Formatura 4 meses atrás | Jucelene Oliveira

Fhox analisa mercado de formaturas e eventos em tempos de Coronavírus

Em conversa com empresários do setor, Fhox traça panorama das consequências e oportunidades que estão vindo por aí.

por Revista FHOX

Com a crise econômica instalada no Brasil em razão da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) – que no último dia 26 completou um mês -, os reflexos negativos têm sido muitos e em vários setores e segmentos da sociedade.

Grandes, médias e pequenas empresas do ramo de fotografia (e aqui cabe um vasto mercado) têm passado por inseguranças e apreensões e, não obstante, tentado se resguardar de alguma maneira dos efeitos de médio e longo prazo que ainda virão pela frente – considerando principalmente que ainda não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar.

Diante do atual cenário, Fhox conversou com alguns empresários do ramo de formaturas e eventos (que trabalham com vendas on-line, com álbuns impressos e com sistemas de gestão de formatura e eventos) para entender como eles estão enxergando esse momento, quais medidas ou alternativas adotaram ou pretendem adotar para minimizar os efeitos que surgiram, além de conhecer – na visão particular e também coletiva do setor – se essa crise traz ou não novas oportunidades para o mercado.

Fhox entrevistou empresários das empresas Seeven, RR Álbuns, AG Sistemas, SGE e BRL Eventos.

Análise da situação

Para o empresário Ronnie Olivatto, 36, fundador da RR Álbuns, empresa de Americana (SP) que trabalha com álbuns personalizados, as atividades da empresa neste período de crise econômica têm sido mais voltadas ao atendimento dos clientes e fornecedores, com todo apoio que a tecnologia pode oferecer.

“Acreditamos estar preparados para esse cenário de crise. Buscamos inovar e quebrar barreiras, oferecendo um produto com alta qualidade e moderno (plataforma digital), desde a apresentação até a entrega do álbum para o cliente. Nossa empresa vem investindo muito em tecnologia e atendimento aos clientes e parceiros. Isso não se perdeu em nenhum momento”, explica.

Na visão de Alexandre Galdino, 43, presidente da AG Sistemas – empresa com experiência de quase 20 anos desenvolvendo e implantando softwares, o segmento de eventos foi atingido em cheio.

“Não é possível realizar eventos para produzir álbuns, ou vender os álbuns que já estão produzidos; os recebimentos estão comprometidos, pois muitas pessoas estão poupando seus recursos. Comentamos com nossos clientes que esse é um momento de se ‘afiar o machado’, rever o planejamento da empresa e principalmente inovar”, esclarece.

Carlos Alberto Pontes, 55, empresário fundador e administrador da Seeven.

Carlos Alberto Pontes, 51, empresário fundador da Seeven, empresa que se apresenta como a maior vendedora de álbuns e produtos de formatura do Brasil, o mercado já sofreu muitas mudanças e essa talvez seja apenas mais uma.

“Posso dizer sinceramente que nesses 20 anos de estrada o que mais a Seeven fez foi se reinventar. E isso não ocorreu baseado em achismos. Precisamos medir, mapear, criar ferramentas de controle e padronizar operações. Acredito que o mercado precise se preparar melhor na área de gestão, a ideia de gestão de custo das empresas está distorcida”, avalia.

Para o empresário Josué Lacerda dos Santos, 51, da BRL Eventos, outra gigante do setor com 30 anos de trabalho e atuação, planejando, organizando e executando eventos, o caminho adotado inicialmente foi adiar o calendário dos eventos para outras datas a partir de julho, até que o cenário fique mais claro.

Josué Lacerda dos Santos, 51, da BRL Eventos.

“Inicialmente colocamos nossos colaboradores do grupo de risco em home office. Os colaboradores que executam funções que não seria possível fazê-las em home estão em férias antecipadas. Também negociamos as despesas fixas como aluguel. O desafio é manter o time trabalhando, mas estamos usando ZOOM para reuniões, Trello para as atividades, entre outras plataformas. Estamos reaprendendo a trabalhar. Tentando manter as redes sociais como canal principal de informações aos clientes e buscando manter conteúdos diários para o formando não desanimar do evento”, pontua.

