Negócios 5 meses atrás | Leo Saldanha

A força da Canon no vídeo

Conheça um pouco das ideias na cabeça do jovem executivo que lidera o Professional Imaging Solutions (PIS) na Canon do Brasil

por Revista FHOX
Foto: Canon do Brasil

Ryan Kamata representa uma talentosa e brilhante nova geração de executivos da Canon. Entrou na empresa em 2002 para desenvolver a área de broadcast de negócios na Ásia. Naquele momento trabalhava no Japão. Em 2011, ano de lançamento da linha Cinema EOS, foi para os Estados Unidos desenvolver essa área promissora no principal mercado mundial. Em 2016, veio para o Brasil. “Mudei para esse maravilhoso país para apoiar o negócio do profissional de imagem em todos os aspectos, transmissão, cinema, vídeo e fotografia.” Nesta edição da revista dedicada ao tema vídeo, ninguém melhor do que Kamata para falar sobre as inúmeras oportunidades para profissionais de imagem.

 

FHOX – Como o senhor vê o mercado de vídeos hoje?

Kamata – Desde que o cinema surgiu, ocorrem melhorias e em duas frentes. Uma na qualidade para expandir as possibilidades e capacidades da expressão do vídeo. Do P&B para o colorido, do SD para HD e daí para 4K e do 2D para 3D, etc. Outra frente foi aproximar-se dos indivíduos. Antigamente era algo só apreciado em salas de cinema até a tevê ser inventada e ficar acessível. O mercado de vídeos hoje mostra muito mais diversidade. Devido à rápida evolução da internet, bem como a digitalização de dispositivos de captura de imagens, todos adquiriram a liberdade de filmar e distribuir conteúdo.

 

FHOX – Como o vídeo, o cinema e broadcast se dividem na Canon?

Kamata – A Canon não divide pela aplicação do equipamento. Na verdade, o PIS é responsável por todos os gêneros desse mercado. Devido à digitalização dos dispositivos da câmera, o equipamento adquiriu mais liberdade para aplicações diferentes do que foram construídas originalmente. Por exemplo, os broadcasters costumavam utilizar câmeras broadcast. Embora ainda seja uma forte tendência de que eles selecionem essas câmeras para produzir conteúdo para tevê, também é verdade que algumas emissoras começam a selecionar câmeras de cinema digital, de vídeo profissional ou mesmo DSLR, de acordo com o que é mais importante para sua produção. Portanto, não é uma questão de separar esses mercados, mas o importante é observarmos a tendência em cada um deles, a fim de fornecer a melhor solução.

Foto: Alex Wharton

FHOX – Qual o impacto da produção de filmes na sociedade de hoje?

Kamata – Se a sociedade significa o público em geral, acho que não mudou desde que foi inventada. O vídeo tem essencialmente dois papéis: um é comunicar uma história visualmente e o outro é capturar, arquivar, o momento como a fotografia, porém, com mais informações. Enquanto a fotografia é uma das formas mais fáceis e úteis de capturar um momento, às vezes o vídeo pode fazer um trabalho melhor, capturando o contexto da cena, além de movimento e som. O vídeo do casamento pode ser um exemplo.

FHOX – A Canon trouxe uma grande revolução para a indústria com o advento da 5D, qual o impacto desse produto no mercado?

Kamata – Foi uma agradável surpresa para nós ter uma câmera DSLR que mudasse o jogo na indústria cinematográfica. Quando lançamos a 5D Mark II em 2008, criou-se um enorme zumbido na indústria, o que foi um pouco difícil para nós até entendermos o que estava acontecendo. Embora a câmera também tenha sido respeitada pela indústria da fotografia, acho que a razão pela qual foi tão popular para os cineastas foi porque permitiu que muitas pessoas que não tinham a chance de chegar às câmeras de cinema convencionais fizessem um vídeo cinematográfico com um dispositivo muito acessível, especialmente se lembrarmos que adicionou uma enorme flexibilidade com a capacidade de selecionar a linha completa de lentes Canon, bem como o elemento compacto da câmera e lente. Desde então, ela tornou-se um dos padrões para uma produção de qualidade, econômica e ainda cinematográfica.

