Mercado 3 anos atrás | Redação

Newborn conta com indústria própria e apresenta contornos promissores

Em seis anos a fotografia de recém-nascido saiu de um nicho para se tornar um mercado aquecido. 

por Revista FHOX

Frase jargão no meio é dizer que esse mercado deixou de ser recém-nascido, pois engatinha. Os três milhões de crianças que nascem anualmente no País indicam um segmento muito maior do que formaturas e casamentos juntos. Contudo, não existe um dado exato de quantos fotógrafos, a maioria mulheres, atuam aí. O número conhecido é que há 18 mil fotógrafas com home studio. De acordo com levantamento de FHOX, são nove mil mulheres no Facebook que se dizem fotógrafas de recém-nascidos no Brasil. Outro indicador é a quantidade de congressos, workshops, cursos on-line oferecidos.

newborn-5Laura Marengo

No último Congresso Fotografar um dos debates mais quentes foi o da Superquarta, com o tema “Fotografia de família no divã”. Iatã Cannabrava e Claudio Feijó provocaram a plateia com a proposta: “Temos de tirar a fotografia newborn da caixa”, na tentativa de estimular a reflexão de novas práticas. E houve reações da plateia, como a da fotógrafa que destacou a importância do cuidado e da segurança: “A caixa tem seu valor.”

Outro ponto questionado durante o debate foi o termo newborn. “Por que não usar fotografia de recém-nascido?”, perguntou Cannabrava. Julgamentos à parte, a comparação de nomenclaturas mostra que a palavra em inglês está consolidada aqui e em outros países. Basta ver no Instagram a hashtag #fotografiaderecemnascidos conta com mais de oito mil marcações, enquanto #fotografianewborn soma 34 mil menções.

newborn-3Karim Scharf

O interesse pode ser medido também pelas empresas que surgiram para atender o mercado. Várias fotógrafas newborn criaram empresas por conta das dificuldades que encontraram na carreira. Foi assim com Kamille Raupp, da Bebê Naná. “Minha mãe fazia os acessórios para mim e minhas alunas queriam comprá-los. Assim surgiu um negócio, pois os produtos importados são mais complicados de comprar”, diz ela, que aproveitou o forte interesse por workshops e criou um espaço na empresa para fotógrafas ministrarem seus cursos em São Paulo.

Dani Bertolucci também faz parte do time das empresárias. “Eu queria fundos fotográficos que fossem práticos e acabei desenvolvendo um produto que me atendia e também os fotógrafos newborn, porque são leves, não amassam e podem ser guardados dobrados. Na primeira Fotografar que participei a pergunta mais frequente era: ‘O que é isso?’. Em 2016, a pergunta era: ‘Qual é a medida do fundo?’. Modéstia à parte, foi uma pequena revolução no mercado.”

newborn-2Karim Scharf

Patricia Salvi, da Love Prop, reforça que o mercado cresceu tanto que atraiu outros profissionais como artesãos, costureiras. “Vemos pessoas da saúde dando cursos sobre fisiologia, técnicas de manejo com o bebê. Enfim, um novo mercado que vem puxa outras economias”, diz ela. Danilo Macedo, da Lefotick, crê que esse mercado não é tão conhecido fora das regiões Sul e Sudeste. “Em muitas localidades, a fotografia newborn é pouco conhecida. Estamos há alguns anos no mercado e acompanhamos sua trajetória, é uma alegria ver quanto ela se desenvolveu”, diz.

As grandes marcas também passaram a olhar para o newborn: Metalnox e Colorkit lançaram linhas completas e exclusivas para atender as fotógrafas; Kodak Alaris focou no papel fotográfico; e Digipix orientou esforços para decoração com fotos, fotolivros e outros itens. “Houve uma aceleração na demanda por produtos específicos para este segmento a partir de 2014 e, desde então, o mercado se desenvolveu bastante, tanto do lado dos fotógrafos que buscam criar seus próprios estilos para fotografar os bebês, quanto do lado dos fornecedores. Nesse segmento, o registro impresso em formato de álbum ou livro é importante como em qualquer outro, mas as possibilidades para comercializar ampliações, itens de decoração e fotopresentes são bastante destacadas”, diz Manoela Giacomini, da Digipix.

A fotógrafa Keila Fernandes, com o marido Thiago Brandão, criou a Fofurices e Props para atender uma demanda que ela enfrentava dificuldades na importação. Ela nota que o marketing das fotógrafas da área mostra-se mais afiado. “Elas têm aprendido a se promover e merecidamente, tanto que hoje diversos congressos incluíram a fotografia newborn.”

newborn-1William Esposito

Em alguns casos, a assinatura de grife ajuda a chancelar o produto. É o caso de Paloma Schell, de Florianópolis (leia “Especial” desta edição), que tem um trabalho desejado por clientes de alta renda. Na sua linha de produtos (que fez sucesso na última Fotografar), um suporte para sessão newborn no valor de dois mil reais.

Outra grife nacional é Simone Silvério que, além de fotografar bebês e famílias, preside a Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN). Ela comenta a conjuntura: “Hoje não está fácil para ninguém, estamos enfrentando uma crise e fotografia não é item imprescindível no orçamento doméstico. Estou fazendo menos ensaios do que há dois anos e isto acontece com a maioria dos fotógrafos de recém-nascidos”.

Ainda assim, ela nota uma recuperação lenta nesse tipo de ensaio e um aprimoramento na parte educacional. “Estamos chegando muito próximo das americanas, canadenses e australianas e, em breve, nos tornaremos referência global. Ainda precisamos desenvolver nossa identidade própria, brasileira”, observa. Entre seus desafios, ela quer tornar a ABFRN mais visível para os pais e lançar novidades na sua fotografia newborn e de família.

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