Fotocabines 3 meses atrás | Redação

Perfil: Robert Lindquist, Gerente Geral da Photo Booth Expo

Lindquist fala sobre as perspectivas de futuro para o setor de cabines

por Revista FHOX

A FHOX esteve na 5ª edição do Photo Booth Expo, que ocorreu em março passado, em Las Vegas. O evento reuniu 4 mil pessoas e contou com 140 expositores. Entre as principais mudanças e tendências estão a automatização e a venda de experiências, com versões compactas e engenhosas para os fotógrafos. Além disso, lançamentos de robôs fotocabines, inteligência artificial, cabines voltadas para redes sociais (com GIFs, por exemplo) chamaram a atenção.

No evento, o perfil do visitante é variado, desde fotógrafos até empreendedores buscando alternativas de faturamento. Conversamos com Robert Lindquist, gerente geral da Photo Booth Expo, que falou sobre a feira e as novidades.

Photo BoothMozart Mesquita

 

FHOX – Como surgiu o evento?

Lindquist – Começou com Rob Savickis, que já era empresário do ramo de fotocabines e trabalhava com diferentes marcas e fornecedores do mercado. E foram as próprias empresas desse mercado que disseram precisar de uma experiência, de uma feira. O setor cresceu tanto nos Estados Unidos, que precisávamos ter nossa própria feira. Rob tinha a experiência e os próprios fornecedores o ajudaram a fazer o evento.

FHOX – Como foi no primeiro ano?

Lindquist – Em 2015 tivemos 1.200 visitantes. Começou na base do boca a boca e começou muito bem. Na feira deste ano passamos de 4 mil. Em 2018 a gente teve 3.500. O interessante é que se tornou um evento global. Tivemos visitantes de 60 países esse ano.

FHOX – E se tornou o principal evento de fotocabine do mundo?

Lindquist – É o maior de que temos notícia.

FHOX – O evento cresce e agora está junto com a WPPI em termos de datas. Isso tem relação com a força desse mercado?

Lindquist – Isso é interessante. Sabemos o que vai bem nesse mercado: tem a ver com entretenimento, tecnologia, fotografia e oportunidades. E ano passado o que mais ouvimos dos visitantes que estavam no evento era isso, quando perguntávamos aos presentes do que se trata a Photo Booth Expo. Todos diziam essas quatro palavras. Fotocabines são divertidas, elas entretêm, mas existe o lado tecnológico. Temos fotocabines aqui, por exemplo, cabines com inteligência artificial e robôs cabines. Envolve alta tecnologia. Não é só mais ter uma câmera, uma tela e pronto.

Temos todos os tipos de coisas acontecendo nesse segmento. Vemos muitas oportunidades e o perfil dos empreendedores é muito familiar, com mães e pais como boa parte dos operadores. Muitos dos empreendedores, tanto dos que oferecem as soluções na feira quanto os visitantes são da fotografia, eles já entendem esse mercado. Por exemplo, o mercado de casamentos já é grande para cabines fotográficas. Então são as quatro palavras que o regem. E, para muitos, é
começar uma nova carreira. Um negócio tocado por eles.

Mozart Mesquita
Photo Booth Expo

 

FHOX – Quais resultados você vê entre esses investidores que apostaram no segmento?

Lindquist – Fico impressionado com o quanto estão faturando. Faturam, muitas vezes, seis dígitos. Algo fantástico.

FHOX – O perfil é mais de fotógrafos que estão empreendendo nesse ramo?

Lindquist – No começo sim, mas hoje são os DJs. Eles perceberam a oportunidade e passaram a investir nisso. Eu tenho um amigo que tinha um serviço de DJ para festas e recomendei para ele investir nesse mercado. No início, se mostrou relutante, mas depois apostou. Em três meses já estava comprando a segunda cabine. Nesse momento ele está considerando comprar a terceira. Para os DJ’s foi a aposta das cabines no mercado de casamento. Ela entra como mais um serviço oferecido para uma festa. Entra com música, cabine e por aí vai. Agora o perfil é variado. São pessoas que querem empreender e que veem a oportunidade em cabines fotográficas. Aparecem
na feira para conhecer esse mercado e ver de perto as soluções.

FHOX – Como fica a questão da impressão nas fotocabines. A foto no papel vai continuar importante?

Lindquist – Eu penso que existem dois tipos de aplicações. Nas festas de casamento, de família em geral, as pessoas querem uma foto impressa. Ao mesmo tempo existem as cabines com iPad que são o que chamamos de “social booths”, as cabines fotográficas das redes sociais. Você pode alugar para um hotel, para um escritório, farmácia, etc. Personalizadas com a marca delas na fotocabine. E assim as pessoas vão nesses locais fotografam e enviam por email ou nas redes sociais. No fim, tem a ver com o que é melhor para o negócio ou ocasião.

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Photo Booth Expo

 

FHOX – O senhor vê uma ameaça para o papel?

