Fotocabines 4 semanas atrás | Thalita Monte Santo

Fotocabine: Mercado evoluído no exterior e a se profissionalizar no Brasil

Tecnologia e inteligência artificial animam investidores e podem fazer os números de venda de cabines aumentarem até 2024

por Revista FHOX

Enquanto você lê este parágrafo, alguém no mundo acabou de entrar em uma fotocabine e sorrir. Agora mesmo, outra pessoa está pegando uma foto na saída de um totem e outra está fechando um contrato para levar sua cabine a um evento corporativo.

Essas possibilidades não são irreais. O mercado de cabines é um dos setores da fotografia que mais ganha investidores anualmente. Seu crescimento é de dois dígitos por ano no mundo todo, já que existe uma indústria gigantesca de eventos que movimenta cerca de USD 54 bilhões a cada 12 meses.

Segundo uma pesquisa realizada pela Global Photo Booth Market Growth, com estimativas de mercado para o período de 2019 até 2024, geograficamente, o uso de cabines é liderado pela América do Norte. Europa vem em seguida.

cabine fotográficaatsurkan | Shutterstock

 

Os Estados Unidos continua desempenhando um papel importante no mercado global. Mas de acordo com os dados também existem expectativas de crescimento de vendas na China, Japão, Índia e Brasil. Por aqui, o número também é bastante positivo, o que se deve à grande quantidade de eventos que ocorrem mensalmente no País.

Ano passado, a FHOX, com o apoio da Guaraci Digital (HiTi), realizou o Cabine Photoshow, o primeiro evento da América Latina voltado para o segmento de fotocabines, que reuniu em dois dias, mais de 300 pessoas interessadas no modelo de negócios. Este ano, a segunda edição já tem data para acontecer: 30 e 31 de julho e as expectativas de público são ainda maiores.

MAS POR QUE AS CABINES SE POPULARIZARAM TANTO?

A ascensão está ligada a dois grupos específicos: empreendedores e fotógrafos. O motivo nada mais é do que profissionais que desejam aumentar o leque de serviço já oferecido e empreendedores que buscam rentabilidade com baixo investimento e curto payback. Ambos notaram a oportunidade e a chance de compensar perdas.

A fotógrafa Nellie Solitrenick, 63, e o filho Jorge Solitrenick Kremer, 23, de São Paulo, foram algumas das pessoas que visitaram o Cabine Photoshow em 2018. Eles já trabalhavam juntos com
cabines específicas. Mas, ao visitarem o evento, decidiram apostar em algo novo, a Cabine Virtual, da BM Works, que funciona com realidade aumentada e foi o grande destaque dos dois dias.

“Fomos como visitantes sem pretensões e acabamos gostando muito do totem. Pensamos durante uns dois dias e decidimos apostar na ideia”, conta o rapaz. “Trabalhamos com foto e vídeo há mais de 15 anos. Há um ano, resolvemos entrar para o mercado de fotos instantâneas com uma cabine comum para 10 pessoas. Depois desenvolvemos a miniCabine para crianças e, por fim, investimos no totem, que chamamos de Totem Animado, para completar nossa lista de produtos”, explica.

fotocabineDivulgação Cineklic
“Trabalhamos com foto e vídeo há mais de 15 anos. Há um ano, resolvemos entrar para o mercado de fotos instantâneas” Jorge Solitrenick Kremer

 

Ainda segundo a pesquisa da Global Photo Booth Markt Growth 2019-2024, o mercado de cabines deve ganhar lucros notáveis até 2024. Nela também foi estipulado que a força do mercado está no serviço de aluguel e venda de equipamentos.

Para Pedro Augusto da Cruz, 41, de Porto Alegre, que iniciou seus serviços em 2015 com a Snapbox Totens Fotográficos, atualmente só Snapbox, investir no cenário foi um excelente negócio. Segundo Cruz, que hoje também administra as empresas IMAGEN e B2Go, há um crescimento exponencial de cabines e totens nos últimos anos com a descoberta de novos nichos e possibilidades.

“No final de 2014 tomei a decisão de montar minha empresa. Na época ainda não havia uma feira voltada para o segmento. Em abril de 2015 iniciei as operações com um equipamento desenvolvido por mim”, diz.

