Mercado 2 semanas atrás | Flávio A. Priori

Primeiros passos na fotografia newborn

O que é necessário saber e investir para começar no segmento?

por Revista FHOX

A fotografia newborn encanta muitas pessoas e é um segmento que pode trazer um bom retorno, se bem trabalhada e estudada. Ao mesmo tempo, ela demanda uma atenção especial a detalhes como, por exemplo, um espaço adequado, equipamentos e props que não incomodem o bebê. Afinal, antes de qualquer coisa, o fotógrafo precisa ter em mente que está lidando com crianças
recém-nascidas.

Assim, é normal que surjam dúvidas sobre como iniciar no segmento e da maneira correta. De acordo Daniela Margotto, uma das fundadoras da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN), quando o fotógrafo decide seguir na carreira newborn, a primeira coisa a ser feita é procurar um curso específico.

Hoje já existem várias opções, tanto presenciais como on-line. “Tendo o curso, a pessoa consegue se direcionar e ter noção do que ela precisa investir para fazer o mínimo, é a principal porta de entrada”, afirma Daniela.

newbornDaniela Margotto

ESTÚDIO PRÓPRIO: TER OU NÃO TER?

Ter um estúdio próprio é a melhor opção? Ou começar compartilhando um espaço é uma aposta mais segura? Para a fotógrafa não há uma resposta certeira, depende muito de organização. Ela começou com um estúdio próprio, mas ressalta que tudo aconteceu em outra época, com menos concorrência. Hoje há um número maior de profissionais no mercado, cerca de 8 mil, apenas no Brasil.

“As duas opções são válidas, se você conseguir dividir um estúdio ou alugar um espaço já preparado diminui custos, por exemplo. Quando comecei, eu fiz um planejamento e isso foi essencial, assim eu sabia o que fazia sentido para mim”, explica.

Outro ponto importante na hora de começar, independente do ramo, é fazer o mundo conhecer o seu trabalho. Nesse aspecto parcerias são muito importantes para iniciantes newborn. Lojas de quartos de bebês, roupas de gestantes, tudo que envolve esse universo do recém-nascido é válido. Uma união bem feita só irá gerar bons resultados para ambos os lados.

Daniela Margotto

NA PRÁTICA

As questões técnicas são um tópico importante, mas que dependendo das preferências do fotógrafo também podem variar. Uma delas é a iluminação. Trabalhar com luz natural ou de estúdio são opções viáveis, pois é possível ter bons resultados com ambas.

Quando o trabalho é feito na casa dos clientes, controlar a luz passa a ser um pouco mais difícil, pois o fotógrafo não possui, muitas vezes, familiaridade com o ambiente. Isso também prejudica quando o assunto é a temperatura ideal para o recém-nascido, que precisa estar em torno de 30ºC, de acordo com a ABFRN.

Por outro lado, algumas famílias preferem essa opção por diversos motivos, como, por exemplo, restrições médicas. Para quem está começando essa talvez não seja a alternativa ideal, mas é uma possibilidade que deve ser considerada.

Algo que sempre ajuda é ter um assistente para auxiliar nas fotos. Há vários fotógrafos que conseguem fazer todo o trabalho sozinho, mas ter alguém para auxiliar nos ensaios sempre é um bom negócio. Mesmo que seja o pai ou a mãe da criança. Isso deixa o fotógrafo mais solto para pensar nas fotos.

Sobre a câmera ideal para fotografar newborn, Daniela diz que não há marcas ou modelos específicos, pois o que faz a diferença é a lente que o fotógrafo vai usar. “Você tem que oferecer qualidade para o cliente. Eu gosto muito de 50mm para fotografar bebês e a 100mm para fotos macro”.

Aline Fontes

 

Quanto a acessórios, é preciso ter algumas peças básicas, como mantas, puffs, cestinhas e outros apetrechos para posicionar a criança. Uma boa ideia é pegar peças neutras, que possam ser usadas tanto para meninos e meninas. Elizabete Cândida Franco Santos, proprietária do Atêlier Betty Props, de São Paulo (SP), está há dois anos no mercado. Para ela, que trabalha principalmente com roupas, as peças básicas para os ensaios devem incluir headband, toucas avulsas, wraps (aquelas mantinhas que envolvem os bebês) e sonequinhas, que são pequenas calças.

“Os fotógrafos têm que observar se o tecido das roupas tem elasticidade e se os elásticos estão adequados para não marcar o corpo dos bebês, que é muito sensível. O acabamento das peças também é muito importante para ter uma boa durabilidade”, explica a empresária. Em sua loja, Elizabete comenta que as peças mais populares atualmente são vestidinhos e bodys de renda.

Já para Renê Bueno de Andrade, da Renê Bueno Newborn, de São Paulo (SP), geralmente iniciantes gostam de wraps e toucas, pois são mais fáceis de vestir nos bebês. “São roupinhas que
não apresentam tanta dificuldade para colocar”, comenta Andrade, que trabalha no segmento há
três anos. “É importante verificar se o produto é maleável o suficiente para não incomodar a criança”, segundo ele, que também ressalta ser preciso checar se os materiais são antialérgicos.