Negócios 2 anos atrás | Leo Saldanha

Estudo de caso: GoPro quase 10 anos depois

Antes um case de sucesso, agora GoPro agora luta para se renovar, inovar e sobreviver

por Revista FHOX

Quase 10 anos depois de lançar a linha Hero (HD), a GoPro acaba de anunciar alguns números. Com a Hero HD, a fabricante vendeu até hoje 30 milhões de câmeras de ação. A marca segue como campeã de vendas nos Estados Unidos por exemplo. Por lá, a GoPro segue como líder na categoria por 17 trimestres seguidores. Só da linha Hero 5 a marca vendeu quatro milhões de unidades.

A história da GoPro é fascinante, o fundador e CEO Nicholas Woodman, era surfista e vivia na própria Kombi (que servia também para montar as câmeras e levar o estoque). Ele começou criando uma câmera com filme 35mm e depois desenvolveu um modelo digital. No início, as GoPro custavam menos de 20 dólares. Quase sem capital, conseguiu ajuda da família e depois atraiu investidores. Sucesso entre esportistas (sobretudo nos esportes extremos) a GoPro virou sinônimo de vídeos de ação. Tomada espetaculares de saltos, mergulhos, trilhas e afins. Chega a ser curioso que de tão certo, o negócio tenha caído justamente pelo sucesso dos vídeos criados pelos usuários. A GoPro acreditou que poderia diversificar virando um YouTube ou algum outro tipo de gerador de conteúdo. A aposta em conteúdo e a falta de foco atrapalharam. A empresa também apostou em drones e isso deu ainda mais errado. Com direito a recall da linha Karma (nome que depois virou motivo de piada por razões óbvias).

Woodman em 2002 junto ao pai e ao lado da Kombi (que depois foi roubada com todo o estoque). Foto: Nathaniel Welch.

O fato é que um dos principais desafios da GoPro sempre foi sair das tribos esportivas e aventureira. Tentou (sem sucesso) apelar para famílias e usuários comuns. Criou acessórios para grudar a GoPro no pet e afins. Não pegou. Algo que pode ser explicado por vários motivos: preço alto, concorrência de várias frentes de produtos mais baratos, etc. Dois pontos atrapalharam mais recentemente. O avanço dos smartphones (cada vez mais resistentes) e a quebra de alianças importantes. Exemplo: a DJI era um importante aliado que ajudava a GoPro a vender câmeras. Quando a marca chinesa decidiu produzir as próprias câmeras o cenário ficou mais complexo. Outro desafio, parecido com o do Apple, é o efeito GoProblem. Os produtos da marca são tão bons que o usuário não compra o modelo mais recente.

O CEO Nicholas Woodman. Propósito e significado sempre fizeram parte da missão da empresa. Autêntica no próprio amor pelo surfe que o dono tinha. O problema é que ele perdeu o foco no significado que fez a marca se popularizar

O próprio fundador relatou em uma entrevista do ano passado que o erro foi a perda de foco nas câmeras de ação e no propósito e significado que fez da empresa tudo o que ela representa. A empresa que antes valia mais de 1 bilhão, hoje vale 700 milhões de dólares. Agora, a GoPro espera ser comprada por alguma marca interessada. Quem será que vai levar?

>> Xiaomi pode comprar a GoPro 

>> CAMERACLUB: BENEFÍCIOS E DESCONTOS EM MAIS DE 2 MIL VANTAGENS EM UMA COMUNIDADE COM MAIS DE 4 MIL MEMBROS 

Se você tem uma matéria, um relato, uma coluna, um tutorial ou qualquer outro tipo de conteúdo e quer contribuir com o FHOX.com.br, nos envie! Nosso departamento de redação vai analisar e, se aprovado, será publicado e assinado por você, respeitando todas as regras do direito autoral. Colabore clicando aqui: Você na FHOX.