Negócios 1 mês atrás | Leo Saldanha

O poder do grátis

Melhor do que o baratinho e tão poderoso quanto o preço justo. Dar mimos é uma verdadeira ferramenta de marketing da generosidade

por Revista FHOX
Foto: Business Insider

“É melhor dar de graça do que começar cobrando errado!”. Em tantos anos de mercado não ouvi uma ou duas vezes essa afirmação e concordo com ela. O grátis é forte sob diversos aspectos e os exemplos do nosso e de outros mercados comprovam isso.

Você chega na padaria e o atendente te mima com um docinho ou um pão de queijo. Ele quer dizer: veja como é bom e você não vai se arrepender.

– No Starbucks perdi a conta de vezes que vi o time de baristas servindo amostras de novos produtos. O colaborador leva em uma bandeja os pedacinhos de um novo doce ou algo do gênero. Ele quer dizer: veja essa novidade que fizemos. Prove e veja se não vale a pena.

– No supermercado o grátis domina em ações de marcas de um pouco de tudo. Eles querem mostrar: prove, conheça e não se arrependa.

– Na ótica você “ganha” a caixa dos óculos ou o paninho é um spray de limpeza. Aqui a ideia é o inverso. Compre e ganhe um presentinho. 

– Nas concessionárias você “ganha” tapetes e opcionais. O convencimento na compra de um produto tão importante quanto um carro envolve presentes mais caros. Até o IPVA entra no jogo. 

Na fotografia desde os primeiros estúdios europeus a ideia de receber algo sempre esteve presente. Você ganhava no mínimo uma experiência. A fotografia era algo tão novo que no século XIX a sessão fotográfica que tomava tempo e era trabalhosa era um chamariz. A clientela pagava pela foto em uma peça especial e o retratado ganhava justamente toda aquela vivência única. 

Hoje o grátis são fotos extras no pacote vendido. São lâminas a mais no álbum. São mais horas na festa ou uma gravação exclusiva com drone que não estava inclusa. É o álbum menor a mais para dar para os pais dos noivos. 

O gratuito não é uma estratégia simples. A “pegadinha” é não fazer conta ou entregar em excesso e desvalorizar a oferta e seu negócio. “De graça até luz de flash na fuça”. Só que não é bem assim. Os mimos são uma forma de atrair, seduzir, manter e premiar. Gaste mais comigo e te dou essa foto para decorar a parede. 

O poder do grátis é efetivo se pensado com calma e de forma planejada. Pois se você exagerar vai destruir o valor da marca. “Eu vou esperar para ver o que ele vai me dar”. E quando a gente vê o mercado está viciado nas benesses mais surreais. 

Um estúdio com espaço de cenários temáticos que dão direito a um clique degustação ou faça sua festa aqui. Pague o ensaio e ganhe um mini-evento grátis.

Uma loja com aulas grátis de fotografia para os clientes mais especiais.

A empresa de foto de formatura que premia determinados formando com um fotopresente. 

A indústria que leva câmeras instantâneas para dar fotos na hora de presente em um evento importante. Ou em um parque, restaurante ou estádio. 

Grátis é uma palavra clássica do apelo do marketing tão forte quanto desconto, novo ou promoção imperdível. Parece indicar generosidade e serve aos clientes mais recentes ou aqueles que gastam mais. Depende da sua estratégia. Aliás, qual é seu plano mesmo? 

No livro freemium Chris Anderson mostrou cases de empresas que tinha clara proposta grátis. Caso do Yahoo com Flickr dando armazenamento grátis é ganhando com os clientes que pagam para ter espaço extra. 

Uber antes se chamava UberCab e dava descontaços para clientes que indicavam passageiros. Até hoje eles fazem isso. O grátis com efeito boca a boca. Dropbox, Google e Amazon Prime também tem ofertas similares. Netflix ficou famosa por “dar” 30 dias de graça. Agora parece que vão rever a oferta. 

Fotógrafos experientes e negócios de foto astutos presenteiam com parcimônia. Não dá para gerar gratuidade para determinadas coisas. Você não dá um álbum de casamento. Você não dá uma cobertura completa de uma festa infantil. Um item extra sim. Um slideshow. Algum mimo de decoração. Depende da criatividade. 

Melhor do que dar um descontinho é presentear. O primeiro é concessão e o segundo cortesia. Na era digital é melhor usar o grátis do que vender preço desesperado. A diferença entre as duas coisas é gritante: na definição do grátis a relação direta é benevolência, franqueza. Aquilo que é gracioso leva ao lucrativo. 

Barato é módico, comum e Acessivel. Logo muito barato é banal e mal-arranjado. 

Então sim, o grátis é mais poderoso do que o baratinho. É generosidade e recompensa para um cliente que ficará muito grato. 

Anúncio de fotógrafo de aniversário grátis. Esse não é o caminho

Não, não quer dizer que você vai trabalhar de graça. Quer dizer o contrário: que você vai cobrar muito bem (dentro do possível) para poder brindar quem realmente merece. E de quem estamos falando? De quem pagar bem.

Se precisar de ajuda e orientação conte com o R.U.M.O. da Escola de Negócios Fhox. E assim comece 2020 com o marketing no rumo certo!