidade de São Paulo.

As lojas antiquadas ainda existem no Brasil e lá fora. Modelo de negócio que já não faz mais sentido…

Ainda assim, muita gente julga que a foto no papel acabou. Será mesmo? As tentativas mirabolantes que contrariam a lógica (frase preferida do meu pai) mostram o contrário. Existe espaço para continuar vendendo fotos no papel: primeiro é atuar com a oportunidade de imprimir quando não há mais concorrência. Ora, se todos desistem, existir como única opção é um bom negócio. De fato, antes víamos lojas em excesso em um mesmo bairro. Ou no shopping. E onde tem oferta demais…a guerra de preço acaba sendo um caminho fácil e mortal.

Hoje temos menos lojas. E deve ser por isso que em muitos lugares o preço da 10 por 15 subiu…A segunda questão importante do sucesso é da experiência. Exemplos como a Cameraland da África e da Neomodern de San Francisco mostram que existe um caminho da venda da experiência com impressão. Do conhecimento máximo, do atendimento consultivo e do apelo para decoração e de produtos premium. Por sinal, os dois cases citados estão com as respectivas matérias no fim desse post.

A venda de experiência é questão de sobrevivência para qualquer negócio. Seja fotógrafo, empresa de foto de formatura e não é diferente para lojas de foto. Faz algum tempo que citei a Apple Store como exemplo. Só que parece que a coisa mudou bastante até para a marca mais valiosa do mundo. Clientes passaram a reclamar que as lojas da Apple tem fila, faltam atendentes e o serviço caiu. Sinal dos tempos? Essa matéria aborda os detalhes desses consumidores que já não aguentam mais visitar a Apple Store. Posso confessar que tive uma experiência nesse ano na única Apple Store do Brasil e fiquei com a mesma percepção: a excelência da Apple Store não é mais a mesma. Essa matéria ilustra isso: http://designtaxi.com/news/398731/Apple-s-Stores-Are-Now-Being-Likened-To-Hell-On-Earth-By-Customers/ 

Amazon Books. Maior varejista online do mundo aposta nas lojas físicas. São 15 pontos até agora.

Muito se fala da combinação efetiva da loja física e virtual. A tendência mais evidente seria Amazon Books. Contudo, parece que a estratégia da Amazon é mais de ter um ponto para coleta de cadastros e venda de dispositivos do que venda de livros físicos. A verdade é que o e-commerce tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil não chegou nem em 15% das vendas do varejo como um todo (20 anos depois da internet surgir…). Estatística que não deve ser muito diferente em outras regiões do mundo. Claro, isso só mostra que as vendas na internet tem um potencial gigantesco e sem dúvida vai crescer muito ainda daqui para frente. Aqui merece uma atenção especial o avanço dos smartphones. Com bilhões de dispositivos conectados à internet, temos um mercado ainda mais promissor pela frente. Daquele cliente que compra e acessa tudo na palma da mão. Para a loja de foto, isso é uma oportunidade imensa. Primeiro porque temos hoje mais smartphones do que habitantes no Brasil. Segundo, porque todos andam com câmera e um álbum online no bolso. Terceiro, preste atenção nesse ponto… um breve exercício de previsões que imagino realista.

  1. 10% dos brasileiros tem condições de investir pesado em fotografia a partir do smartphone. Estamos falando de 20 milhões de consumidores. Desse grupo, 2 milhões com potencial de consumo mensal pesado em decoração, álbuns, fotopresentes e afins.
  2. 60% dos brasileiros com smartphone usam o sistema pré-pago. Esses muito provavelmente vão gastar pouco (ou quase nada) com impressão de fotos.
  3. Obviamente o alvo deveria ser o grupo 1. Daqueles que possuem aparelhos premium, que consomem fotografia e que se tiverem opção de alto valor adicionado vão imprimir.
  4. Lembrando que o Brasil tem uns 80 milhões de usuários no Instagram. Estamos aproveitando direito essa rede social para gerar impressões de forma fácil e encantadora?

