Varejo 4 anos atrás | Leo Saldanha

E a loja de fotografia?

O desabafo de uma congressista é sempre motivante. Serve para refletir e pede ação imediata de todos que atuam no varejo fotográfico

por Revista FHOX

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Essa perguntou ocorreu durante uma das palestras do Fhox On The Road no Recife. A congressista Francinalda Costa levantou e pediu a palavra. Ela pegou o microfone e fez um desabafo típico de quem tem paixão pelo o que faz. “Quero fazer um pedido ao Mozart Mesquita e ao Leo Saldanha da FHOX para que não esqueçam da loja de foto.” Ela disse ainda que os eventos precisavam olhar mais para temas do varejo e dos negócios com foto. Disse que a FHOX não pode esquecer das inúmeras lojas que vivem de gerar memórias. Francinalda complementa dizendo que eles investiram no negócio. Expandiram com estúdio e seguem acreditando na fotografia impressa.

Eu agradeci e fiz questão de conversar com ela depois das palestras.

A história dela e do irmão na fotografia é muito especial. Começaram ainda pequenos. O pai fundou a operação de fotografia. O fundador morreu, e então Francinalda e Francimario Costa tiveram que tocar a empresa e ajudar a família. São duas lojas: a Foto Ideal de Uiraúna na e a Foto Ideal de Cajazeiras, ambas na Paraíba. Eles tem estúdio, investiram ainda mais na empresa e me contaram que estão bem e trabalhando muito.

O relato deles é importante e me fez refletir. A loja de fotografia passou por muitas transformações e segue enfrentando desafios.

Destaquei alguns pontos sobre o segmento e o que a FHOX tem feito por ele.

  • No evento do Recife tivemos um encontro de lojistas e empreendedores da fotografia. Reunimos 20. Batizado de Café com Fotos, foi um café da manhã com temas relevantes sobre a transformação da indústria nesses últimos anos e o que vem por aí. Com patrocínio da Kodak Alaris e da Zyoncore. Iniciativa que devemos repetir em todos os eventos em que estivermos envolvidos. Parece que foi um sucesso.

  • A FHOX é a única publicação na América Latina que traz matérias sobre as lojas de fotografia. Sempre que recebemos sugestões da indústria e mesmo dos próprios donos de negócios.
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Executivos da Cewe. Uma das maiores operação de impressão de fotos do mundo. Entrevistados da última edição. A marca conta com mais de 150 lojas de foto na Europa.

São matérias que saem nas páginas da revista, em posts do site e nas redes sociais. Nesse ano tivemos uma capa específica só para falar da loja de fotografia (Photo Lovers da Fujifilm) e toda edição aborda o assunto.

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  • Criamos o Programa Amigas da Foto. Uma iniciativa de suporte para lojistas com patrocínio das principais marcas do ramo. Com campanhas voltadas para o calendário promocional e que ajudam muito tanto lojistas quanto estúdios de retratos.
Agora os destaques do ano para o segmento:

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  • A Canon merece destaque total pela iniciativas no ramo. Recentemente visitei a loja Rei das Câmeras no centro de São Paulo e vi todo o trabalho de suporte, treinamento e apoio ao fotoespecialista. A Canon do Brasil realizou ainda (duas semanas atrás) um belíssimo evento para 300 fotoespecialistas de toda parte do país. O terceiro Canon Day – Fotoespecialistas ocorreu no celebrando hotel Renaissence com direito a conteúdo especial, premiação dos grandes vendedores de câmeras Canon entre os fotoespecialistas e boas dicas da marca para quem estava lá.


O evento consolidou a atuação da marca frente ao varejo fotográfico e demonstra o comprometimento da marca com o mercado brasileiro. Um trabalho realizado com maestria pela equipe do marketing da Canon do Brasil, sobretudo na forte atuação no canal por parte de Andréa Amaral e Gillyan Silveira. Estão de parabéns!

@gillyansilveira no terceiro Canon Day – Fotoespecialista #fotografia #canon #fhox

Uma foto publicada por Fhox (@fhoxonline) em

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  • Primeiro a Fujifilm surpreendeu o mercado com as novas Wonder Photo Shop. Unidades foram abertas nos Estados Unidos, Colômbia, Espanha, Singapura e mais recentemente na Austrália. No Brasil, o conceito foi batizado de Photo Lovers e pode ser adaptado para cada negócio. Aqui a primeira loja foi no Shopping Morumbi com o Foto Paulo.

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A marca realizou ainda dois eventos exclusivos para lojistas. Um encontro durante a Feira Fotografar e outro em Salvador (outubro passado). A reação dos lojistas que conversei é muito positiva. Eles encaram a ideia de uma novidade com bons olhos, pois tinha muito tempo que nada ocorria para o varejo especializado.

