Negócios 1 ano atrás | Fabio Rebouças

O que vale mais, o seu trabalho ou o seu preço?

Assunto indispensável na atualidade, pois quase que para todas as áreas corporativas, inclusive para o mercado da fotografia, só nos resta saber a opinião dos nossos colegas; O que vale mais, o preço que você aplica, ou os valores reais pelo trabalho executado?

por Revista FHOX

Afinal, o que são valores, senão aquilo que podemos cobrar pelo nosso trabalho?

Trabalho nada mais é do que tudo aquilo que temos de habilidades para desenvolver e vender, seja em forma de produto, prestação de serviço ou mão de obra. Também podemos definir como o tempo que você vende aos outros, para executar uma determinada tarefa da qual você está apto à exerce-la. 

O ponto principal dessa nossa conversa está definitivamente no conceito entre maior valor ou menor valor. Percebam que de fato não estamos nos referindo necessariamente ao preço cobrado, estamos falando sobre o que você tem de valor para ofertar.

As recentes mudanças no mercado fotográfico nos trouxeram um panorama para lá de preocupante em relação as ofertas de prestações de serviços de fotografia e percebam que nem dá mais para definir nichos específicos para essa condição. Notamos uma completa desvalorização de tempo, de espaço e de mão de obra profissional em praticamente todas as áreas de atuação do nosso mercado. Parece-nos uma constante ler em grupos e perfis de redes sociais que a grande preocupação do momento é a tal “agenda cheia”, sem se importar de fato com os custos, quer sejam eles de depreciação de equipamentos, quer sejam com os gastos primários e secundários de deslocamento, estadias, etc. Que dirá os mais perigosos de todos os riscos, o desgaste humano e a banalização da qualificação daquele profissional. Seria isso por conta da falta de conhecimento de mercado ou por uma má educação financeira?

Acreditamos que sim, mas diríamos que o grande problema da má educação financeira está em como as promessas de sucesso, riqueza e agenda cheia estão sendo colocadas na internet. 

O mundo digital foi desenvolvido para atrair nossa atenção, especialmente nas redes sociais, onde podemos ter a sensação de que uma participação engajada pode influenciar a vida das pessoas, o que chamamos de “valor social”e que na verdade não passa de uma grande estratégia de marketing construída para aproximar carentes, gerando ainda mais carência e dependência, através de uma pseudo-autoridade construída por métodos e conselhos genéricos do mercado da autoajuda, ambiente perfeito para os aproveitadores e suas falácias. 

Pois bem, na fotografia isso existe também e especificamente ouvimos muito falar sobre a tal inversão de risco, que é uma prática de negócios onde o risco da execução deixa de pertencer ao cliente e passa a pertencer ao profissional, supostamente gerando maior garantia para o comprador. Mas, quais seriam então os riscos disso? Em primeiro lugar, a inadimplência, depois, poderíamos relacionar outros problemas como desgaste humano, técnico, de equipamentos. Poderíamos também pensar na duração efetiva da aplicação da inversão de risco. O assunto é longo e complexo e certamente seria interessante abordarmos num próximo artigo, espero que sim rs… Porém, notamos que o maior de todos os males da aplicação de modalidades genéricas de venda, está justamente na desvalorização do profissional que acaba sendo incentivado a deixar de lado tudo aquilo que ele faz de melhor, por conta da necessidade de replicar uma tendência perigosa ensinada e amplamente reproduzida pela grande massa. Fatidicamente isso faz com que o profissional acabe se esquecendo de sua identidade e de seu real valor naquilo que ele pode oferecer de melhor no seu trabalho, a sua criatividade.

Por mais métodos que possam existir, ainda assim, o mais eficaz de todos eles é ser genuíno, é buscar aquilo que existe de melhor dentro de você e condiciona-lo ao seu trabalho. Pode levar mais tempo, pode te obrigar a raciocinar mais, a exercitar mais o seu pensamento e a sua criatividade, pode também fazer você reviver experiências do passado, porém ele fará você construir uma personalidade profissional muito forte e muito bem definida, de modo que as pessoas olhem para o seu trabalho e o reconheça, dispensando apresentações.

E como chegar lá? 

Nós elegemos modelos, essas referências aumentam o nosso repertório de conhecimento, à medida em que vamos buscando e trazendo para dentro de nós tudo aquilo que vimos e vivemos durante toda nossa história de vida. Também buscamos e trazemos conhecimento das coisas e pessoas que admiramos. A junção disso, se percebida com muita cautela e exercício criativo, alinhada ao conhecimento técnico, certamente potencializará o valor de um trabalho, fazendo que o profissional seja mais reconhecido pelo que tem e não pelo quanto cobra, podendo assim transformar a fotografia em um mercado não somente mais competitivo, mas também em um ambiente mais justo e ético.

Não repliquem métodos genéricos, não se desgastem mais que o necessário, afinal o nosso trabalho exige tempo, reflexão, estudo, dedicação e muita, mas muita criatividade. Não acreditem em falsas promessas, por mais doces que elas possam ser, como dizia Nelson Rodrigues, “Mintam, mas mintam por misericórdia”, porque diante de tanto marketing moral que quer nos fazer acreditar que estamos mais evoluídos do que nunca, estamos mesmo é iludidos e fadados às mentiras da vaidade.

Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP).