Indústria 2 anos atrás | Leo Saldanha

O estado da indústria fotográfica em 2018 (Parte 1)

Fujifilm, Canon, Konica Minolta e Sony. As quatro gigantes japonesas tem algo em comum: vão bem na fotografia justamente porque diversificaram e se modernizaram em outras áreas

por Revista FHOX

A nova série de matérias da FHOX trará uma visão completa das fabricantes e marcas que movimentam o mercado fotográfico brasileiro e internacional. A velha frase jargão  você não deve colocar todos os ovos na mesma cesta pode ser batida, mas segue fazendo todo o sentido. Basta olhar o exemplo de quatro marcas reconhecidas do ramo fotográfico.

Fujifilm – O negócio da fotografia segue saudável, embora hoje só represente 15% das atividades mundiais da marca. O que não quer dizer que a fotografia encolheu. Na verdade foi o enfoque em outros negócios que trouxe mais oportunidades na diversificação da marca e oportunidade expansão de faturamento em outros mercados. Uma empresa química que enfocou como poucas marcas do mundo tanto em inovação quanto na aplicação da tecnologia da imagem para aumentar a rentabilidade. A Fujifilm atua na área gráfica, saúde e estética só para citar alguns dos setores onde está envolvida fora da fotografia. É também referência em Broadcast como uma das líderes em lentes para câmeras de vídeo de altíssima qualidade. Investimentos pesados em sensores, películas para smartphones e outras evoluções fazem da Fujifilm um colosso de inovações frequentes. Um dos remédios criados pela marca ajudou a combater o surto de ebola faz alguns anos. Na fotografia, a Fujifilm soube se adaptar aos novos tempos com uma variedade de soluções para fotografia. Na parte de captura a empresa possui um perfil único. Basta notar que se destacou na venda de câmeras (mirrorless). Perfil único porque é na venda de câmeras Instax onde se encontra um dos itens de maior sucesso da empresa nos últimos anos. Com crescimento anual de vendas de filmes e câmeras instantâneas mundialmente. Um mercado onde praticamente sofre baixa concorrência.

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Na parte de impressão a fabricante se destaca com impressoras de todos os portes. Desde equipamentos voltados para impressão em eventos até quiosques para lojas de foto. A marca ampliou a oferta de mídias com papéis fotográficos. Com opções desde as mais simples voltadas para o consumidor final até aplicações profissionais para álbuns e encadernação. Lá fora a empresa abriu uma nova rede de lojas conceito batizada de Wonder Photo Shop. Com unidades em Nova York, Barcelona, Bogotá, Tóquio e inúmeros outros países. A loja faz sucesso por enfocar a venda de experiências com impressão, Instax em uma proposta de varejo diferenciado como a tempos não se via. No Brasil, a plataforma Original Lab que foi lançada no ano passado oferece ao fotógrafo profissional a chance de valorizar mais seu trabalho e ganhar mais dinheiro com a fotografia. E os laboratórios profissionais tem a chance de obter uma importante certificação que oferece o mais alto padrão de qualidade de impressão. A Fujifilm é certamente uma das marcas mais comprometidas com o ramo fotográfico tanto no Brasil quanto lá fora. Prova disso é que a empresa completará 60 anos no país no meio desse ano.

Os destaques da Fujifilm na mídia: em matérias frequentes a empresa aparece como case de transformação bem-sucedida. Passou de uma marca que dependia do filme fotográfica em líder em inovação. Matérias da The Economist e Wall Street Journal indicam a Fujfilm como case mundial.

Onde a Fujifilm vai continuar crescendo: na venda de Instax entre jovens e na oferta de alto valor adicionado em impressão para as lojas de foto. O programa Original Lab de valorização do papel fotográfico deve atrair mais adesões tanto de laboratórios quanto de fotógrafos.

O que poderia ser bom para a marca e para o mercado: ver uma Wonder Photo Shop oficial surgir no Brasil ou lojas físicas Instax que são comuns na Ásia surgindo também por aqui.

Konica Minolta – A Konica Minolta expandiu com força a participação na fotografia tanto aqui como lá fora. A empresa que traz um “DNA” fotográfico se tornou uma referência para alguns dos mais importantes laboratórios profissionais, lojas de foto, estúdios, empresas de foto de formatura e encadernadoras. Empresários do ramo de foto que atuam nesses perfis investiram nos equipamentos bizHub da marca. A fabricante criou eventos e passou a dar suporte e atendimento exclusivo para quem atua na fotografia. Com a redução da participação da Noritsu no Brasil, a marca ocupou uma importante lacuna se colocando como a referência de impressão para o varejo fotográfico. Com lançamentos de impacto nos últimos três anos, a linha bizHub e também a presença em eventos como a Feira Fotografar e eventos próprios como road shows Konica Minolta em várias cidades. A presença consistente no marketing e o olhar para a diversificação de produtos como fotopresentes, photo books e outros produtos impressos de alto valor adicionado com os equipamentos da marca. A participação da Konica Minolta na fotografia (que só faz crescer em números de equipamentos instalados no mercado fotográfico) deixa claro que a opção de impressão em papel gráfico deixou de ser só uma alternativa para se tornar uma escolha de alto nível e com garantia de qualidade e mais rentabilidade.

