Mercado 3 meses atrás | Leo Saldanha

Por onde anda o dinheiro na fotografia brasileira?

Em sua edição especial 200, FHOX celebra exemplos alinhados à sua missão: viver bem da fotografia

por Revista FHOX

Fotógrafos costumam dizer que quem realmente ganha dinheiro com fotografia são as encadernadoras e a indústria. Quando questionados, os donos de laboratórios, de estúdios e lojistas dizem que quem fatura mesmo é a indústria, os fabricantes de equipamentos e afins. Entretanto, organizadores de eventos de fotografia também entraram para este seleto grupo. E mais, são eles que ajudam nesse faturamento.

Já para os integrantes da indústria, quem ganha dinheiro mesmo com fotografia é o Brasil. Na verdade, os impostos (logo, o governo). Nesse ponto, empresários de foto de formatura, cabines e donos de loja e labs pro também concordam. Os organizadores de eventos (como a FHOX) sabem que a realidade dos congressos, encontros e workshops é bem distinta do que muita gente imagina (sobretudo o que imaginam os fotógrafos). Na prática, eventos custam muito caro e rendem pouco, e possuem enormes riscos.

Custoso também é fabricar papéis e câmeras no Brasil e manter o papel de indústria fotográfica, seja para transportar ou distribuir. E nem chegamos no marketing. Em tempos de crise estendida, o cenário é ainda mais desafiador.

O fato é que tirando a piadinha de que “fotografia não dá dinheiro, quem dá dinheiro é pai”, tem gente sim ganhando bem com fotografia no País.

Mas qual é a indicação de sucesso financeiro? Mais eventos, mais vendas de álbuns e/ou liderança em câmeras? A resposta não é tão simples quanto parece. Vender mais nem sempre é melhor. Nos tempos áureos das vendas de câmeras digitais compactas, não era incomum ver marcas líderes disputando um mercado deficitário. Ou seja, vendiam bem em unidades e sentiam o resultado negativo na ponta. Às vezes vender mais atrapalha.

A mudança de mercado aponta uma transformação gritante. Quando a Nikon deixa de ser segunda colocada em resultados de vendas (não em número de unidades) perdendo para a Sony nas mirrorless, fica evidente a resposta dessa nova dinâmica de quem está ganhando dinheiro com fotografia. A Sony acertou na aposta em equipamentos premium com alto valor adicionado. Tanto aqui quanto lá fora. Da mesma forma, existem fotógrafos ganhando bem com menos sessões e mais valor adicionado. Cobram mais e trabalham menos. Ou o contrário, vendem mais sessões e fazem mais eventos ganhando bem. Mas sofrem com a falta de tempo e cansaço.

No ambiente das encadernadoras a situação é mais enigmática. Com o acirramento da competição, algumas se destacaram e outras perderam o rumo. De um lado a fusão Digipix/Indimagem que avança com a nova fase de mais pontos de atendimento pelo Brasil. Já a Goimage indica um crescimento sustentável. Ao contrário do que parece, o laboratório que mudou de sede (para um espaço expandido no ano passado) cresceu na base do reinvestimento.

Sony do Brasil
Kenichiro Hibi, presidente da Sony do Brasil. A marca assumiu a liderança em full-frame em vários mercados.

 

“Nós estamos reinvestindo na empresa com foco claro em crescimento sustentável”, afirmou Cristian Oliveira, um dos donos da Goimage. Frase que ele já repetiu várias vezes, tanto no momento do anúncio da nova sede quanto hoje, quando a empresa expande operações em várias partes do Brasil.

Uma boa notícia para o mercado e que indica essa nova fase de amadurecimento do ramo em alto nível foi o anúncio oficial da Premiere se juntando à Viacolor. Duas empresas com reconhecida qualidade (consideradas duas das melhores encadernadoras do país). “Em breve teremos outras grandes novidades” disse Elisa Soares da Viacolor. Essa movimentação mostra-se um caminho possível que já tinha sido trilhado pela Digipix e abre espaço para mais cases com o mesmo perfil. A questão que fica: será que veremos mais encadernadoras grandes, médias ou de pequeno porte unindo forças? Tudo indica que sim.

Por outro lado, ainda existem operações de laboratórios profissionais surgindo com novas marcas. Novas empresas que apostam em um mercado bem competitivo. E muitas vezes atuando na busca por fotógrafos de várias áreas de forma rudimentar. Resta saber como isso ficará daqui para frente?