Falando em smartphone. O conceito em voga é da Loja 4.0. Onde startups aproveitam a crise de identidade no varejo para melhorar a experiência de compra. O que envolve essa nova fase da Loja 4.0? Inteligência artificial, facilidade nos pagamentos, engajamento do consumidor, mobilidade total, realidade aumentada e internet das coisas. Entenda no detalhe clicando aqui: Loja 4.0  

Para a loja de foto e impressão em pontos de venda, nada adianta se lojistas continuarem a vender pedaços de papel. Adicionar valor é fundamental e ter uma postura ativa. Não cabe mais investidor passivo nesse mercado. E dá para criar coisas muito bacanas como fotopresentes e serviços exclusivos. E afinal, a loja de foto tem futuro? tem sim, mas certamente não será nem um pouco parecido com o que a gente conhecia. Uma boa comparação ou analogia está no mercado dos barbeiros. Lembra como os barbeiros deixaram de existir? pois bem, surgiram inúmeras barbearias novas que estão se espalhando pelo Brasil. Oferecem serviços, conforto, conveniência (wifi, cerveja) e vendem itens de estética para homens. Um mercado em crescimento e que soube se renovar.

Quer exemplos de boas ideias de novos produtos, cases e serviços para a loja de foto? veja essas matérias abaixo:

O Fotopresente mais bacana que você verá hoje

A lembrança fotográfica mais bacana que você verá hoje 

Esse fotopresente da Fujifilm é bem engenhoso 

Separei também algumas matérias que mostram versões interessantes que tem ligação direta ou indireta com a loja de fotografia.

A venda experiência no estúdio – /negocios/mercado/192-crazy-factory-e-sua-fabrica-de-sessoes-fotograficas/

Um conceito de loja que não é de foto, mas é bacana – /negocios/industria/printi-inaugura-sua-primeira-loja-fisica-em-sao-paulo/

O modelo de sucesso da Fujifilm que vai bem na Europa, Estados Unidos e Ásia – /negocios/fujifilm-inaugura-nova-loja-wonder-photo-shop-na-espanha/

Um novo modelo de loja de foto – /negocios/um-novo-modelo-de-loja-de-foto-nos-estados-unidos/

Uma loja de foto europeia que apela aos fotopresentes e decoração –  /negocios/varejo/uma-loja-de-foto-premiada-na-europa/

Loja-estúdio que vai bem no Maranhão – /negocios/varejo/a-energia-da-fotografia-em-imperatriz/

A gráfica que atende no segmento em um dos melhores shoppings de São Paulo – /negocios/varejo/jet-printer-mais-uma-opcao-do-shopping-iguatemi/

A papelaria que atende na fotografia (vizinha da FHOX) – /negocios/varejo/de-foto-em-foto-para-encher-o-papo-da-papelaria/

Outra gráfica que atende com serviços fotográficos – /negocios/varejo/para-imprimir-ideias-e-recordacoes/

Rede que expande no nordeste – /negocios/varejo/foto-ideal-em-ritmo-de-expansao/

A experiência do mercado chinês – /blogs/a-fotografia-chinesa-esta-bombando/

A experiência fotográfica no continente africano – /blogs/africa-a-venda-de-experiencias-e-sonhos-na-pratica/

Aqui uma matéria do portal Administradores que também merece a leitura: O que será da loja a partir de agora?

Para completar trago aqui pesquisa da Fast Company da edição de dezembro do ano passado trouxe alguns dados importantes sobre o varejo como um todo nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Creio que tem indicações parecidas com as aflições do varejista brasileiro.

– A percepção de que existem lojas em excesso. Quando você acha que vê farmácias demais, Starbucks demais, padarias e afins, não é mera coincidência.

– As marcas que terão mais chance de sobreviver são aquelas que já trazem um perfil digital. Ou que já nascem com um pensamento claro de atuação nos dois ambientes.

– O metro quadrado mais rentável do varejo mundial continua sendo a Apple Store. 5546 dólares por m². O resto do varejo fatura em média 325 dólares por m².

– O mercado mais afetado no varejo com fechamento de lojas? em primeiro lugar disparado  (37%) são as lojas que vendem eletrônicos (aqui entram câmeras).

– As marcas de varejo norte-americano mais afetadas com fechamento de lojas e que são conhecidas no mercado. Sears (que tem estúdio), Game Stop (videogame) por conta da venda online e dos smartphones e JC Penney (loja de departamento que também tem estúdio).

Vender no Instagram. Uma das novas funções dentro da rede social.

– Os dois melhores canais para divulgar para os varejistas gringos hoje: email e Instagram.

– 2017 bateu recorde de fechamento de lojas desde 2008. Nos Estados Unidos mais de 6 mil lojas fecharam as portas. De tudo o que é tipo de negócio. Em 2016, esse número foi de 1674 (!).

>> FOTOGRAFAR 2018: O GRANDE ENCONTRO DA FOTOGRAFIA BRASILEIRA 

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