Lindquist – Não acredito nisso. As impressoras dye-sublimation são fantásticas. Os DJs não tem essa preocupação quando investem em cabines, mas os fotógrafos têm. Os profissionais de imagem são muito criteriosos com a qualidade da imagem que será entregue ao consumidor final. E alguns, como se fossem retratos feitos por eles, são fantásticos. Até mesmo as impressoras inkjet também estão atingindo uma qualidade incrível.

FHOX – Agora com a experiência da quinta edição do Photo Booth Expo, como você vê as principais tendências que vão ditar esse mercado no futuro?

Lindquist – São muitas coisas. Aqui, obviamente as pessoas vêm para ver a fotocabine clássica
e básica. Mas você precisa ver o robô cabine que fotografa também e as versões animatrônicas combinadas com fotocabines. Além das soluções que estão usando o “flash ring” de forma inovadora e muito portátil. Ainda chamam de cabine, mas basicamente é um iPad com um programa especial. Creio que essas novidades indicam o futuro.

FHOX – O que o atraiu para esse mercado?

Lindquist – A criatividade. Todos os empreendedores lançam essas ideias geniais todos os anos. E, assim, se mantém o mercado fresco e diferente.

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Photo Booth Expo

 

FHOX – O perfil do visitante é muito distinto? O senhor comentou que são de 60 países.

Lindquist – Predominantemente é dos Estados Unidos e Canadá. Tivemos muitos (visitantes) esse ano da Austrália e das regiões sudoeste dos Estados Unidos, por conta de ser em Las Vegas. Curioso é que veio um empreendedor da Austrália e ele está aqui com um estande. Ele criou um evento parecido como esse por lá. Não tão grande, mas que pode vir a ser. Ele veio para cá e eu estive lá no evento dele. Muitas pessoas da Europa também vieram esse ano.

FHOX – Muita gente da Ásia?

Lindquist – Sim, mas não vemos muitas soluções de lá. Recebemos pessoas das Filipinas também.
Sinto que é um movimento global. Nessa edição tivemos participantes de todos os continentes, menos da Antártida (por isso não tivemos pinguins aqui, rs). E muitos expositores de outros países.

FHOX – A proximidade do seu evento com a WPPI esse ano foi proposital?

Lindquist – Sim. Mas isso aconteceu de forma natural. Não foi planejado assim. Entramos em contato com eles e agora quem vem com credencial da WPPI pode entrar na nossa feira, e vice-versa. Notávamos uma sobreposição e tivemos uma boa quantidade de visitantes da feira deles vindo aqui. Sabemos que brasileiros vieram no evento e também passaram lá. Isso é bom.

FHOX – O senhor sabe qual é o tamanho do mercado de fotocabines aqui nos Estados Unidos? 

Lindquist – Me perguntam muito isso. Estamos tentando chegar em um número que seja confiável e o mais aproximado possível da realidade. As pessoas veem aqui e não sabemos se isso representa 10% ou 50% do mercado. Sabemos que existem dois perfis e que tornam isso complicado de se medir. Aqueles que vivem do mercado, produzem, fabricam e se dedicam exclusivamente ao ramo passaram no evento. Agora, uma parte faz isso de bico, de fim de semana. O perfil é muito variado e é difícil definir isso de forma precisa em números.

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Robert Lindquist e Rob Savickis, idealizador da Photo Booth Expo

 

FHOX – Uma parte importante é o congresso.Como isso ajuda no evento?

Lindquist – Os próprios profissionais e a indústria desse segmento nos abordam com ideias e temas. Então, pedimos para que enviem um vídeo e, assim, temos essas sugestões para avaliar quem vai falar sobre o quê. Temos de tudo em termos de apresentações, desde como entrar no
mercado até o que fazer no caso da fotocabine quebrar em um sábado à noite. Também temos demonstrações de produtos e soluções das marcas. Porque isso ajuda quem tem aqueles equipamentos e quer saber mais.

FHOX – O senhor acompanha os empreendedores e soluções de fotocabine de outros países. Como esses mercados são diferentes dos Estados Unidos, que parece o mais desenvolvido do mundo no uso delas?

Lindquist – Na verdade são os mesmos desafios, problemas e pessoas. Na Austrália, por exemplo,
os visitantes são DJ’s e fotógrafos. Gente que ou possui ou pensa em ter a solução. A sensação que tive lá é que parecia aqui.

FHOX – Acha que pode ser similar se o senhor visitar o Brasil?

Lindquist – Não tenho a menor ideia. Vou saber quando fizerem o evento de vocês e eu for até lá visitá-los. (risos)

FHOX – Quem sabe o senhor possa até dar uma palestra sobre os desafios e oportunidades desse mercado, não é mesmo?

Lindquist – Seria incrível mostrar como outras pessoas estão aproveitando esse ramo. Não estamos competindo com ninguém, mas sim trabalhando juntos. E os visitantes da Austrália que organizaram o evento deles por lá disseram que foi ótimo vir aqui conhecer o que fazemos, que somos o grande evento de fotocabines. Isso é bom para o mercado.

 

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