O fundador e CEO do SGE – Sistema de Gestão de Eventos e Formatura, Hélio Galvão, 41, traz um panorama mais positivo de suas operações. Sobre as atividades da empresa neste período, ele é categórico.

“Estamos conduzindo normalmente, pois, nossa prestação de serviços independe de presença física. Houve reorganização do trabalho, já que o volume de atendimento aumentou em virtude da procura por outros serviços on-line do SGE. Como exemplo, clientes que não exploravam muito a loja virtual para os formandos estão demonstrando mais interesse, assim como os processos de adesão on-line”, relaciona.

Sistema de Gestão de Eventos e Formatura.

A tecnologia, se ainda não adotada por algumas empresas de maneira mais contundente, se tornou nos últimos dias a principal ferramenta de trabalho para atender clientes e parceiros e realizar atividades comerciais.

“Para tentar minimizar o impacto gerado pela pandemia estamos atuando de forma totalmente on-line. Preparamos e treinamos nossa equipe de vendedores para fazer todo o atendimento em uma plataforma própria na qual é possível o cliente visualizar suas  fotos, ver modelos de álbuns, fazer a validação do contrato (assinatura digital) em tempo real e efetuar o pagamento. Com essa
medida conseguimos manter o faturamento da empresa e de nossos parceiros dentro do ponto de equilíbrio”, orgulha-se Olivatto.

AG Sistemas disponibiliza o AG Photo (um sistema que automatiza os principais processos da empresa) em duas versões: desktop e on-line. Galdino explica que nesse momento, como já era de se esperar, a empresa tem notado uma grande migração dos clientes para a plataforma on-line.

“Embora alguns ainda prefiram manter a versão desktop pelos benefícios que ela oferece, orientamos as vantagens de cada plataforma e respeitamos a vontade do cliente, dando a ele o melhor que pode obter na opção que escolher. Além disso, temos orientado nossos clientes a adotar o home office, o que ajuda no trabalho interno, e a intensificar as cobranças, que ainda estão apresentando algum resultado”, explica.

AG Sistemas online.

No quesito reorganização do trabalho no que tange a redução de atividades, Josué diz que a empresa já está estudando essa possibilidade.

“Sentimos uma diminuição do interesse em formatura neste momento. Estamos tentando trabalhar isso sem sermos chatos. O atendimento está mínimo, a inadimplência nas nuvens. Desenvolvemos a dinâmica ‘BS’ para tudo, ou seja, ‘bom senso’, porque tudo é novo para todos nós”, esclarece.

Para o SGE, o trabalho tem aumentado, o que faz Galvão enxergar o momento com mais perspectivas positivas do que negativas.

“Estamos trabalhando mais horas por dia e temos investido em infraestrutura para suprir a demanda, sem repassar o custo às empresas que atendemos. O fato de ainda não sabermos exatamente até quando isso vai durar, não tem gerado insegurança para a empresa já que é um mercado que apesar de não ser muito grande, tem força para se reerguer”, analisa.

“Escolhi esse mercado porque é desafiador como todo mercado comportamental, mas também é carente de especialização, e a Seeven está aqui para ajudar nisso”, sinaliza Carlos.

Crise ou oportunidade

Ao serem questionados se enxergam esta crise com desespero ou como uma possível oportunidade de reinventar-se e/ou criar novas alternativas para o setor, os empresários do segmento se dividem em suas análises.

“O mercado de tecnologia está revolucionando a maneira que fazemos as coisas, e o público que nossas empresas atendem, em sua grande maioria, tem tempo, acesso a recursos e ferramentas cada vez mais inovadoras. Quando esses alunos estão próximos do momento de suas formaturas são pessoas exigentes e querem cada vez mais novidade. As empresas precisam estar atentas a essas ferramentas e procurar encontrar a melhor maneira de usá-las em seu benefício, sem se esquecer, claro, do que a fotografia em essência transmite: emoção!”, analisa Galdino, da AG Sistemas.

“Apesar dos prejuízos para o setor (ou adiamento de receitas), enxergo como oportunidade para todos. Muitos estão organizando suas empresas, revisando processos, abrindo portas para serviços on-line ou para os que já ingressaram neste meio, expandindo a operação, já que a Internet é um facilitador”, analisa Hélio Galvão do SGE.

