Negócios 1 ano atrás | Mozart Mesquita

Portugal: Saudades do Futuro

O sucesso atual de Portugal chama a atenção do Mundo. Para os brasileiros fica uma sensação do que ainda podemos vir a ser

por Revista FHOX

Visitar Portugal é um prazer e suscita fortes emoções. Parece que nossos patrícios finalmente chegaram ao futuro, um lugar que sempre esteve reservado a um país que eles colonizaram e que contrariando previsões e expectativas custa a chegar lá. Estar em Portugal causa essa estranheza de ver no espelho um pouco do que poderíamos ser. O país é a bola da vez na Europa. Lisboa é a cidade criativa do momento. Fácil entender o processo pelo qual Portugal passou. Um país
pequeno, com infraestrutura, lindo, com um dos melhores climas da Europa, uma culinária maravilhosa, barato comparado com outros países e não é um alvo provável do terrorismo. O que não é pouco nos dias de hoje.

Barcelona, Paris, Madri e Londres são apenas alguns exemplos de cidades que não podem desfrutar da mesma tranquilidade de Lisboa e Porto. Não à toa, ambas são presenças frequentes na lista das melhores cidades para se viver no mundo atualmente. Basta andar pelas ruas de Lisboa e Porto para notar brasileiros por todos os lados. Com o país em frangalhos, Portugal soa como a casa da avó, pequena, mas aconchegante, que te espera todo dia, com aquela comida maravilhosa de domingo. FHOX esteve em Portugal para a Assembleia Geral da TIPA, e aproveitou para checar a quantas anda o mercado local e visitar três laboratórios locais que confirmam o tino dessa nação em navegar e desbravar novos mares: Dreambooks, Floricolor e Koylab. Esteve também com alguns fotógrafos de destaque como João Carlos, residente em Lisboa, e Helder Couto, de Porto.

Existindo desde 1994, a Associação Portuguesa de Profissionais de Imagem, na origem se assemelha a Alasul no Brasil. Era uma entidade voltada para o varejo, que migrou para o fotógrafo profissional. A comparação para por aí, uma vez que diferente da associação brasileira, a APPI, está operando efetivamente. Organiza o principal evento do país a Expofoto, vive um momento de renovação com a chegada de novos segmentos, como o newborn por exemplo. “O mercado subiu
muito, há mais exigência. O cliente português é vaidoso. Casar aqui é cultural, tradicional e com muito bom gosto. Isso é bom por que puxou para cima o nível profissional de todos os envolvidos”, conta Helder Couto, um dos principais fotógrafos de casamento do país, atuante no região do Porto e presidente da entidade.

Outro membro da Associação, o novaiorquino João Carlos, residente em Lisboa, fotógrafo de moda, publicidade e portrait, enxerga muita disputa e diversificação no mercado local, principalmente pelo surgimento do newborn e da fotografia de família. Para ele há uma dificuldade de posicionar preço no valor correto, pelo menos na sua área, “os valores caíram muito”, explica João que tem 20 anos de carreira e é um case de sucesso junto as marcas da indústria fotográfica, sendo embaixador de nada menos do que sete delas: Westcoat, Hasselblad, Koylab, Fuji X, Sandisk, G-Technology e 3 Legged Thing.

O aspecto dos laboratórios profissionais é peculiar em Portugal. As três principais operações ficam no norte do país e remetem ao espírito desbravador dos navegadores portugueses. Koylab em Braga, Floricolor em Porto e Dreambooks, na cidade de Marco de Canaveses, distrito de Porto, chamam a atenção por várias razões. A primeira, para nós brasileiros é que duas delas já se aventuraram por aqui. Floricolor, que nesse momento suspendeu sua operação no Brasil e Dreambooks, que tem um processo fabril em Hortolândia, interior de São Paulo e inclusive expôs na
última Feira Fotografar.

A Koylab ainda não tentou, embora seu dirigente, Pedro Reigoto, já tenha acompanhado um dos seus embaixadores que palestrou na Fotografar 2014, o fotografo holandês, Hank Van Kooten. O fato é que os principais encadernadores e labs pro brasileiros têm as empresas portuguesas no radar. Mantêm relação, costumam visitar e sabem que a investida portuguesa no mercado brasileiro trouxe reflexos, por exemplo, na questão dos prazos de entrega. Entretanto,
as três empresas, exploram mercados além dos oceanos, cada uma com seu recorte de áreas e zonas de interesse, mas sempre dentro de um conceito de operação global. Floricolor, claramente está nesse momento mais bem posicionada no que tange ao seu parque fabril de ponta. Seu posicionamento é uma boutique de produtos nobres com pensamento de escala. Dreambooks, está com seu parque produtivo no limite e já está em obras para uma expansão para um prédio vizinho.

Sua operação é mais diversificada, já que além da impressão dos álbuns, distribui produtos de diferentes marcas da indústria fotográfica, principalmente na Península Ibérica. Já a Koylab, cujo proprietário é irmão do fundador da Floricolor, mantém uma operação focada na produção de álbuns de boutique, numa escala talvez um pouco menor do que suas duas concorrentes, mas com uma atenção especial num atendimento diferenciado. Uma curiosidade é a predominância na opção pelo
papel fotográfico nas três operações, embora a Floricolor tenha o sistema Indigo HP. E a força da Fuji, que fornece aos três labs. Kodak Alaris, inexiste por lá. Três operações bonitas de conhecer, que refletem um momento muito especial de um país pequeno em tamanho e imenso em simpatia e que, pelo menos no que tange a fotografia, tem enorme espírito empreendedor. Operações que serão detalhadas uma a uma, nas próximas edições da FHOX e em seus canais on-line. Não perca.