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O acerto da Fujifilm está em um desenho de loja atraente e que pode ser customizado. Tudo puxado pelo sucesso da Instax, quiosques conectados, decoração com fotos e fotopresentes. Agora resta esperar pelas próximas Photo Lovers do Brasil. Uma ótima notícia para o varejo fotográfico como não se via em anos.

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  • Kodak Alaris – A marca apostou com força no avanço do app de impressão Kodak Moments. O destaque está na ousadia da marca. Afinal, trata-se de uma mudança e tanto de comportamento. Os consumidores estão com verdadeiros álbuns no bolsos. Estamos caminhando para 200 milhões de smartphones ativos. São milhões de câmeras e um potencial gigantesco de impressão.

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As pesquisas mais recentes indicam que 10% dos usuários de smartphone querem imprimir com frequência. Isso quer dizer que no momento temos 10 milhões de demanda latente? Mas calma, as pessoas imprimem menos fotos com smartphone. Ciente disso, a Kodak Alaris lançou nesse ano opções de fotopresentes e decoração com fotos a partir desses dispositivos.

O interessante é que a Kodak Alaris criou um novo recursos de rede social dentro do aplicativo tornando assim possível compartilhar fotos de forma mais privativa. Perfeito para familiares e amigos próximos. A marca também ouviu os lojistas e colocou mais opções de pagamento para receber os pedidos. Facilitar a vida dos consumidores e lojistas tem tudo para atrair mais fotos para a loja de foto.

Lá fora não param de surgir opções de apps de impressão. Muitos desses lançamentos somem na mesma velocidade que surgiram. Contudo, alguns cases são interessantes. Tanto aqui como de fora. Separei alguns links abaixo que abordam isso:

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Daqui do Brasil: Phosfato lança a assinatura de fotografias, em que o usuário recebe imagens surpresas em casa todo mês. Todo mês a startup envia pelo correio de 6 a 12 fotos sorteadas dessa base, conforme o plano assinado. “Desenvolvemos um algoritmo exclusivo para selecionar automaticamente as imagens e evitar fotos duplicadas, mesmo se o usuário postar de novo nas redes sociais, por exemplo”, explica Raphael Mendonça, que fundou a empresa em dezembro de 2015, junto com o sócio Rogério Augusto.

Lá fora: Polaroid. Por enquanto a novidade está disponível só no Reino Unido, mas o cardápio de produtos é variado com canecas, decoração com fotos e as fotos clássicas fotos Polaroid.

Para fechar, a fotografia impressa é sim um bom negócio. Basta olhar essas notícias:

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1 – A Amazon (maior varejista on-line do mundo) lançou um novo serviço de impressão de fotos, fotopresentes e photobook. Será que eles investiriam se fosse um ruim?

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2 – A Apple lançou as novas lojas Apple Stor. E veja só, a fotografia ganhou ainda mais destaque dentro do negócio. Agora eles estão contratando fotógrafos para atender os clientes. Com direito a workshops, exposições, venda de acessórios que ajudam na fotografia e até mostrando exemplos de decoração com fotos. A fotografia virou item estratégico para a Apple.

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3 – A Jessops do Reino Unido: o negócio faliu e voltou remodelado. A nova estratégia foi mais do que acertada, com enfoque em eventos, cursos e impressão a partir de smartphones. Vendem câmeras, mas só as mais sofisticadas (e vendem drones também!).

Agora, é óbvio que os desafios para as lojas de foto são imensos. Viver só de impressão de fotos pequenas é inviável. Quem vai bem diversificou e com isso acaba imprimindo mais. É o caso da Francinalda que usa o estúdio para puxar a impressão. O formato passivo de esperar o cliente na loja foi-se, faz muito tempo. O problema é que muitos lojistas (e também gente da indústria) segue com uma mentalidade de dirigir o negócio olhando o retrovisor. Assim fica impossível.

Ainda bem que tem gente que pensa de forma distinta. Caso da Seliane Trigueiro da Foto Pombal (de Pombal, PB). Ela tem loja de foto com venda de molduras (fabricadas pelo negócio). Contam ainda com laboratório, estúdio e enfocam ainda na venda de álbuns e fotopresentes. Vou terminar esse post com a frase dela, que acho que cai muito bem: “não acredito na tal crise que tanto se fala. Não paramos graças a Deus, mas também vamos na missa para agradecer”.

Ou como diria Max Levay que palestrou no FHOX Talks do Recife: Fé e foco!

ps – nos sites tipo páginas amarelas surpreende a quantidade de lojas de foto no Brasil. Os números variam entre as sites. Mas temos por volta de 5 mil lojas de foto por aqui. Boa parte delas com estúdio de retratos e outros serviços somados ao negócio.