News 1 mês atrás | Leo Saldanha

O poder do boca a boca parte 3: concurso de Chaplins, fadas em fotos e o valor do insólito no processo da indicação

Até os fakes não são mais tão interessantes como antigamente, mas podemos tirar lições do poder do boca a boca em duas histórias inacreditáveis que envolvem fotografias...

por Revista FHOX

Um post recente na rede social me chamou a atenção. A foto era essa…

“Charlie Chaplin Look-Alike Contest” by J. W. Sandison, November 5, 1921
“Charlie Chaplin Look-Alike Contest” by J. W. Sandison, November 5, 1921

A ideia de que Charlie Chaplin perdeu em um concurso de imitadores de Chaplin é sensacional e inesperada. E aí? você acha que é verdade ou não? E se eu te falar de fadas em fotos. Você acreditaria vendo uma fotografia mostrando crianças próximas de fadinhas? São fotos bem antigas de 1917 e eu lembrei de gnomos e coisas do tipo. Nesse caso, parece óbvio que são fakes. Quando foram publicadas, essas imagens eram 100% analógicas em uma época sem possibilidade de checagem, com bem do básico quanto ao acesso à informação. O que quero dizer é que as pessoas acreditavam naquilo…foi assim que ocorreu…

A photograph of Frances 'Alice' Griffiths taken by her cousin Elsie 'Iris' Wright. Photo by SSPL/Getty Images.

Mais de 100 anos atrás duas meninas inglesas foram ao jardim e então clicaram as fadas. Depois levaram a câmera para o pai dizendo que tinham retratado os seres mágicos. O pai não acreditou mesmo revelando as fotos e notando que tinha algo lá. A mãe das meninas acreditou e ficou do lado das meninas. Pausa para uma observação: basta olhar para as fotos para ver que foi uma pegadinha das crianças. Com figuras recortadas e encenadas pelas meninas. O fato é que o pai levou as imagens para serem analisadas por um grupo de estudiosos. Parte deles acreditando que eram verídicas. Um dos membros inclusive começou uma campanha para provar que as meninas falavam a verdade e até fizeram para repassar o acontecido. Foi parar na mídia e bombou…

 

Foi só em 1983 que as moças assumiram que eram fakes para os jornais ingleses. A história ia e voltava nos canais de notícias do mundo todo. Quer melhor boca a boca do que esse?

A photograph of Elsie Wright taken by Frances Griffiths using Elsie's father Arthur's Midg quarter-plate camera. Photo by SSPL/Getty Images.

A photograph of Elsie 'Iris' Wright, taken by Frances 'Alice' Griffiths. Photo by SSPL/Getty Images.

 

Voltando ao concurso de Chaplin. Não existe consenso. Parece que Chaplin pode ou não ter participado do tal concurso que ocorreu faz uns 100 anos (na mesma época das meninas). As matérias mostram checagem é inconclusiva. Talvez você queira pesquisar mais e se achar algo me diga. Ou seja, parece fake, mas pode ser que o lendário comediante tenha de fato participado da competição de sósias dele. O importante aqui é a fotografia publicada em um jornal inglês que reforça a desconfiança. Sem foto não tem como divulgar. 

How Charlie Chaplin Failed

Mais de um século depois, eu vi essa fotografia em um post no Facebook. Quando a repercussão dura décadas é realmente incrível. O importante aqui é que segue reforçando a aura de um personagem tão marcante que mal não faz para a marca de Charlie Chaplin. Da mesma forma quanto as meninas, provavelmente a crença das meninas era de que a história era boa. E era mesmo. 

Qual a relação entre as duas coisas? talvez nenhuma. Ou quem sabe seja um pequeno estudo sobre o poder das histórias bem contadas. E mais: que tal olharmos para a participação de Chaplin com outro prisma? Ele participou porque fazia sucesso e era um astro. E se ele tivesse  achado a ideia muito divertida? provocativa? Primeiro porque ele poderia passar despercebido no meio de tantos imitadores. Aqui cabe o ponto que gostaria de ressaltar: um comediante que marcou a história do cinema e da cultura pop decide entrar em um concurso inspirado nele. Ele perde e fica em terceiro. A piada do século gerou mídia como já destaquei acima e na verdade virou uma espécie de lenda urbana. Ele participou ou não? eu não sei mas segue rendendo…prova disso é que eu vi essa postagem na semana passada. Quem sabe tenha sido uma notícia plantada (pelo comediante ou um grande fã) e ninguém poderia imaginar que duraria tanto tempo. Repercute como uma ideia curiosa. O poder do inusitado. Isso me remete a uma outra situação insólita. Uma foto de Bresson que foi postada anos atrás em um grupo do Flickr até que o usuário avisou que era do mestre do momento decisivo. 

Henri Cartier-Bresson: Essa foto postada em um grupo em 2006 foi detonada. Depois com a assinatura mudou de figura…

Se Chaplin fosse reconhecido (caso estivesse de fato no concurso) ele seria aceito? Qual o valor da percepção e da assinatura de uma marca famosa para gerar o boca a boca? Certamente a fama conta muito. Hoje muito se fala da síndrome do impostor de um lado e do “finja até dar certo” do outro. Na minha visão é melhor pecar por fazer e aprender no processo. Somos todos impostores e autênticos dependendo da situação ou ponto de vista. As meninas da fadas e o Chaplin no concurso provam isso. 

A photograph of Elsie Wright taken by Frances Griffiths using Elsie's father Arthur's Midg quarter-plate camera. Photo by SSPL/Getty Images.

No caso das fotos das fadas, o desfecho é surpreendente. No começo de 2019 as fotografias das fadas e as adolescentes foram leiloadas por mais de 90 mil dólares! O que comprova esse poder do boca a boca de um história que se estendeu por décadas até virar uma relíquia falsa de uma “pegadinha fotográfica” fascinante e valiosa. O caminho para algo “bombar” ou ser falado não segue um manual, embora traga itens frequentes. Como ousadia, criatividade, alguma malandragem (tanto no concurso do Chaplin quanto nas fotos de fadas vemos isso) e muita cara de pau. Quem não gosta de aparecer ou ver seu trabalho “ser comentado” terá dificuldade com o marketing e por consequência com a indicação.. O que não quer dizer que você tem que inventar uma história ou ser fake. Pois os dois casos aqui são extremos e a forma que encontrei para você parar, olhar e pensar. O que você pode fazer não precisa ser assim. Longe disso. Só não espere gerar indicação sem fazer nada. Essa sim seria uma história sem graça de contar…

PS – Eu tinha prometido que a parte 3 seria sobre os detalhes e a foco na pessoa que vai comprar. Prometo que no próximo (e último) abordo sobre isso. 

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