FHOX – Isso provocou reações de outros players?

Kamata – A competição é necessária para qualquer negócio, sem ela a velocidade de desenvolvimento e sua direção pode ser negligente ou monótona. Aprendemos muito com a concorrência e desenvolvemos as nossas estratégias.Também é importante dizer que, mesmo que estejamos competindo no final, nossa direção básica de negócios é sempre a mesma, de continuar evoluindo no mercado para mantê-lo energizado e ativo. Em certo sentido, também somos parceiros de negócios, tentando expandir o mercado, continuando a fornecer novas soluções, algo que não é possível de ser alcançado com uma única empresa.

FHOX – Estudos indicam que o vídeo chegará a 80% do que é compartilhado no Facebook. Qual é a importância das mídias sociais para a indústria?

Kamata – É uma excelente notícia para nós. Acredito firmemente que o vídeo possa contribuir cada vez mais em termos de comunicação e preservação de memória. Quanto mais o vídeo se torna uma atividade e um hábito comum ao público em geral, melhor para as empresas de imagens, incluindo a Canon, porque isso significa que poderemos continuar a fornecer soluções diferentes para ajudar nessa atividade.

FHOX – Os dados indicam uma predominância da Canon no YouTube. Como é o relacionamento da marca com esse canal?

Kamata – O YouTube é enorme no Brasil. Uma vez vi uma pesquisa dizendo que o Brasil era o segundo maior país em termos de usuários ativos no YouTube, ao lado dos Estados Unidos. Não tenho certeza se dominamos esse mercado, mas é verdade que youtubers usam equipamentos Canon para filmar. Ao mesmo tempo, começamos a nos conectar com eles para que compartilhem suas experiências com a Canon. A tentativa é influenciar o público em geral ao colaborar com canais que tenham temas específicos, como viagens, recém-nascidos, esportes, animais de estimação e casamento.

Foto: Alex Wharton

 FHOX – Como em outras áreas, vídeos de casamento tiveram forte evolução na qualidade dos projetos a ponto de algumas noivas optarem por vídeo e ao invés de foto. Isso é uma tendência?

Kamata – O vídeo está ganhando espaço nesse mercado. Acho que é uma questão de interação entre as empresas de vídeo e os casais. Em algum momento, e eu gostaria de acreditar que a revolução 5D ajudou, os profissionais começaram a melhorar as técnicas de filmagem. Também é verdade que a internet ajudou a expor esses ótimos vídeos, bem como facilitou a esses casais encontrarem os profissionais.

FHOX – Como o senhor vê a produção audiovisual no Brasil?

Kamata – Em termos de broadcast, o Brasil é um dos principais mercados em tamanho e qualidade. Quando visitei uma das maiores emissoras do País, fiquei maravilhado literalmente. Mesma coisa quando fui a uma grande produtora. Vejo certa separação entre esses mercados em relação a outros. Apenas julgando por quais equipamentos são usados no mercado, sinto falta de uma transição perfeita do ponto de vista das câmeras. Em outras palavras, a indústria ou está selecionando equipamentos de primeira classe, ou os mais acessíveis, o que que me faz pensar que estamos falhando em explicar que a indústria tem opções intermediárias. Minha sugestão será, se possível, não subestimar a possibilidade de produção, mas tentar investir mais em equipamentos, não porque queremos vender, mas porque acreditamos que o investimento no equipamento correto pode diferenciar o resultado, o que também ajuda a aumentar o nível do conteúdo.

FHOX – Hoje, produzir um filme é mais simples, como isso afeta os profissionais?