“Este ano está sendo muito positivo para nossa empresa, e também para nossas novas empreitadas no segmento. Tenho tido um retorno excelente por parte dos clientes, acredito que pelo
fato do nosso equipamento ser bem diferente da concorrência e por nossa flexibilidade e mobilidade logística”, explica.

Tiago Lasak
O Cabine Photoshow 2018 reuniu, em dois dias, mais de 300 pessoas interessadas no modelo de negócios

 

Douglas Cho, da BM Works, representante da DNP na Grande São Paulo, afirma que as apostas em cabines e totens, hoje, são sinônimos de bons negócios e destaca algumas razões para a
boa aceitação e procura.

“Em tempos de crise, certamente, quatro motivos que podemos destacar na escolha do empreendedorismo voltado para o mercado de cabines são: o baixo investimento e curto tempo de payback, alta monetização através da fotografia, inúmeros eventos sociais (datas especiais) e, principalmente, os eventos corporativos que crescem a cada dia devido a alta capacidade de coleta de leads e divulgação em massa de produtos ou lançamentos (branding) ao custo baixíssimo da verba de marketing”.

Cho participou diretamente do primeiro Cabine Photoshow e consegue enxergar mudanças de lá para cá, principalmente entre investidores e distribuidores. Sem contar uma maior preocupação em especialização e investimentos em tecnologias, como a realidade aumentada presente na Cabine Virtual, de sua empresa.

“Ficou nítido um entrosamento maior entre os membros do setor, desde prestadores de serviços, os fornecedores de softwares e, por fim, os distribuidores de equipamentos e insumos. Noto hoje a preocupação do mercado na busca por novos conhecimentos e soluções que possam proporcionar experiências distintas ao usuário e, com isso, elevar um pouco mais o ticket médio do serviço cobrado”, explica.

Div. Red Robot
O que atrai principalmente novos investidores é a possibilidade de trabalhar com os equipamentos para
diversos tipos de evento

 

“Tenho acompanhado também a migração de diversos profissionais de outros nichos que se encontraram no mercado do fotocabines, e outros que simplesmente adicionaram ao seu leque mais um produto e, com isso, conseguiram captar e monetizar ainda mais”, conta Cho.

Segundo ele, o Brasil tem acompanhado, na medida do possível, tudo o que há de mais novo e tecnológico para proporcionar aos usuários as melhores experiências. No entanto, pelo fato das estruturas e equipamentos comercializados no exterior possuírem um alto custo para importar e nacionalizar, muitos empreendedores acabam desenvolvendo os seus próprios equipamentos. “Ás vezes não tão fiéis ou que causem a mesma sensação do produto original”, enfatiza.

NOVAS TECNOLOGIAS PARA CABINES

Hoje, bumerangues, GIFs e vídeos já se juntaram às fotos clássicas e as opções de personalização disponíveis em cabines e totens. De filtros, emojis a trabalhar com uma tela verde digital, as possibilidades são infinitas.

O fato dos contratantes buscarem contratadas que proporcionem uma experiência única de entretenimento somada à tecnologia e entrega de fotos impressas, faz com que se crie uma oportunidade de monetização mais valorizada através da fotografia.

Henrique Santos, 31, da Maxx Foto Lembrança, é um dos empresários que acredita no nisso.
Atuando em todo o Brasil, mas com sede em Curitiba (PR), ele explica que investimentos, principalmente em tecnologia, para quem trabalha com cabines é crucial.

“Os clientes buscam empresas que inovam, que não sejam pragmáticas e, principalmente, adoram ser surpreendidos de maneira positiva. Aquele ‘algo a mais’, acredito, faz toda a diferença”, Para ele, o Brasil ainda fica um pouco atrás de outros países quando o assunto é novidades.

Cabine Photoshow

 

Entretanto, acredita que sua empresa vem se destacando na oferta de opções além do comum, e que os concorrentes oferecem, em seu serviços. Hoje, não se entrega apenas a foto impressa em poucos minutos, mas sim toda a experiência agregada.

“Ainda não conseguimos tomar a dianteira da inovação no mercado internacional, mas no brasileiro estamos buscando ser referência, com produtos e serviços novos, além de uma visão diferenciada de negócio pensando sempre em sofisticação dos equipamentos e incremento das últimas tecnologias disponíveis no mercado internacional em nosso dia-a-dia”, revela.

