Negócios 1 ano atrás | Leo Saldanha

Kodak e seus dilemas

Três dos principais sites de fotografia dos Estados Unidos compartilharam nessa semana sobre um vídeo que destaca o declínio da fabricante

por Revista FHOX

Petapixel, Dpreview e Fstoppers são sites com milhões de visualizações e mundialmente conhecidos. Os três publicaram nessa semana um vídeo da Man Company que traz um estudo de caso sobre o declínio da Kodak. A publicação esmiúça os erros e acertos, mas sobretudo tenta responder à questão: onde foi que a Kodak errou? Publicado no último dia 13 de junho, o vídeo do YouTube foi visto por mais de 100 mil pessoas.

O fato é que esse post é só um de muitos que foram publicados desde 2012 quando a empresa pediu concordata. O que quase nenhum dos três famosos sites diz (e nem o vídeo) é que a empresa segue operando em duas frentes. Após anunciar a concordata a marca se separou virando Kodak (Eastman) e operando com área gráfica e a Kodak Alaris que produz filmes, quiosques, impressoras e papel fotográfico. De lá para cá, a transformação seguiu seu curso e as duas empresas atuam globalmente em eventos, lançamentos e afins. Claro, de forma muito mais tímida do que antes. Inegável é que a Kodak criou a fotografia comercial como a conhecemos. Inovou em produtos, pesquisa e desenvolvimento e no incentivo à cultura da fotografia (com campanhas de marketing que fizeram história). Hoje se vemos Road Shows e congressos por aqui e lá fora, isso se deve sobretudo a criação do fundador da Kodak (George Eastman) no começo do século 20 (lembrando que a Kodak tem 130 anos de história).

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Nos anos 1970 a Kodak chegou a ter 120 mil funcionários no mundo e vendia milhões de rolos de filmes e câmeras por ano (entre 1963 e 1970 vendeu 50 milhões de câmeras Instamatic). Era uma das marcas mais valiosas do mundo. Um destaque recorrente no “case” da Kodak é mostrar o paradoxo fotográfico mais marcante na história da marca. Pois a empresa criou a câmera digital, mas o projeto foi engavetado e acabou se voltando contra a fabricante. Hoje a marca enfrenta outro dilema: de um lado tem toda a força de um histórico e um legado na fotografia. Um logo totalmente associado a fotografia e com apelo mundial. Mas por outro lado enfrenta (nos últimos 6 anos) uma forte síndrome de ter virado case de insucesso. Prova disso é a frequente citação da Kodak como referência de erro na transformação digital. Algo amplamente divulgado em matérias de publicações de negócio do mundo todo, ou em palestras e cursos de negócios.

O desafio deve persistir até a Kodak (e suas ramificações) lançar algo inovador ou retomar o posto de referência na fotografia. Tentativas aparecem, prova disso é que no começo do ano a marca surpreendeu com o lançamento de uma criptomoeda e uma plataforma de fotografia com tecnologia blockchain. E mais recentemente quando anunciou as primeiras amostras do novo filme do Ektachrome. No fim, quem vive da fotografia espera que a Kodak vire o jogo e retome o papel de protagonismo no mercado fotográfico. Ou como próprio George Eastman costumava dizer: o que é bom para a fotografia é bom para a Kodak.

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