Kamata – Em todas as épocas, fazer vídeos para uso pessoal era comum, mas acho que ninguém tentou compará-los com a qualidade de um drama de televisão ou de um filme de ficção. É verdade que mesmo uma câmera muito acessível permite que uma pessoa faça um vídeo de grande qualidade com menos experiência. Este é talvez o resultado do avanço tecnológico, melhorando a qualidade da imagem, oferecendo melhores funções de suporte, como estabilização de imagem e foco automático. Também é verdade que, independentemente da indústria, há sempre uma clara separação entre profissionais e não profissionais, simplesmente porque eles conhecem muito mais gravação e edição. Se alguém quiser gravar um vídeo de maior qualidade de sua vida diária, posso sugerir que tente com uma DSLR, como a nossa Rebel T6i. Mas eu não sugiro que uma pessoa grave o casamento dela sozinha. Os profissionais são, com certeza, mais experientes e, portanto, quanto mais importante o assunto, melhor será se for terceirizado para que sua memória também tenha a melhor qualidade possível. O vídeo de maior qualidade vai se tornar cada vez mais comum entre o público. A experiência de vídeo se tornará mais positiva e mais próxima, o que também deve gerar mais oportunidades de negócios para os profissionais.

FHOX – Como a Canon vê o avanço dos celulares e a pressão das mídias por imagens no formato quadrado?

Kamata – É basicamente a mesma coisa. Independentemente do dispositivo, desde que as pessoas estejam exigindo a captura de imagem, seja foto ou vídeo, seremos apenas modestos e pacientes para aprender com o movimento recém-emergente, a fim de estudar quais soluções únicas podemos fornecer adicionalmente. Penso que é muito importante investir na educação das pessoas sobre quais os benefícios de cada dispositivo de imagem. Por exemplo, há muito que uma câmera DSLR pode oferecer, tanto para foto e vídeo, em comparação ao celular. É importante mostrarmos essas diferenças para fornecer outra opção e a pessoa escolher o dispositivo mais apropriado. A única mensagem que eu gostaria de falar modestamente é “nunca se satisfazer” e continuar buscando valores agregados que possam enriquecer suas vidas.

FHOX – O senhor vê prejuízo para a fotografia à medida que a cultura do filme avança?

Kamata – Não. O vídeo e a fotografia são bastante diferentes em termos de seus valores e capacidade. A beleza da fotografia permite que uma pessoa explore sua imaginação, usando a foto como um gatilho para isso. Por outro lado, o vídeo pode comunicar a história com mais precisão, limitando o espaço de imaginação com mais informações visuais e de áudio. Ambos são insubstituiveis e igualmente importantes.

FHOX – O trabalho com o filme é natural para os fotógrafos?

Kamata – Não penso assim. Embora eu pense que um talentoso fotógrafo pode tecnicamente tornar-se um talentoso videógrafo ou vice-versa, talvez eu não considere “natural” que todo fotógrafo poderá trabalhar em vídeo e foto. Isso ocorre porque, para certas aplicações, a foto ou o vídeo podem não ser tão importantes quanto os outros, o que os levará a se concentrar apenas em um dos dois. Por outro lado, penso que, para algumas aplicações, como o jornalismo ou as produções de casamento, pode ser benéfico fazer as duas coisas, não simultaneamente, mas ter a opção de escolher o meio certo, o que deve agregar flexibilidade à sua capacidade de expandir suas oportunidades de negócios. Entendo que fazer os dois em um nível profissional pode ser um desafio a mais.

FHOX – O senhor também é responsável pelo serviço profissional da Canon no Brasil. Conte-nos sobre o programa e sua renovação. 