Destaque da Konica Minolta na mídia – a empresa apareceu recentemente como líder em uma lista das empresas que mais se preocupam e investem em sustentabilidade.

Onde a Konica Minolta vai continuar crescendo: na participação de mercado tanto nas lojas de foto quanto nos laboratórios profissionais e empresas de foto de formatura.

O que poderia ser bom para o mercado e também para marca: ver a fabricante investir em quiosques com impressão.


Canon – A fabricante japonesa também atua em outras frentes. A empresa investiu em câmeras de segurança e também avança na área de saúde e outros negócios. Uma entrevista recente do CEO mundial da Canon mostra que a empresa enfoca na diversificação justamente para se manter em crescimento, uma decisão acertada. O fato é que a Canon tem sua marca totalmente identificada com fotografia e imagem. Diferente da Nikon, a Canon conta com uma ampla linha de impressoras. Desde daquelas pequenas para impressões simples em eventos até a DreamLabo que é considerada uma das melhores máquinas de alta produção com qualidade do mundo. Em grandes formatos a empresa é referência e no mercado brasileiro e cresce anualmente. Na parte de câmeras profissionais, a Canon segue com lançamentos consistentes e indica uma tendência de apostar mais na categoria mirrorless.

No Brasil, a empresa conquistou mercado com força na venda de câmeras reflex de entrada com custo baixo. Com a onda de YouTubers, a Canon se tornou referência como equipamento para transmissões em canais on-line de todos os tipos. Desde iniciativas de usuários em comunidades carentes até para crianças com o pais criando canais para os filhos em casa. Com a produção desses equipamentos no Brasil e custo competitivo e forte presença no fotoespecialista, a Canon se tornou líder isolada na categoria. E isso mesmo com a forte concorrência dos smartphones. A forte presença consistente no varejo (on e off) e nas campanhas de marketing e eventos tornam a marca uma das mais lembradas quanto se pensa em fotografia no Brasil.

Destaque da Canon na mídia internacional – A Canon USA aparece como uma das 10 empresas com maior número de patentes no maior mercado do mundo (EUA). Fuji Mitarai, CEO da Canon, é considerado um dos melhores e mais importantes executivos do mundo e já entrou na lista dos TOP CEOs da respeitada revista Harvard Business Review.

Onde a Canon vai continuar crescendo: na participação em vendas no fotoespecialista e no e-commerce. A venda de câmeras reflex de entrada e intermediária deve crescer ainda mais com a conversão de usuários de smartphone insatisfeitos com seus dispositivos.

O que poderia ser bom para o mercado e para a marca: ver a conversão de mais usuários de smartphones em câmeras profissionais para usos dos mais variados. E ver todos os tipos de câmeras totalmente conectadas com o envio de fotos direto para a internet sem a necessidade de conexão com smartphone.

A nova mirrorless Alpha A7RIII da Sony acaba de ser lançada no Brasil

Sony – No ano passado a Sony atingiu uma importante conquista: se tornou a segunda em vendas de câmeras full frame com lentes intercambiáveis no mercado norte-americano (um dos maiores do mundo). A Sony conquista espaço no Brasil e em todo o mundo com a oferta de câmeras de altíssima qualidade (mirrorless). Uma das apostas da empresa que mostrou-se acertada foi com os videomakers. Lembrando que a tendência de fotógrafos que filmam e fotografam é cada vez mais crescente. A Sony se beneficia ainda de outro ponto curioso. Como fabrica sensores, vai bem também no segmento de smartphones. Tanto é verdade que a empresa abriu uma nova fábrica só para atender a demanda na produção de sensores para dispositivos móveis. A Sony conquistou a confiança dos profissionais. Assim como Canon e Fujifilm, a Sony é uma gigante com atuação em outras frentes que não envolvem a fotografia. Isso dá para a marca a possibilidade de crescer com enfoque em produtos premium.

Destaque mundial da Sony na mídia – A Sony aparece com frequência como case. Seja pela liderança no setor de sensores (que não para de crescer) ou pela referência absoluta na qualidade dos equipamentos fotográficos.

Onde a Sony vai continuar crescendo: na participação de mercado também aproveitando a queda da Nikon no país e na migração de mais fotógrafos para o sistema mirrorless. O avanço da tendência de profissionais que fotografam e filmam também deve ajudar a marca.

O que poderia ser bom para o mercado e para a marca: ver a empresa lançar uma linha de entrada com preço mais acessíveis na linha Alpha.

O próximo post da série “O estado da indústria fotográfica em 2018” vai mostrar como está o ambiente das marcas que atuam com impressoras de eventos. Mercado crescente e sem crise, mas extremamente competitivo. 

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