Negócios 9 meses atrás | Leo Saldanha

Eu nem sei (ou quero) fazer o marketing para meu negócio de fotografia

Na rotina do mercado fotográfico "fazer marketing" muitas vezes parece um estorvo, quando na verdade pode e deve ser a solução para quem vive da fotografia

por Revista FHOX

Por que tenho que fazer marketing mesmo? Pois se já sei fotografar, já vivo de vender serviços de impressão ou tenho uma empresa atuando de forma consistente.  Desculpe te avisar ou relembrar> mas você já faz marketing e para todos os negócios de fotografia ele é fundamental. O motivo é simples: porque é a forma de atrair e manter clientes. Não olhar para isso é mais do que um erro. Seria o mesmo que dizer: eu nem sei (ou quero) atrair e manter clientes.

Um breve histórico da fotografia social. Antes esse setor tinha marketing apurado. Nomes de fotógrafos eram reconhecidos e marcas tradicionais se mantiveram atendendo clientes por décadas. Hoje a quantidade de profissionais “explodiu” e com a “nova fotografia popular brasileira” chegou a pressão no preço. Antes o marketing ocorria no relacionamento e na indicação, mas hoje o cliente tem centenas de opções a poucos cliques na internet. Onde tem muita oferta? O valor derrete…

O dilema do fotógrafo – Pior é a postura do “sou um artista e meu trabalho se vende por si só”. Essa é a mentalidade de muitos que atuam fotografando em diferentes segmentos. Por mais talentoso que você seja esse é um pensamento imperfeito por várias razões. Primeiro, arte é subjetiva. O que é bom para você pode não ser bom para o outro. Sem esquecer da segmentação. Se você é popular vai atrair o que é pop. Se é sofisticado vai atrair o luxo e por aí vai. Não que se encarar como artista seja errado. Na verdade essa parte criativa é ótima. Mas achar que não faz marketing ou não querer fazer é bem arriscado. O mais paradoxal nessa premissa anti-marketing é que o fotógrafo já faz marketing mesmo sem querer fazer. E quem decide isso é o consumidor ou potencial cliente. Sobretudo em tempos de hipercompetição e de algo que é absolutamente supérfluo.

Eu nem sei fazer marketing é outra reclamação constante. Aqui talvez seja melhor ser sincero: você não sabe ou não quer fazer? Enquanto isso, muitos fotógrafos e negócios de foto estão correndo e na batalha. Acredite: tem gente no ramo que vai e faz e não fica esperando. Aprendem fazendo, aliás essa é a melhor forma de fazer marketing (agir, acertar, erra e ajustar). O ajuste para a evolução das formas de atrair e manter clientes. Então é melhor franqueza para o seu negócio: você não faz porque não quer. Tendo isso em mente fica mais fácil de aceitar a responsabilidade pela falta de clientes.

A mas tem a culpa da crise, da concorrência, dos clientes caçadores de preço. Encontrar culpados é bem fácil. De novo, enquanto isso tem fotógrafos vendendo por aí. Estão sem tempo para desculpas.

Não, não é fácil e dá trabalho. O que é melhor? ser trabalhoso e ter algum resultado ou não fazer nada e só reclamar? se você é artista pode muito bem nem cobrar pela fotografia. Isso quer dizer: fazer um projeto autoral, fotografar só pelo prazer. Aliás, isso deveria fazer parte da rotina só para tirar o estresse. Agora, querer viver da fotografia só porque suas fotos são lindas…que tal perguntar para o colega ou qualquer fotógrafo do mercado: você acha que suas fotos são lindas? adivinha qual será o índice nas respostas?

O fotógrafo que vai bem não escolhe esse ou aquele marketing. Não fica só no digital ou no mundo real. Ele atua em várias frentes e cria experiências. Ele ouve e atende o que o cliente quer e gera desejo com um pacote completo. Algo que passa valor já no primeiro contato até a entrega do trabalho. Não, isso não é fácil. Ah, um detalhe importante. Esse fotógrafo olha para os clientes e não para os colegas.

Digipix: pioneira no Brasil.

Leo, o que diabos é experiência ou produto único? depende. Quando o fotógrafo cria uma marca poderosa só o fato de ser retratado por ele já é uma experiência. imagine ter um retrato do Bob Wolfenson? Uma experiência única pode envolver outras coisas: veja o exemplo desse negócio que fotografa auras. É fácil copiar? É fácil entregar esse produto?

