Negócios 4 dias atrás | Mozart Mesquita

Digipix e Indimagem: a retomada

A fusão que formou o maior laboratório da América Latina trouxe desafios na nova sede em Joinville

por Revista FHOX

Texto por Mozart Mesquita e Thalita Monte Santo

Fotos por Cesar Castro

Há um ano, Digipix, em São Paulo, e Indimagem, em Joinville (SC), anunciavam a fusão de suas operações, visando expansão ao unir expertises e legados de sucesso. Na época, Marco Perlman, da Digipix, e Thiago Weigsding, da Indimagem, falaram com FHOX das perspectivas. No entanto, a instabilidade da economia e a transferência da produção da Digipix para Joinville trouxeram impactos sensíveis à logística que atingiram seus clientes no prazo de entrega das ordens de serviço. Sobre esses meses sombrios, de colocar a casa totalmente em ordem, os dirigentes receberam a revista em Joinville, a usina de fotolivros das duas marcas. É um parque fabril instalado em mais de seis mil metros quadrados de área. Estão confiantes nessa nova fase de reconquista. Acompanhe a seguir.

 

FHOX – Por que a mudança foi feita e qual a lição?

Perlman – Para a gente estava claro que integrar as empresas realmente significava integrar. Então tinha de escolher aonde iria cada coisa, não necessariamente em um único lugar. E foi isso que aconteceu. A pergunta era se fazia sentido levar tudo para São Paulo, ou trazer tudo para Joinville. São Paulo é uma cidade com vocação de serviço, não mais industrial. Não dá para dizer que nunca mais vamos mudar, mas não é uma mudança que acontece a cada seis meses ou um ano, a gente já comentou isso no começo do ano passado, no meio da transição inclusive. Espaço tem na nova fábrica para um grande crescimento.

 

FHOX – Como foi o processo de mudança?

Perlman – A melhor notícia dessa mudança que foi tudo, menos simples. Foi que o nosso relacionamento e a nossa maneira de trabalhar estão melhores do que qualquer expectativa que eu poderia ter tido. E isso me dá uma confiança e uma alegria enormes olhando para frente. Uma coisa era a gente negociar e falar: “Que legal, a gente negociou uma fusão e todo mundo foi razoável e não teve nenhum estresse”. Outra é passar por quatro, cinco meses de dificuldades de instalação, de integração e sair com o relacionamento fortalecido. Para mim, o maior ganho foi ver como fortaleceu a nossa forma de trabalhar juntos.

 

FHOX – O que é esse fortalecimento em termos de equipamento, pessoal, dimensões? Qual é a nova Digipix?

Weigsding – A nova DIGIPIX volta a juntar a essência, que é das duas empresas, para virar uma grande essência. Buscando novas tecnologias e inovações, que é o que sempre, tanto Marco quanto eu, fazíamos. Novos softwares, novos produtos, novos negócios e tentar passar para o mercado algo inovador, para realmente ser líder.

 

Perlman – Com certeza! Passeando hoje pela produção, a primeira coisa que chama atenção são nossos três tanques de guerra, três Indigos de bobina, monstros de produção. Lembro quando compramos a primeira e falamos: “Somos a única grande empresa que tem uma máquina de bobina para fazer fotografia na América Latina”. Agora temos três. Isso é meio simbólico, você ver o tamanho dessas máquinas e a quantidade de produção, a qualidade que têm. Porque a capacidade de investir em equipamentos de ponta é fundamental e hoje, cada vez mais.

 

FHOX – Os senhores tiveram de fazer um processo de concentração e foram menos vistos no semestre passado. Houve um foco voltado para dentro da empresa?

Perlman – Acho importante dizer que isso teria acontecido de qualquer maneira, a nossa força sempre veio de dentro. Quando a gente fala de tecnologia, de produto, de equipamento, de processo, apesar de termos diferenças, nenhuma das duas empresas jamais foi de vender espuma. A gente sempre se preocupou em primeiro ter para depois mostrar. E a gente sabia que esse segundo semestre era o momento de focar em garantir que as coisas funcionassem. Foi mais difícil do que a gente imaginava, mas com certeza não existia uma expectativa de ficar fazendo barulho no mercado enquanto as coisas não estivessem 100%, que não é a nossa cara de jeito nenhum. Sumimos porque estávamos trabalhando 20 horas por dia, sete dias por semana. Sofreram nossas famílias, sofreu nosso corpo, nossa cabeça, e, infelizmente, sofreram nossos clientes. Mas fizemos o possível para que isso fosse imunizado.

 

Weigsding – E quando a gente fala que a mudança acabou, ela acabou. A fábrica está aqui, as coisas estão em pé. Existem pequenos ajustes para deixar a empresa ainda melhor. Aperto de parafuso aqui, um ajuste ali, e dá para fazer um negócio ainda melhor.

 

FHOX – Pensando em melhorias, o que vem para 2018?

Weigsding – Não sei se precisa dar nome aos bois, mas tudo o que foi feito, foi visto. Falando de marcas, a Digipix ganhou bastante em processo. Os clientes poderão ver bastante diferença em termos de impressões, de produções, produtos e materiais. Acho que a parte de decoração tem todo o sentido e a Indimagem vai começar a oferecer decoração de ponta. Todas as marcas vão ganhar bastante.

