Negócios 2 meses atrás | Leo Saldanha

Covid-19: Marketing em tempos de crise

Nesse momento sem precedentes na história devo divulgar e vender? A resposta é: "não do jeito que você fazia"

por Revista FHOX

Aparecer com uma promoção de última hora com foco no preço. Se for só para vender vai parecer estranho, oportunista. E se a iniciativa envolver algo que tem a ver com esse momento? E se a mensagem estiver adaptada. Esqueça o olhar só em faturar, as pessoas estão pensando no básico e nem querem saber de comprar nada. E se quiserem? As perguntas condicionais daqui para frente devem ser feitas diariamente até segunda ordem. E se o cliente quiser isso e se eu fizer aquilo. O ponto principal: ouvir quem já comprou de você ou poderia comprar. Compras não estão bem equilibradas na mente de todos. “Minhas contas como vou fazer?” e as “próximas semanas?”. A grande pergunta na verdade é: será que as coisas serão diferentes daqui para frente? Tudo indica que sim. Na Austrália nesse momento os casamentos podem até ocorrer. Desde que tenha só cinco pessoas. Demos a história recente de um premiado fotógrafo que clicou o casamento com uma lente 400mm e fotografou do estacionamento por questões de segurança. Isso se chama adaptação.

Bom senso é questão prioritária. As pessoas agora mais do que nunca notam a planilha por detrás da sua ação. Ou seja, se for oportunista e fake elas vão perceber. Marcas mundo afora estão se adaptando a essa realidade. Isso não quer dizer parar de fazer marketing, muito pelo contrário. Quer dizer se relacionar, agir de forma mais humana. Fotógrafos, laboratórios, varejo fotográfico e a própria indústria pensavam em clientes como número muitas vezes. Quantos leads, quantos cadastros, quantos prospects e por aí vai. O desafio nesse instante é dar muitos passos para trás e olhar pessoas. O que elas estão precisando nesse momento? A fotografia não é nem de longe necessidade básica na rotina não é mesmo? Se bem que selfies seguem sendo feitas, aniversários menores ocorrem da mesma forma (nem que sem três pessoas), as fotos e vídeos continuam ocorrendo. As pessoas estão em casa. Mais de um bilhão de crianças estão com suas famílias. A verdade é que o momento (histórico) ocorre nesse instante e as memórias fazem parte disso. Quem são os agentes da memória mesmo?

Personalização – Não, não é para sair oferecendo todo tipo de ideia de forma massificada. Atuar caso a caso é mostrar humanidade é o melhor caminho. Está muito claro para mim que o marketing vai se tornar mais humano é super personalizado. Para grandes marcas esse será um desafio. Para os fotógrafos essa é uma facilidade. Para todos uma oportunidade.

A hora não é de vender como sempre vendemos. Ou de nos relacionarmos como de costume. Nos EUA já tem gente casando pela plataforma Zoom. E aqui aniversários via Skype. A transformação digital vem como obrigação e necessidade. Contudo, tem mais a ver com a maneira de se fazer isso. De se importar de verdade. E isso não será fácil. Aqueles que tiram sarro de empatia (talvez por não entender o que é isso) vão ficar de fora da nova fase.

O fato é que todos estamos nivelados. Gente que começou em janeiro na fotografia e quem tem muitos anos de estrada estão na mesma condição. Tudo mudou. O marketing que era feito antes não vai funcionar mais. O que não joga fora as técnicas e ferramentas e preceitos no lixo. Só precisamos de uma nova abordagem. De olhar e cuidar caso a caso em uma atuação que vai do menor para o maior. Crescer de novo de forma orgânica. Claro, produto ou serviço vão seguir cruciais. O jeito de vender vai envolver relacionamento, conteúdo e cuidado. Vai ser muito mais “eu posso fazer isso para você do jeito que gostaria” do que “eu tenho isso. Quer comprar?”. Nunca acreditei em fórmulas prontas ou receitas prontas. Agora elas fazem menos sentido ainda. O jogo resetou e essa é chance para você criar algo novo, diferente e com cuidado. Uma abordagem humana em tempos de desamparo me parece que indicará o cuidado e a solidariedade como o melhor caminho. E no marketing não será diferente…

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