O MARKETING NA CRISE

A transformação do negócio pede agilidade. Veja o exemplo do Leão Studio, dos donos Flávio e Leila Leão, que atua desde 2004 em São Paulo com fotografia de crianças, gestantes, newborn e famílias. Hoje, eles apostam forte em marketing para melhorar a abordagem com os clientes e usam recursos e ferramentas digitais disponíveis no mercado. Inclusive, encontramos o casal no RD Summit, que aconteceu em junho deste ano.

Segundo Flávio, até cinco anos atrás, era comum os consumidores irem ao estúdio. “Agora com a internet, é tudo online. Mandam e-mail e querem saber de tudo. Dessa conversa já vão para o WhatsApp. Outras vezes, o contato já começa no WhatsApp”, diz.

Vendo essa alteração na forma de comprar, o Leão Studio adquiriu um sistema de relacionamento com consumidor (CRM). “Agora nossa estratégia para eventos está toda voltada para atendimento online”, relata Leila.

Para o estúdio físico, eles seguem com as parcerias. Estimulando a inversão de risco, deixam vou chers para fotos cortesia em seus parceiros físicos. Assim, o prospect aparece no estúdio para ganhar uma foto e isso gera a chance da venda de ensaio completo. “Tem dado um resultado bacana, vendendo fotos, quadros. Vemos que o segmento evento está um pouco diferente de estúdio. Pelo menos aqui na forma de captação. Em comparativos numéricos, 2018 caiu em relação a 2017. Mas mesmo 2018 foi um ano bom. Fizemos 90 festas e também um número bom de ensaios” afirmam.

Arquivo Pessoal
“Nossa estratégia para eventos está toda voltada para atendimento online” Leila Leão, do Leão Studio

 

Agora para 2019, com uma estratégia focada em ensaios, o fotógrafo percebe uma crescente nessa categoria. Eles já tinham feito 45 festas em 2019. “Como o pessoal tem deixado para fechar em cima da hora, acreditamos que será um número parecido com o do ano passado. O mais importante, porém, é que nossos ensaios estão crescendo e essa é a nossa estratégia atual”.

E a pergunta mais importante: estão ganhando dinheiro com fotografia? Eles respondem que sim, mas afirmam ainda não ser o ideal. “Faturamos bem. E acreditamos que vai ser uma curva ascendente. Principalmente porque a economia sempre cresce no segundo semestre”, afirma Flávio, que percebeu um ânimo maior nos parceiros em 2019. Quanto aos colegas, ele os enxerga em dois tipos: aqueles que estão mal e querem desistir e aqueles que estão bem.

No conceito das lojas de fotografia a mudança dos últimos 10 anos reconfigurou toda a forma de vender e atuar. Mas veja o exemplo da Photo Bril, de Osasco. O negócio de família com dois ponto naquela cidade dividiu as operações. Os pais ficaram com uma loja e Tiago Godoy ficou com outra.
Empolgado com as possibilidades de fotopresentes e estúdio, ele busca renovação na empresa. Participou recentemente de uma turma da Escola de Negócios FHOX e deixou claro algumas questões.

Primeiro, o consumidor final perdeu, de fato, a referência do preço da foto impressa no varejo. Ele cobra quase R$ 4 por uma 10 por 15. Vende fotopresentes e está em busca de produtos com alto valor adicionado. De um momento mais apertado financeiramente, ele passou para uma nova fase de motivação. Acredita que poderá crescer a loja, mudando o posicionamento tanto no digital quanto no ponto físico. Com ideias como apps e diversificar a oferta de sessão na loja, o problema agora é o espaço. Algo que vai pedir uma renovação completa.

Curioso é que a alteração vai passar pelo site também. Quem acertou os negócios no varejo conseguindo melhorar o faturamento e crescer de fato foram os irmãos Sombra, Rafael e Daniel. Eles são a terceira geração tocando a empresa com seis lojas em São Luís (MA), renovaram o conceito de loja de foto em uma aposta acertada e com diversificação em várias frentes: decoração com fotos, ambiente reformulado e moderno.

Sofisticaram os fotopresentes e combinaram os esforços de ataque, tanto no site quanto no ponto de venda. Algo que pede treinamento, esforço de divulgação on-line e um cardápio atraente. Não que não vendam clássicos como o 10 X 15 ou a caneca com foto. A diferença é que agora agregam design e apelo para mães e jovens.

A marca trabalhou forte na decoração com fotos em um dos pontos de venda, transformando a loja numa espécie de galeria. Em outro ponto combinou cosméticos de uma marca famosa com fotografia. De um lado as impressões e de outro os produtos de estética.