 

FHOX – Como enxergam o cenário competitivo em 2018? Existe algo entre clientes e concorrentes que ficou desagradável?

Perlman – Prefiro olhar o lado positivo, especialmente porque pensar em coisas ruins não faz bem a ninguém. Óbvio que tiveram coisas que nos machucaram, mas fiquei muito grato e orgulhoso pelos relacionamentos que a gente tinha, por uma série de pessoas que foram espetaculares, ofereceram ajuda, nos defendiam sabendo das limitações e dos problemas que estávamos passando. E, com sinceridade, as coisas eventualmente ruins que aconteceram, enterrei em 2017. E essa gratidão trouxe para 2018. Tem uma série de pessoas que estão lendo a revista e sabem que são delas que estou falando. Sou realmente muito grato a todo esse apoio e espero sempre fazer por merecer essa generosidade.

 

Weigsding – O que mais me deixou surpreendido e feliz foi saber que, além de amigos, parceiros, clientes mais próximos, pessoas que eu nunca tinha visto, talvez só em um pedido, estiveram conosco nessa fase difícil e agora na nossa retomada também. Pessoas comemorando que a empresa voltou à normalidade, entregando antes do prazo e com qualidade até superior.

FHOX – Falando de competição, mudou alguma coisa?

Perlman – Em primeiro lugar, a gente tem um ambiente competitivo que, na sua imensa maioria, é de respeito. É gente séria, competente, tem um nível de respeito, uma coisa muito legal dessa indústria. Acho que tanto o Thiago quanto eu, apreciamos isso na indústria de fotografia, que na verdade quer crescer. Querendo valorizar a fotografia, querendo que cada vez mais pessoas consumam fotografia. Sejam os amadores, os fotógrafos, para atender os amadores que os contratam. E uma indústria fraca não faz o menor sentido. É muito bom você estar em um ambiente em que cada um tenta maximizar o seu, mas todo mundo entende que é mais importante crescer a torta do que pegar um pedaço maior de uma torta menor. Acho que, com raríssimas exceções, a gente sentiu respeito de concorrentes, embora cada um procurou, da melhor maneira possível, se aproveitar da nossa situação. Mas de novo, com respeito e com lealdade, que são importantes. Acho que eles podem continuar esperando isso da gente. É obvio que temos toda a intenção não só de retomar como de crescer, porque é essa a intenção da fusão, da modernização, dos investimentos, assim foi e assim será. Então, o que não muda? A forma ética e leal de fazer negócio e a seriedade com o que a gente encara o business.

 

FHOX – O que os senhores têm a dizer aos clientes?

Perlman – O que eu quero falar a eles é obrigado por estarem com a gente nesses quase 14 anos de Digipix, desses quase dez anos de Indimagem. E obrigado por entenderem que esses últimos quatro, cinco meses do ano de 2017 foram um percalço e um momento dolorido para nós. Queria deixar registrado um pedido de desculpas pelos erros que a gente fez e um agradecimento por estarem com a gente hoje. E a promessa de que a gente vai trabalhar muito duro para construir um mercado de fotografia cada vez melhor daqui para frente. A gente já está mais forte hoje do que há um ano, e extremamente energizados para o que vem nos próximos meses e anos.

 

Weigsding – Faço das palavras do Marco as minhas. Realmente tudo o que não dá para resumir a gente lamenta, mas fica feliz com toda a experiência nesse caminho. E mais feliz ainda em saber que tem um mercado, uma multidão de amigos que realmente nos acolheram como padrinhos para estar junto nessa busca de alegrias, desafios constantes. Por decisão nossa, nos afastamos devido à nossa transparência total, não adiantaria lançar campanhas, promoções, dizendo que estava tudo bem. Esse é um desafio que quero para este ano! Vou estar mais próximo do mercado, entender e sentir quais são as dores e trabalhar com os nossos clientes. Mas, resumindo, agradecer pela paciência que todos tiveram conosco nessas últimas semanas. Será um ano, com certeza, de muitas alegrias, tanto para nós quanto para o mercado.

A visita da FHOX nas novas e impressionantes instalações da Digipix/Indimagem em Santa Catarina

FHOX visita a nova Digipix em Joinville e conversa com Marco Perlman e Thiago Weigsding – /negocios/fhox-visita-o-parque-fabril-da-digipix-indimagem/

Posted by FHOX on Wednesday, February 21, 2018

>> CAMERACLUB: UMA COMUNIDADE DE BENEFÍCIOS E DESCONTOS COM MAIS DE 2 MIL VANTAGENS E 3 MIL MEMBROS 
Se você tem uma matéria, um relato, uma coluna, um tutorial ou qualquer outro tipo de conteúdo e quer contribuir com o FHOX.com.br, nos envie! Nosso departamento de redação vai analisar e, se aprovado, será publicado e assinado por você, respeitando todas as regras do direito autoral. Colabore clicando aqui: Você na FHOX.