Negócios 3 anos atrás | Leo Saldanha

Sou fotógrafo: o melhor e o pior da profissão

Entre debates sobre a regulamentação, entrada desenfreada de competidores e os rescaldos de uma crise sem precedentes, apostar nesse mercado pode ser uma ótima opção ou uma grande perda de tempo e dinheiro

por Revista FHOX

 

Não é algo exclusivo do Brasil. A profissão do fotógrafo é questionada e debatida em todas as partes do mundo. Como competir em um mercado sem barreira de entrada? Como se diferenciar da concorrência? Como combater preços abusivos e aventureiros? Como sentir alguma segurança com relação às mudanças tecnológicas que não param de avançar? Essas são apenas algumas das perguntas mais pertinentes tanto aqui como lá fora. Os debates em rodinhas digitais ou presenciais abordam o tema de forma polarizada (como tudo ultimamente). De um lado, aqueles que querem uma regulamentação que proteja o profissional e torne um pouco mais organizada a vida de quem quer trabalhar de forma séria. De outro, aqueles que são totalmente contra mais impostos, burocracias e requisitos tidos como duvidosos que só servirão para mais alguém (o Governo) faturar em cima.

A proposta estabelece que a profissão de fotógrafo seja exercida por diplomados em curso superior ou técnico e está pronta para ser votada em plenário. Dê sua opinião: http://bit.ly/PLC64_2014.

Posted by Senado Federal on Monday, March 5, 2018

 

Tantas visões distintas só comprovam o primeiro fato sobre ser fotógrafo hoje. Por ser um trabalho solo, acaba reforçando o estereotipo da desunião da classe. Nesse ponto muitos dirão: que classe? Enquanto outros dirão: a turma da minha cidade é bem unida. O sentido de classe unida aqui se refere a uma associação nacional ou órgão que desse suporte real e respaldo de várias formas. O dado oficial diz que temos 60 mil fotógrafos profissionais no Brasil. Os dados não extraoficiais dizem que é bem mais que o dobro do que esse número.

Jaiel Prado, fotógrafo brasileiro em destaque na divulgação da respeitada associação. Membro ativo de longa data com a esposa Simone Silvério.

Talvez um exemplo de como poderia ser melhor esteja nos Estados Unidos. A PPA (Professional Photographers of America) é uma associação com 150 anos (!). Uma entidade que suporta os membros com apoio jurídico, marketing, eventos e muito mais. Funciona? Parece que sim, pois já contam com 30 mil membros (muitos deles nem estão nos EUA). Embora a quantidade de fotógrafos naquele país seja bem maior que daqui. Nos Estados Unidos, os fotógrafos já começam a sofrer com Ubers de fotografia em grandes cidades.

Voltando ao tema do post. Queremos saber a sua opinião. A FHOX listou (com base em nossas pesquisas e conversas) o que há de difícil e as coisas boas em ser fotógrafo. Participe comentando, pois iremos atualizar a lista (com o devido crédito da sua mensagem).

O melhor da profissão:

– poder viver de bons momentos quando se trata de um trabalho em eventos sociais. Como casamentos, aniversários, batizados, partos e afins. É um ofício que normalmente usa a emoção como matéria-prima.

– não ter uma rotina tão definida e poder fazer a própria agenda. Ser o próprio chefe do seu negócio.

– poder muitas vezes viajar para trabalhos e ser contratado para coisas que nem imaginava por conta da indicação dos próprios clientes.

– ganhar a confiança de clientes e poder retratar famílias desde o casamento até nascimento dos filhos e outros eventos importantes.

– ter uma base fiel de clientes que te chamam todos os anos e sempre te indicam para amigos e parentes.

– poder trabalhar com criatividade e buscar referências e inspiração.

Foto: Kaique Rocha

– poder lidar e aproveitar das evoluções tecnológicas.

– ter acesso a canais de divulgação que ajudam no marketing. Como as redes sociais.

– ter acesso a uma enorme quantidade de informações on-line aqui e de fora.

– poder exercer a curiosidade, quebrar regras e testar novos produtos, técnicas e afins.

– ter acesso a eventos, cursos, congressos, feiras e encontros.

– poder faturar com um trabalho que muitas vezes oferece uma rentabilidade enorme se comparado com certas profissões. Muitos fotógrafos consolidados faturam entre 15 a 30 mil reais por mês.

– poder tratar fotos e dar uma assinatura visual de uma forma precisa. Criar um fluxo de trabalho que te ajuda nesse processo.

– contar com um fornecedor de impressão verdadeiramente parceiro.

– ver a quantidade de opções de produtos impressos personalizados que podem ser criados com fotos.

– poder cobrar só pelo serviço e depois vender álbuns e outros produtos de forma separada com ganhos ainda maiores.

– poder trabalhar com foto e vídeo ou vice-versa.