Outra iniciativa recente foi a de abordar o fotoclube local para ações conjuntas que possam futuramente atrair compradores de fotos impressas. A aposta de diversificação em frentes como decoração e a inclusão de cosméticos surtiu efeito na ponta. E, com isso, o aumento do faturamento. “Essa ressignificação do negócio da loja de foto é desafiadora. Mas estamos empolgados com as possibilidades”, afirmou Rafael Sombra.

QUEM GANHA DINHEIRO COM FORMATURAS?

Em formaturas não é diferente. Nos últimos anos ocorreu uma mudança forte e parece que nem os próprios empresários do mercado notaram. Agora todos os formandos tem uma câmera no bolso. E não é só isso. Há, ainda, a possibilidade de fazer lives, postar stories e criar conteúdos em tempo real. O que isso tem a ver com os empresários? Tudo. Já que o alvo desse setor sempre será o jovem e ele está cada vez mais conectado. Isso é ameaça na ponta para quem vende álbuns? Sim e não. Quem faz o estilo “mais do mesmo” cai no lugar comum e acaba apelando para o preço, o que gera desvalorização no mercado.

E valor ao impresso esses jovens dão. Basta notar. Uma pesquisa recente, que envolveu a ESPM São Paulo encomendada pela Ás Formaturas, mostrou que 60% dos formandos (e não os pais) querem e fazem questão de fotos impressas dessa conquista. As empresas mudaram o conceito e não só abraçaram todas as possibilidades de personalização com fotos (do álbum ao display em tamanho real dos formandos) como também o vídeo, transmissão de lives, drones e realidade aumentada. Um mercado que vai crescer três ou quatro vezes de tamanho em poucos anos e que atraiu fotógrafos de outras áreas, como os de casamento.

JOZZU
Diretoria da ABEFORM após a eleição no 10º Fórum de Empresas de Formatura

 

O nível das fotos, que era muito questionável, evoluiu. Agora tem o desafio de mudar a forma de vender. O que antes era certeza de faturamento com mais margem (venda no risco) virou dúvida. Hoje vemos mais e mais empresários trabalhando formatos distintos com venda antecipada e mudando a forma de abordagem.

O surgimento da ABEFORM (Associação de Empresas de Formatura), ajudou no sentido de que as empresas associadas representam faturamento de mais de 285 milhões de reais por ano. E nem representa a totalidade dos associados, já que os valores montam a 66% dos pesquisados.

Além desse faturamento poderoso, juntas as associadas ABEFORM empregam mais de 1.000 funcionários, 6.500 trabalhadores indiretos e atendem mais de 120 mil formandos ano. Segundo a própria associação, se todos tivessem respondido o faturamento total seria o dobro, atendendo quase 200 mil formandos em mais de 5 mil eventos por ano. São números imponentes de quem fatura de verdade com fotografia, movimenta o setor com impressão, é responsável pela criação de empregos diretos e indiretos e proporciona memórias para milhares de formandos pelo Brasil.

COMO VAI FICAR O MERCADO DAQUI PARA FRENTE?

Está claro o surgimento de um novo formato de negócio, com proposta variada e totalmente inovadora. Caso da Meero, startup francesa que é uma espécie de Uber da fotografia. O anúncio da empresa de que vai entrar em fotografia de casamento é um risco e, ao mesmo tempo, oportunidade.

De um lado, fotógrafos poderão se cadastrar para pegar trabalhos e fazer serviços variados. Desde fotos de imóveis até comida para aplicativos como Uber Eats ou casas para Airbnb. Na era da Social Photo a fotografia é líquida e feita em tempo real. Os produtos impressos seguem com seu valor, mesmo nessa mudança de comportamento. A fotografia para redes sociais feita só com smartphones é uma forma de linguagem, mas se tornou uma moeda. Prova disso é que consumidores comuns podem participar de concursos de fotografia grátis e faturar com a venda de fotos, ou ganhando concursos rápidos. O modelo novo também ocorre nos negócios de impressão para o consumidor final.

Basta olhar o caso da Phosfato, empresa digital de Curitiba que cresceu como novo conceito de impressão por assinatura. O negócio antes contava com os dois empreendedores e hoje está com vários funcionários, equipamentos próprios de impressão (minilabs) e base de assinantes em franca expansão. A nova sede em Curitiba chega com o anúncio de um aplicativo. A Phosfato prova que existe potencial para novas formas de atrair e manter clientes finais que querem imprimir e ganhar dinheiro com fotografia impressa a partir do público Instagram: o jovem, que presta atenção em qualidade e design, não quer gastar muito e espera o melhor produto e serviço.