Para Ronnie Olivatto, já foi possível observar uma grande redução no setor. “Fizemos uma análise nessa última quinzena e observamos uma queda de 85% a 90% no número de atendimentos e vendas de produtos fotográficos. Acredito que todo o mercado está apreensivo com essa incerteza que estamos vivendo. Esperamos dentro de alguns dias ter um cenário mais concreto para poder avaliar quais medidas serão mais assertivas diante de um quadro tão delicado”, desabafa.

“Não vejo nada de desesperador. O mercado deverá se reinventar. Tudo isso vai passar, mas acredito que o impresso será o caminho, junto com a profissionalização do setor”, afirma Santos.

Quase todos são unânimes em dizer que ainda é muito cedo para conseguir mensurar ou avaliar de fato o prejuízo causado ao setor desde que o isolamento social se tornou uma realidade. Os empresários fizeram algumas considerações.

“Ainda não é possível determinar, mas entendemos também que poderá ser uma oportunidade para repensarmos tudo e sairmos mais fortes. Estamos procurando entender, conversar, fazer cursos on-line pelas plataformas, ouvir, aprender e aprender. Financeiramente falando será uma mordida e tanto, mas somos empreendedores por natureza e não tenho dúvidas de que iremos nos recuperar”, diz Santos com confiança.

Galdino também compartilha suas sensações. “Tenho uma avaliação do que deixamos de vender até o momento, mas acredito que a situação pode se agravar se não houver uma retomada da economia em breve. Creio que a insegurança é geral, de certa forma toda a economia do País será afetada”, analisa.

Ronnie Olivatto da RR Álbuns aponta outra perspectiva. “O atendimento on-line sempre sofreu muita resistência no mercado de formaturas e de um momento para o outro essa forma de atendimento pode gerar um fôlego para a maioria das empresas que querem fazer a comercialização de seus produtos. Acreditamos que na crise podemos gerar novas oportunidades. O que devemos pensar é que possivelmente esse não será o único momento de instabilidade do mercado e que podemos passar por isso novamente muito em breve. A pergunta que fica para os empresários do mercado de formaturas não é se você quer fazer essa mudança; mas sim quando vai fazê-la”, instiga.

“A formatura tem a ver com a família e isso é totalmente emocional. É isso que os empresários não entenderam na febre do digital. Todos tentavam racionalizar essa relação entre empresa e família e os formandos (venda no tablet), por economia de 10% que os laboratórios representavam no custo, induzidos ao erro. Por alguns interesses de empresas de oportunidade de momento, a margem do retorno da foto caiu mais ainda, sem contar o índice de insatisfação do cliente. O grande desafio é entender o que o cliente quer; ele quer qualidade e facilidade; a tecnologia ser uma ferramenta a mais no impresso como a RA, Realidade Aumentada, e cursos para os seus vendedores para que saibam e conheçam as ferramentas da comunicação e as usem para fazer nascer no cliente a necessidade e não enganá-lo com jogos de números”, considera Pontes da Seeven.

A ideia é tirar o “s” da palavra cri(s)e, e transformá-la em ‘crie’ muito nos inspira. Pensamos em sempre criar oportunidades de melhorar os serviços que prestamos, os produtos que oferecemos, e o atendimento que damos aos clientes, buscando junto deles formas de alcançar o objetivo de suas empresas”, finaliza Galdino.

Novidade

Ronnie Olivatto compartilhou conosco que está oferecendo gratuitamente para empresários do mercado, por 60 dias, acesso à plataforma que a RR Álbuns desenvolveu.

“A princípio era uma ferramenta interna, mas agora diante da situação do Brasil, queremos ajudar o mercado de fotografia, sobretudo os setores de formaturas, casamento, eventos. Basta a pessoa acessar o menu Vídeo Conferência em nosso site para ter acesso a plataforma na qual ele terá uma experiência quase imersiva em diferentes tipos de álbuns, clipes que reforçam a importância do álbum impresso para as memórias futuras, podendo ainda redigir um contrato de prestação de serviços e assiná-lo virtualmente”, explica.

Os interessados devem entrar em contato pelo Celular/WhatsApp 19 97416-7540 (Ronnie) para que ele encaminhe o cadastro e faça a liberação do acesso.

A plataforma é dinâmica, interativa e muito fácil de usar.