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Photokina e a necessidade da transformação dos eventos de fotografia

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A Photokina é uma feira de fotografia que ocorria a cada dois anos em Colônia na Alemanha. A FHOX já esteve inúmeras vezes no evento e até tours tivemos por lá. Nos últimos 10 anos (com as transformações do mundo da imagem) a feira parecia não conseguir acompanhar os avanços e ajustes do setor. Algo que inclusive é citado no comunicado oficial da Koelnmesse (organizadora do evento). De acordo com a empresa:

As condições estruturais da indústria não fornecem uma base viável para a feira líder internacional de fotografia, vídeo e imagem. Este corte complexo após uma história compartilhada de 70 anos foi muito difícil para nós. É muito doloroso testemunharmos a tendência deste setor, com o qual sempre tivemos uma parceria estreita e de confiança. Mas estamos enfrentando a situação com uma decisão clara e honesta contra a continuação deste evento, uma decisão para a qual, infelizmente, não temos alternativa”. 

File:2016 Photokina - Nikon - by 2eight - DSC6709.jpg - Wikimedia Commons

 

Sim, a Photokina é uma feira com 70 anos de história e um legado incrível. O que ocorreu na fotografia nos últimos 10 anos (com a chegada do iPhone e das redes sociais em massa) parece ter sido um golpe ainda mais forte no conceito do evento. A grande pergunta que fica é: o que isso nos indica em relação ao eventos presenciais de fotografia daqui e de fora? Primeiro, essa é uma visão muito pessoal de alguém que já foi em muitos congressos e feiras do Brasil e internacionais. Aliás, alguém que organiza eventos incluindo a Fotografar, que é o maior evento de imagem da América Latina. Sim, a pandemia impactou fortemente a todos e o mercado de eventos foi duramente afetado. Contudo, vemos nos últimos meses um vislumbre de como pode ser daqui para frente. A CCXP, grande evento da cultura pop, esse ano terá uma edição online e que certamente estará conectada com a próxima iniciativa presencial que eles fizerem. Esse ano grátis mas também com opção paga que dá uma série de benefícios, atividades extras e descontos para o ingresso do encontro de 2021. Aqui entra o ponto importante: será híbrido. Parece certo dizer que todos os eventos, feiras e afins terão que ter uma oferta combinada do online com o presencial. E não, isso não quer dizer só transmitir as palestras ao vivo. Será de vivências e trocas que vão acontecer de formas distintas para cada público. O fato é que o “estar presente” vai pedir algo muito mais interessante. De poder tocar, testar e participar de uma forma mais completa e divertida. O exemplo da Boat Show que aconteceu recentemente em São Paulo ilustra isso. Historicamente a feira de lanchas e barcos e iates ocorria em um centro de exposições. Esse ano foi na raia olímpica da USP com direito a visitar os barcos e testar com especialistas. O evento também foi online. 

Na Raia da USP, São Paulo Boat Show chega à 23ª edição entre os dias 19 e 24 de novembro

File:Photokina 2012, Leica Galerie.jpg - Wikimedia Commons

O dilema da Photokina foi ter se amarrado em um perfil clássico sem ousar com a nova fase da fotografia. De aproveitar as redes sociais, smartphones e seus criadores de conteúdo junto com o universo da foto e do vídeo. Vale dizer que agora a The Photography Show é o grande evento de fotografia europeu. A feira inglesa fechou em 2014 porque tinha um modelo engessado como o da Photokina, mas em nova fase soube se reposicionar e agora segue com força. Aliás, em 2020 a feira e congresso online ocorreu e foi bem recebida. Importante frisar também que a Photokina no fundo, apresenta o mesmo quadro que vimos por aqui com a PhotoImage Brazil. Um evento que não soube se adequar ao novo tamanho do mercado. A PhotoBrazil foi cometendo sucessivos erros: cobrança de ingresso sem justificativa; mesclar setores incompatíveis como áudio automotivo ou casa conectada; oferta de espaços gratuitos e falta de um Congresso Educacional relevante.

It's your last chance to register for The Photography Show – here's how to do it | TechRadar

File:Photokina 2012, Zeiss.jpg - Wikimedia Commons

O modelo congresso + feira se espalhou também no Brasil. Mais de congressos do que de feiras diga-se de passagem. Agora com a pandemia esse formato está em pausa. Embora tenham ocorrido uma ou outra iniciativa pontual também na fotografia. Até sair a vacina e novos protocolos para eventos estejam incorporados e promovam as iniciativas com segurança (nada de novo em relação ao começo dos impactos da Covid-19). Enquanto isso também vimos congressos online ocorrendo por aqui. Com experiências distintas e propostas mais ou menos parecidas. O que me chamou a atenção é que boa parte delas sem tratar do momento com mais profundidade e sem tratar do futuro ou pelo menos especular com responsabilidade. Precisamos olhar o momento com honestidade e pensar que o ano que vem pode ser melhor, mas certamente não será como era antes. Ninguém sabe como será exatamente, mas os indícios mostram oportunidades em formatos personalistas, com conteúdo de verdade e entregas efetivas. O fato é que a pandemia “resetou” esse setor de eventos de fotografia tanto aqui quanto lá fora. O que não é algo ruim. O lado ruim é que por enquanto os eventos seguem sem opção de acontecer nos moldes que aconteciam antes. Outro desafio: palestras com conteúdos de 2019 ou antes fazem sentido? Falar de casamentos, aniversários e todo o resto da fotografia profissional faz sentido? É aí que entra a oportunidade de reposicionamento. Sendo assim me parece claro que as palestras do tipo “veja meu trabalho”  farão cada vez menos sucesso. Não teremos mais isso, mas até elas (e os palestrantes) terão que se reinventar entregando novas propostas de conteúdo que sejam úteis e oportunos já levando em conta essa nova fase que estamos vivendo. 

Family Summit: evento online grátis que faz parte da nova fase da Fotografar

 

A Fotografar 2021 seguirá nessa linha do que foi descrito acima e será diferente justamente com a vantagem de ocorrer em um parque (o mais fotografado da América Latina no Instagram). Com possibilidades de formato e caminhos de experiências que serão necessários para oferecer ao visitante uma vivência diferenciada. Misturando conteúdo, fotografia, técnica e inspiração. Tudo híbrido (ou seja, online e presencial). Também contando com eventos online (já fizemos dois e vem o terceiro e o quarto) propositivos e olhando para o momento (o que funcionava antes não necessariamente seguirá relevante) e debatendo sobre caminhos para o futuro. Olhar o momento ciente dos desafios e sem se esquivar das transformações. No fim a palavra dos eventos para 2021 não será reinvenção. Será sobre adaptação e utilidade.