Divulgação
Phosfato é um dos cases de mercado que só faz crescer na fotografia

 

O caso da indústria é até mais emblemático, principalmente sobre a relevância e busca por se reinventar. E várias marcas estão tentando fazer isso de forma efetiva no mercado. A Fujifilm é um exemplo dessa tentativa, transformando um negócio focado em filmes fotográficos para se tornar uma empresa global centrada em inovação. A fotografia é parte, mas não representa o todo. A fabricante investiu em saúde, áreas gráficas e mesmo na foto soube evoluir. Prova disso é o conceito da Wonder Photo Shop. Já são mais de 116 pelo mundo e crescendo em um formato que nada lembra as lojas de fotografia de antigamente.

A Fujifilm também investiu nas mirrorless, nas câmeras Instax, quiosques e equipamentos de impressão. Não esqueceu do passado, pois relançou filme fotográfico recentemente e, na parte das câmeras instantâneas, surpreendeu com Instax híbridas que são ao mesmo tempo digitais e analógicas.

A Digipix, depois da fusão com a Indimagem, também avançou com a integração das plataformas para que os clientes possam circular por ambas opções. Na parte voltada para os consumidores finais lançou recentemente o D.book para Android. Um app para gerar álbum com recursos de inteligência artificial em uma parceria com uma empresa asiática.

Divulgação
Meero: do ano passado para cá, mais de 20 mil fotógrafos foram cadastrados. A nova etapa vai envolver fotografia de casamento

 

Na prática, os consumidores conseguem criar álbuns na base de um toque de dedo e com sugestão automática de álbum. A Canon, por sua vez, lançou um produto (câmera de ação) em um site de financiamento coletivo, tanto para ajudar a levantar verba quanto como marketing. Uma estratégia inusitada que deveria ser aplaudida. Afinal, representa a nova fase da fotografia usando as ferramentas disponíveis no ambiente digital.

Isso vem provando que quem também ganha com fotografia são marcas que usam a imagem (foto e vídeo) para gerar demanda e venda de seus produtos. São os casos da Apple, Facebook, Huawei, Google e Adobe. Empresas 100% digitais, porém híbridas. Cada uma delas usa a fotografia não de forma direta, mas indireta para faturar.

BASTA NOTAR O EXEMPLO DO GOOGLE

Um app como o Google Photos permite armazenar fotos sem custo e com qualidade sem limite de dados (desde que no tamanho definido por eles). Nos Estados Unidos e Europa, além do aplicativo que funciona com inteligência artificial, o usuário pode fazer pedidos de fotos impressas e photobooks. No caso do Google, a fotografia digital e impressa gera resultados diretos.

Some a isso os recentes modelos de smartphone da linha Pixel (chegando em sua terceira edição) e você tem um poderoso sistema que envolve hardware e software, tudo integrado pela nuvem. No caso do Facebook a fotografia é uma moeda corrente junto com os vídeos. Isso vale para o Instagram, WhatsApp e o próprio Facebook. O Stories, que está integrado em todos esses canais tem fotos e vídeos aos milhões. Todos os dias descarregados ali de forma constante.

O Facebook atua de forma distinta do Google, ou seja, sem integração com um hardware próprio. O que ele quer, na verdade, é garantir que as pessoas fiquem em seus produtos e descarreguem suas fotos o tempo todo. Por que criar um álbum se posso te lembrar todos os dias daquela fotografia de cinco anos atrás? A integração entre Facebook, Instagram e WhatsApp foi feita ó para deixar as pessoas mais tempo dentro da plataforma com uma linha comum de interface.

Prova disso é que em breve poderemos responder nossas conversas em qualquer uma das redes sociais da marca da mesma maneira. Já a Apple e todos os fabricantes de smartphone tem na fotografia e no vídeo um diferencial de vendas. Com direito a propaganda em horário nobre para falar do modo retrato ou do vídeo 4K, a Huawei faz barulho com quiosques em shoppings e trade in de modelos antigos para tentar vender aparelhos com 50x de zoom e lente Leica.

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A FOTOGRAFIA AQUI É O PRIMORDIAL

A Adobe também fez da fotografia e vídeo moeda corrente. Os usuários se transformaram de compradores de software em assinantes. A estimativa é de que sejam entre 15 e 20 milhões de assinaturas da Adobe CC pelo mundo. Boa parte delas (senão a maior) são de fotógrafos e videomakers. Em todos esses exemplos a fotografia é a moeda que serve para atrair. Mas todas têm algo em comum: não vivem da fotografia, mas de resolver um problema para quem fotografa ou filma.