Kamata – O Canon Professional Services (CPS) é um programa de suporte para fotógrafos e videomakers profissionais que usam nossos dispositivos de câmera DSLR desde 2013, oferecendo benefícios no serviço e suporte. Assim, a discussão sobre a renovação do CPS convencional no Brasil começou há mais de um ano. Desde então, tentamos entender o que o mercado espera da Canon. Percebemos que o CPS convencional nem sempre foi um pacote benéfico para todas as pessoas e, portanto, começamos a renovar o CPS, que hoje tem vários focos. Um é tornar o programa acessível para qualquer pessoa que utilize nossos dispositivos e lentes de câmera DSLR ou mirrorless. Aqui, não queríamos traçar uma linha entre os profissionais e os não profissionais, porque, desde que estejam usando nossos equipamentos, são clientes importantes. O novo CPS começou com a adição de uma associação gratuita, o Clube CPS. Além disso, as adesões pagas nas categorias Diamante, Safira e Rubi diminuíram significativamente seus preços, a fim de permitir que mais fotógrafos e videógrafos acessem. Há tanto sobre o novo CPS que eu poderia falar só dele, mas para escolher apenas um item, é importante mencionar o novo site que criamos. Trata-se de um portal interativo que não só fornece informações atualizadas do mercado de imagens, tais como notícias (e obrigado pelo suporte da FHOX), mas informações sobre produtos, promoções, convocação de eventos e assim por diante. Este site permite que os usuários criem seu próprio portfólio, compartilhem suas experiências e também facilita a comunicação com a Canon nos pedidos para usar os benefícios do programa.

FHOX – Qual é a tendência do vídeo nos próximos anos?

Kamata – Não é uma pergunta fácil, mas acho que vai se aproximar ainda mais da vida das pessoas. Quando a inovação acontece, tem algo a ver com os 3T: tradição, tempo e tecnologia. Atualmente, a “tradição” nesse mercado é que as pessoas estão filmando e passando mais tempo visualizando vídeos. No campo comercial, os conteúdos da tevê estão se tornando disponíveis na internet, assim como os conteúdos do cinema on demand [sob demanda]. Isso permitirá que uma pessoa gerencie seu “tempo” efetivamente. Ao mesmo tempo, quanto mais o on demand se tornar popular, a criação de conteúdo precisará aumentar, mas sem perda de qualidade. Isso significa que a produção exigirá novos parâmetros para gerenciar o aumento do trabalho. O mesmo para gravação de vídeo individual. A chave é fornecer uma solução fácil para o público capturar imagens de alta qualidade, compartilhá-las e distribuí-las pela internet. Nós, os fabricantes, precisamos observar esse movimento com cuidado para fornecer a “tecnologia” e o produto corretos, no “timing” perfeito.

FHOX – Qual o impacto da inteligência artificial no setor?

Kamata – Estudamos a AI há algum tempo. O exemplo mais fácil seria considerar uma maneira de utilizar a tecnologia para suporte ao cliente. Estamos avaliando a possibilidade de usar a AI para facilitar a comunicação com os clientes, ganhando velocidade e precisão nas respostas. Talvez no futuro, a AI possa ser incorporada nos próprios produtos, mas não tenho ideia de como.

FHOX – A Canon foi listada como uma das maiores marcas dos Estados Unidos em 2017. Essa cultura de inovação é importante?

Kamata – Existem vários rankings que expressam o espírito da Canon. Por exemplo, a Canon é a oitava empresa no Japão em termos de montante investido em desenvolvimento e a 53ª no mundo. Ao longo da última década, a Canon foi a principal empresa no Japão pelo número de patentes adquiridas e em terceiro lugar no mundo todo. Isso mostra que o esforço na inovação tem sido uma forte fonte de backup de nossos bem-sucedidos negócios. Também é importante dizer que a Canon está muito bem classificada nas pesquisas de satisfação do cliente.

FHOX – Existe um limite para a qualidade dos sensores e lentes?

Kamata – Tecnicamente, poderia haver um limite, mas acho que a Canon provou que, pelo menos, não estamos perto do limite do limite, como sempre, o empurramos com inovação. Quando atingimos um limite de uma maneira, inventamos uma abordagem totalmente diferente para superá-lo. Um exemplo poderia ser o Dual Pixel CMOS AF (Auto Focus) que a Canon desenvolveu. Um método convencional de AF foi a detecção de contraste, que movimenta o ponto de foco para frente e para trás para procurar o ponto In-Focus. Isso foi um pouco desafiador para filmar, uma vez que, ao contrário da fotografia, o vídeo precisa estar focado o tempo todo durante a gravação. O chamado DAF foi desenvolvido pela Canon em 2013, e agora está, não apenas nos modelos de linha profissional, mas em modelos como Rebel SL2, EOS 80D e assim por diante.

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