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Huawei sem Android e os reflexos da batalha comercial entre os Estados Unidos e a China

Não é de hoje que a Huawei está em disputa com o governo norte-americano. A filha do dono da Huawei Meng Wanzhou (que trabalha como responsável pela área de finanças da marca) foi presa no Canadá sob pedido da justiça norte-americana. E segue detida por lá com exigência de extradição para os EUA. O governo norte-americano diz que a executiva cometeu fraudes e agiu de forma ilícita contra os interesses dos Estados Unidos. O fato é que a Huawei cresce no mundo todo com aparelhos poderosos que trazem recursos de inteligência artificial e câmera robusta com tecnologia Leica. Aliás, números recentes mostram que a fabricante chinesa avançou ainda mais nas vendas. Deixando a Apple bem isolada na terceira posição e encostando na Samsung (que ainda é líder mundial). O último modelo P30 Pro é o primeiro do mundo com zoom óptico 5x com até 50x digital. Considerado o melhor smartphone do mundo para fotografar e que tem vendido muito bem nos mais de 100 países onde está disponível para venda. 

A Huawei hoje é a segunda do mundo sem ter permissão para vender no mercado norte-americano. E começou a ter problemas na Europa já que o governo Trump faz pressão para tentar conter o avanço da marca chinesa no velho mundo. Agora, em nova medida para retaliar a marca, o Google anunciou que o suporte para Android está suspenso (na verdade estará disponível por mais alguns meses). Intel e Qualcomm também estariam cortando fornecimento de sensores para a empresa. Tudo indica que a Huawei terá dificuldades no ambiente competitivo com essas restrições. No último dia 19 de maio o Google confirmou que vai bloquear os smartphones da Huawei de atualizarem novas versões do Android. Segundo a respeitada revista Wired, essa decisão terá impacto global nas vendas de smartphone. Segundo a decisão da administração Trump, a Huawei entrou na lista de empresas sob bloqueio por estar envolvida em atividades contrárias aos interesses dos EUA e também do interesse internacional.

Hoje a Huawei conta com presença consistente no mercado mundial. De cada cinco smartphones do mundo, um é da fabricante. Sete anos atrás a Huawei tinha só 3% do mercado de smartphones. Claro que o avanço se deve sobretudo ao próprio mercado asiático. Mas a empresa cresce em outros continentes. Na Europa por exemplo, cresceu 56% entre 2017 e 2018. Enquanto isso, Samsung e Apple caíram por lá. Tudo leva a crer (segundo especialistas de mercado) que a Huawei se tornará a número 1 do mundo em breve. Mas com essa medida do governo norte-americano o cenário se tornou desafiador. As empresas chinesas poderão atuar nos Estados Unidos por mais três meses e depois disso ninguém sabe como será.

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A guerra continua – por outro lado, Ren Zhengfei (CEO e fundador da Huawei) disse que os Estados Unidos subestimam a capacidade e força da marca. Um dos trunfos da empresa é a sofisticada tecnologia 5G (internet móvel ultra-rápida). A Huawei é líder em pesquisa e desenvolvimento nesse quesito. A marca diz que nenhuma outra empresa vai alcançar os avanços nesse setor em meses ou mesmo anos. Seja como for, essa batalha e o bloqueio do Android nos aparelhos da marca deverão impactar nas vendas futuras. E como ficou a situação de quem já possui algum aparelho? Para quem já comprou nada muda. Só vale para futuros aparelhos vendidos. Ou seja,  o Google garante o Android e outros apps para quem já conta com algum aparelho da Huawei. Futuros smartphones da empresa não terão ainda Google Maps e Gmail. Especialistas dizem que perder esse suporte afeta muito a decisão de compra. A loja de apps do Google também fará falta. Difícil saber como ficará todo o cenário e se teremos mudanças nessa disputa. A única certeza é de que essa briga vai continuar por um bom tempo. Pior para o mercado.

A Bloomberg fez uma matéria indicando que a empresa estava se preparando para essa batalha. Inclusive já estaria criando uma loja de apps. A Huawei teria inclusive abordado diversos desenvolvedores de apps no ano passado abrindo caminho para a entrada no mercado chinês. Contudo, o banimento de negociações com empresas norte-americanas deve impactar a relação da Huawei com outros importantes players. Caso do Twitter, Facebook, Pinterest e outros. Na prática isso representa que se a loja de aplicativo da Huawei avançar será totalmente dominada por apps europeus, asiáticos e quem sabe latino-americanos.

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