Enquanto isso, as opiniões de quem trabalha com fotografia são distintas. Cesar Cruz, fotógrafo de São Paulo (SP), disse em entrevista à FHOX que quem fatura mesmo são “os falsos profetas da fotografia”, pois vendem sonhos, segredos e fórmulas mágicas através de cursos milagrosos que prometem “encher a agenda” e ganhar “20 vezes mais”.

Segundo ele, a fotografia não tem segredo e nem fórmula mágica. Para faturar mais, o caminho indicado é direto: estudar duro! “Entenda de luz, enquadramento, composição, pós-produção e tudo mais que envolve fotografia”, conta. Cruz falou ainda sobre a importância da identidade fotográfica, de colocar a personalidade nas fotos e de ser um profissional completo e tornar-se um fotógrafo empresário.

Não foram poucos os que falaram de colegas que estão faturando com o ensino da fotografia ou do negócio de ganhar dinheiro com fotos. Não é algo novo. O que ocorre agora é a disponibilidade da internet o tempo todo e conteúdo acessível na palma da mão. São muitos os fotógrafos de todas as partes do Brasil oferecendo cursos e consultoria. E tudo via on-line. Quem entra no Facebook sabe disso, pois é bombardeado com posts patrocinados de fotógrafos(as) que ensinam a ganhar dinheiro com aniversários, etc.

O fato é que se existe oferta é porque provavelmente a demanda é grande. E é mesmo. Basta notar que o número de pessoas que se dizem fotógrafos no Facebook não parou de crescer. Aliás, acelerou nos últimos cinco anos. Hoje, um milhão de brasileiros se dizem fotógrafos, seja na base do bico (informalidade) ou prestes a tornar a carreira trabalho em tempo integral em breve. Daí surge a necessidade de converter a paixão em negócio.

dinheiroDivulgação
Wonder Photo Shop: dezenas de lojas estão espalhadas pelo mundo

Luana Braga, fotógrafa de famílias e newborn de São Paulo (SP) disse à FHOX que os fotógrafos devem parar de reclamar. “Servir ao cliente de verdade e acreditar na diferença que o seu trabalho faz na vida do cliente. Ou seja, ter propósito. Trabalhar muito, entregar sempre mais e parar de encher o saco. Basicamente é o que funciona aqui”, afirmou.

André Helwig Gross, do Ateliê Fotos, atua com estúdio para famílias e crianças em Porto Alegre (RS). Segundo ele, para faturar mais o negócio é se reinventar sempre. Ainda mais quando se trata de uma loja de foto com estúdio, como no caso dele. “Impressão e revelação de foto é quase supérfluo. Os eventos chegaram no seu limite podendo melhorar se a economia também avançar. Enfim, continuar acreditando no seu estilo de trabalho e sempre inovando”, diz ele.

Ser importante na vida das pessoas é não esquecer do lado humano. Da importância do atendimento em todas as fases. Uma pesquisa recente da PwC feita em diversos países (inclusive no Brasil) mostrou que 83% das pessoas entrevistadas (de uma amostra de 15 mil pessoas) deixariam de comprar de novo de uma marca ou qualquer negócio se fossem mal atendidos. E no caso da fotografia, a oferta em quase todas as áreas é enorme. Logo, atender bem, ainda mais em tempos de tudo na base do WhatsApp, parece desafiador.

“Direto ao ponto, fatura quem não perde o lado humano da coisa. Não automatiza atendimento e entrega mais que promete”, afirma Cizinho Rodrigues, fotógrafo de gestantes, crianças e famílias de Fortaleza (CE).

Depois de uma reformulação e nova abordagem de negócios, Silas Abreu, fotógrafo de moda em Caxias do Sul (RS), obteve resultado recorde de faturamento no último mês de maio. “Fiz dois trabalhos de e-commerce. Em um cobrei 15 mil reais e fechei três contratos de eventos. E cobro caro, mas dou um mega desconto para pagamento à vista. Fechei dois casamentos e um evento de 15 anos.

O cliente sempre espera pagar à vista para poder receber o super desconto. É uma estratégia minha de marketing”,conta o fotografo. Trabalhando na estratégia de ancoragem de preço, Abreu definiu um valor alto para ter margem de negociação. Sem problemas para falar de números, ele conta que faturou naquele mês quase 70 mil reais. Considerando trabalhos comerciais, casamento, gestante e 15 anos.