– poder testar novos mercados como drones, impressão em eventos.

– você passa a fotografar com o olho e “a ver” as coisas de uma forma completamente diferente.

– você se diverte, se movimenta. A rotina de um fotógrafo costuma ser bem atribulada e do tipo que não deixa ficar parado.

– poder mudar de segmento caso não esteja mais feliz com o mercado de atuação. Um fotógrafo de casamento pode virar fotógrafo de formatura, família e de tantas outras alternativas dentro do meio.

– fotografar só por prazer ou sentir prazer quando fotografar a trabalho. As oportunidades para cliques incríveis podem ocorrer nas férias, em viagens, em momentos de família. Etc.

– poder criar projetos autorais que irão te dar prazer e ajudar no seu trabalho profissional. Muitas vezes podem até virar um negócio.

– ser um fotógrafo em um momento que vivemos uma era de imagens. Sejam fotos ou vídeos. Os verdadeiros mestres dessa linguagem deveriam ser os fotógrafos profissionais.

– poder ensinar colegas e clientes finais. Seja para operar um equipamento ou até para dicas de tratamento, marketing, etc. O mercado de educação para fotógrafos e entusiastas segue repleto de oportunidades. Sobretudo para novos formatos.

– ter acesso a muitas opções para compra de equipamentos e em condições especiais. Ter opção de seguro mais variada no mercado e a possibilidade de obter opiniões de colegas em fóruns e nas redes sociais.

– contar com pequenas redes de contato entre fotógrafos e poder indicar e receber indicações de trabalhos.

– poder divulgar e criar ações de marketing de forma criativa com direito a parcerias digitais ou presenciais.

– poder faturar alto em um trabalho especial o que muitas vezes garante tranquilidade por um tempo.

 

E o pior da profissão:

– não ter fins de semana e nem hora certa para trabalhar. Pode ser um parto que surge na madrugada, as fotos que estão encalhadas esperando serem tratadas. Enfim, se perder na profissão é fácil.

– não ter chefe, mas ter que lidar com as cobranças dos clientes. Desde aqueles pidões ou aqueles que se esquecem de pagar ou que ficam pegando no pé.

– muitas vezes se sentir sobrecarregado com tantas tarefas que nada tem a ver com fotografia. Como processos financeiros, contatos, etc. 80% da rotina nada tem a ver com cliques.

– não ter garantias de uma carteira assinada.

 

– ter de desenvolver uma visão financeira e empreendedora. Lidar com questões contábeis e incertezas de ganhos.

– saber se adaptar as mudanças constantes na tecnologia tanto de captura, impressão e no marketing digital.

– ter que concorrer com guerra de preços e leilões que pioraram com as redes sociais e o comportamento digital do consumidor.

– lidar com custos fixos altos em caso de ter um estúdio físico. E lidar com objeções de clientes que prefeririam ser atendidos em um escritório ou estúdio. Ter um espaço físico representa custo fixo mensal.

– se perder na rotina por não saber lidar bem com o tempo livre.

– passar horas tratando fotos. E não confiar em ninguém para fazer o serviço. E quando confiar ter que arcar com esse custo. Gerando a preocupação de que terá que repassar os custos para o valor cobrado tornando ainda mais difícil argumentar contra descontos.

– ter que lidar com a troca de equipamentos, seguros e atualização constante de acessórios e afins.

– ter que lidar com a pressão da insegurança em sessões externas por conta de assaltos cada vez mais frequentes.

– ser copiado o tempo todo por colegas ou ser combatido na base do preço baixo nos leilões com clientes.

Foto: John Rodhes

– se perder na quantidade de redes sociais e novas estratégias de marketing digitais. Não saber o que fazer para atrair e manter clientes.

– não contar com uma renda fixa garantida no fim do mês.

– ter que se acostumar com a ideia de que terá que estudar para sempre. E que tudo o que você sabe hoje pode não servir para nada daqui dois anos.

Foto: Kaique Rocha

– ter que se acostumar com a ideia de que novos fotógrafos vão continuar entrando no mercado. E que você terá que batalhar para ser diferente, fazer valer seu preço e criar diferenciais em estilo, produtos e na experiência como um todo.

– entender que o preço na cobertura de serviços fotográficos para todas as áreas só vai cair. E que só poderá faturar mais aquele que entender que a venda de experiências (e não só o clique) é que vai fazer a diferença daqui para frente. Duvida? Leia essa matéria: O preço só vai cair. E o que você pode fazer sobre isso?

– ter o trabalho roubado, não ter o devido crédito nas fotos.

– ver os clientes “tacando” filtros no Instagram e não marcando e nem dando crédito nas redes sociais.

– ter que ser vendedor, marketing e multitarefa.

hyperallergic

 

 

>> FOTOGRAFAR 2018: O GRANDE ENCONTRO DA FOTOGRAFIA BRASILEIRA 

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