Thiago Ferreira de Moura, 35, da The box cabine fotográfica acredita que “ se os compradores brasileiros se unissem mais, as coisas seriam melhores”. Ele trocou seu software americano por um brasileiro durante o Cabine Photoshow em 2018. Seu balanço sobre o mercado é positivo, mas faz apontamentos relevantes sobre a concorrência, entrantes e a ideia do rápido retorno.

“Muita gente acabou entrando e têm pessoas vendendo totens e cabines a preço de banana.
Não fazem o mesmo investimento, não possuem as mesmas tecnologias de impressão e acabam oferecendo o mais barato”, diz.

Segundo Moura, muitas vezes o consumidor final acaba optando pelo mais barato por não saber sobre a qualidade e o que poderia levar por um preço justo. Ressalta também que “o retorno pode não ser tão rápido como algumas empresas pintam, mas se existir mão de obra para fazer e acontecer é um ótimo mercado para se investir”.

A MAIOR FEIRA DE CABINES DO MUNDO E A TECNOLOGIA DE PONTA

A 5ª edição da International Photo Booth Expo (PBX 2019) aconteceu entre os dias 24 e 27 de fevereiro, no South Point Hotel em Las Vegas. Mozart Mesquita, líder de FHOX, participou do evento representando a publicação e pode conferir de perto as novidades e tendências lançadas no evento.

“Em fevereiro tive a oportunidade de visitar a PBX 2019, em Vegas. Trata-se hoje do maior evento do gênero no mundo, inclusive já rivalizando com a WPPI e a Photoplus pelo posto de maior evento de fotografia dos EUA. Com três dias de duração e um congresso acontecendo em paralelo, o PBX se destaca pela simplicidade e leveza dos stands, com praticamente nenhum deles montado e, pela quantidade e variedade de players que oferecem soluções para o mercado de fotografia de eventos nos EUA”, conta Mesquita.

Considerado o maior encontro do mundo na indústria de cabines, é também uma grande oportunidade para todos os operadores, fabricantes e fornecedores de cabines fotográficas não só
mostrarem os seus produtos e serviços ao público, mas também conectarem-se e interagirem
com empreendedores em todo o mundo.

Mozart Mesquita
A Photo Booth Expo reuniu mais de 100 expositores na edição de 2019

 

“Muitos brasileiros, em geral os que lideram o mercado no Brasil, marcaram presença. Por lá encontram soluções que ainda não existem por aqui, em softwares, props e design, com certeza. Aliás, fica claro é que esse mercado será dominado pelo design e pela tecnologia, com cada vez mais tótens em formato pedestal e muita inteligência artificial, além da quase onipresença de duas marcas: Apple e seu Ipad e as impressoras DNP”, relata.

Ao todo, mais de 130 expositores participam da Photo Booth Expo 2019. Entre o público visitante é comum encontrar donos de empresas de fotografia do mundo todo, DJs, fotógrafos de casamento e muitos outros profissionais da indústria de eventos.

Com seminários que trazem informações sobre tudo o que é relevante para a indústria de cabines, desde estratégias de marketing até técnicas de fotografia, é perfeito para networking e, principalmente, compras – há sempre grandes promoções especiais.

fotocabineMozart Mesquita

 

“O fator inteligência artificial e robôs são uma tendência clara para os próximos anos. Com cabines que devem ir até o fotografado, será cada vez mais fácil ver num evento um tótem móvel chegar até você perguntar se você gostaria de um retrato”, diz o líder de FHOX.

Opinião compartilhada por Douglas Cho, que também esteve presente na PBX 2019. “Certamente o que ficou bem claro nesta edição da Photo Booth Expo 2019, foram as questões de mobilidade, tecnologia e impressão integradas em soluções de totens com iPads. Praticamente uma unanimidade. Em quase todos os expositores existiam diversos modelos preparados para receber esses dispositivos”, explica Cho.

O que não dá para negar é que cada vez mais a inteligência artificial se faz presente e necessária para conquistar clientes. Nos serviços, aliada à fotografia impressa, ela garante encantamento e novos negócios. Isso significa também que, enquanto houver a impressão da foto no papel, teremos razões para continuar lucrando bem alto.