O que ele considera importante nesse sucesso tem a ver com a estratégia de atender poucos clientes de alto valor. Algo que as grifes fazem. Com 15 eventos sociais e outros 15 de moda ele consegue um faturamento anual bem alto. Conta que o fato de ser fotógrafo de moda ajuda muito em casamentos. Em seu portfólio acumula trabalhos em Paris, Nova Iorque e Califórnia. “Isso faz com que as noivas tenham uma boa visão sobre mim”, diz Abreu. De olho no mercado educacional, ele criou um workshop on-line batizado de Os dez elementos da fotografia de moda. “Ensino os fotógrafos a levarem os diferenciais da moda para a fotografia de eventos”.

Outro case de sucesso é o Vitamina V, curso dos irmãos Gustavo e Eduardo Vanassi. Com mais de 100 mil fotógrafos atendidos, eles trazem a percepção de quem realmente movimenta o mercado de educação. Mas ao contrário do que muitos imaginam, não trabalham apenas a motivação (na verdade motivam os colegas a venderem) e os cases recentes apresentados por eles com depoimentos de fotógrafos de todas as partes do Brasil (de experientes a entrantes) mostra resultados inquestionáveis. Fotógrafos à beira da falência que viraram o jogo e de fato “encheram a agenda” em um mês.

Com a missão de ensinar a vender e trabalhar, o Vitamina V vem fazendo a diferença na vida e no faturamento de muitos fotógrafos pelo Brasil. Segundo Gustavo Vanassi, dá para ganhar dinheiro sim com fotografia de verdade.

“A gente está aqui como prova viva disso. De que com esforço e foco bem definido dá sim para fazer uma trajetória super bacana. E, assim, ter a fotografia como uma fonte de renda séria. A história da minha família começou mais de 40 anos atrás com estúdio fotográfico e lá a gente aprendeu tudo o que a gente ensina. Com a barriga no balcão atendendo os clientes de maneira honesta, contínua e aprendendo a vender, aprendemos que a vida do empresário de fotografia é muito mais do que fotografar”, explica.

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Com todo esse aprendizado, os irmãos desenvolveram metodologias e perceberam que elas funcionam no dia a dia, sejam em lojas e lugares diferentes ou mesmo nos negócios paralelos de fotografia. “E foi curioso porque vimos que muitos fotógrafos não sabiam aplicar e nem conheciam essas técnicas. E muitos nem sabiam que elas existiam. Achavam que era só fotografar. Foi a partir dessa visão que o mercado estava bem coberto na parte de ensino de técnica de fotografar, mas não de gestão e negócios e empreendedorismo. Assim levantamos as práticas que mais funcionam, mais eficientes e que a maior parte dos fotógrafos não tinha conhecimento. Foi daí que juntamos tudo em um método prático que chamamos de Vitamina V”, conta.

Hoje o Vitamina V é o principal produto de educação no mercado na América Latina e o que mais tem resultados. E para os irmãos é uma alegria muito grande ver seus alunos no Brasil e no mundo. “Temos clientes em mais de 20 países aplicando as metodologias que foram aprendidas e desenvolvidas aqui no Brasil. E estão dando resultado no mundo inteiro. Porque as pessoas usam foto no mundo inteiro. A foto sensibiliza a parte emocional e é maravilhoso ver o resultado incrível nesses alunos. Para nós é um orgulho muito grande ver que nossos alunos podem aplicar o que a gente ensina e que conseguem ganhar a vida com a fotografia”.

Foram muitos anos de trabalho. Tanto Gustavo quanto o irmão trabalharam mais de 20 anos na empresa da família desenvolvendo tudo o que levam para o Vitamina V. E hoje fazem um trabalho muito forte em conscientizar as pessoas de que é possível sim viver da fotografia. E ganhar bem com ela.

“Mostramos de forma muito leal aquilo que deu certo para a gente. Sem esconder o jogo. Isso é um diferencial do Vitamina V, a gente abre todo jogo. Pois a gente acredita em um ideal que nosso pai
passou para nós. E esse ideal é algo que nós compartilhamos muito no Fotologia, podcast e site, que é nosso projeto gratuito e no Vitamina V. Seja nas Lives, Instagram e podcast, YouTube. E todo conteúdo grátis tem muita coisa bacana. Nosso pai nos ensinou que se você quer fazer a diferença tem que ensinar os outros a trabalhar”.