O negócio de loja de foto ou estúdio em loja – o empreendedor desse segmento ou está muito animado ou desmotivado. Nos contatos da Fhox vemos os lojistas ou negócios de impressão para consumidores finais nos dois extremos. Daquele que criou iniciativas e que está aumentando o preço é criando produtos e serviços para atender a nova demanda do consumidor. Aquele cliente que usa o smartphone e quer fotos em produtos impressos diferenciados.

Na outra ponta estão negócios de impressão que não veem alternativa. Parede que tudo acabou e não existe uma nova opção. O que deu certo antes não funciona mais, não conseguem acompanhar e se adaptarem ao novo mercado. O primeiro (otimista) está tentando e testando. O segundo reclama e não age. Vive de olho no retrovisor.

O fato é que a loja de foto tem a vantagem do ponto físico. Mas nem isso é obrigatório. O case da Phosfato ou da Digipix mostra que você não precisa de um ponto físico (embora a Digipix tenha dezenas de pontos de coleta para a comodidade dos clientes). O que fica claro é que o ponto é marketplace no marketing 4.0. De estar nos canais que os clientes estão. Sejam eles físicos ou digitais. A Phosfato criou uma experiência (assinatura de fotos com algoritmo conectado nas redes sociais) e tem um produto único. Fotos em formato e embalagem exclusiva. A Digipix criou o Fotolivro que virou sinônimo de produto. Por um tempo foi a única do Brasil com impressão em metal que podia ser comprada pela internet. Tanto Digipix quanto Phosfato sofrem e sofreram com cópias. Daí da necessidade de criar novidades e investir na marca. Não é porque você vai bem que vai ficar tranquilo. Por sinal, no marketing tem o ciclo do produto. Isso quer dizer: que de tempos em tempos você tem que se reinventar. Criar um novo produto porque aquele último que foi um sucesso se desgastou. Não é fácil.

Na fotografia de formatura os que vão bem oferecem uma série de experiências. Coisas que envolvem tecnologia, treinamento e no fim gera encantamento. Trata-se de um dia importante na vida da família. Um filho ou filha com uma conquista. Não diferente de um casamento. O fotógrafo ou videomaker é o prestador de serviço. E ainda tem que ser especial, diferente e criar uma bela entrega. Qual é a diferenciação de uma empresa de foto de formatura para outra? talvez seja a marca forte que é garantia de “não ter calote”. No caso da fotografia de família e bebês não é diferente. A fotógrafa tem uma assinatura visual, mas vende a segurança do cuidado com o bebê, de que estará no local combinado na hora certa e que vai me entregar o álbum no prazo combinado. Tudo parece básico, mas tem gente por aí que não cumpre nem o básico. Fica a dica como oportunidade de marketing.

O problema é que todos os negócios de fotografia podem entregar experiências, ou criar produtos diferenciados. Podem encantar do primeiro ao último contato. Então a pergunta é: se eu fizer tudo isso e meus concorrentes também…o que tenho de diferente mesmo? nada e tudo. o que você tem que o colega ao lado não tem é a sua marca única, você. Sempre com a chance de criar algo novo e se for copiado vai ter que criar de novo. Esse é o jogo do mercado, de qualquer negócio.

No topo do mercado em diferentes segmentos os melhores e que faturam mais (sucesso para mim é pagar as contas no fim do mês, salvar algum e ter reconhecimento dos clientes). As referências de qualquer segmento trabalham muito e com foco no cliente. Normalmente trabalham de olho nos 20% que geram 80% do faturamento e esses mesmos fregueses se tornam vendedores do seu negócio para novos clientes. Esse é o melhor marketing que existe. Dos clientes satisfeitos que gera boca a boca. Outra coisa que eles tem em comum é o investimento no produto único com valor adicionado. Seja um álbum sofisticado, um fotopresente exclusivo ou envolve um novo produto. Tem fotógrafo vendendo até GIF. No fim, uma combinação de fatores que eleva o nível da marca e posiciona esses cases em um patamar distinto. E não, eles não dizem que não sabem ou não querem fazer marketing.

Se quiser e precisar de ajuda com seu marketing na fotografia conte com o R.U.M.O da Escola de Negócios FHOX.