Negócios 2 semanas atrás | Leo Saldanha

Covid-19: a hora da transformação digital virou obrigação

O impacto do novo coronavírus pede uma mudança de postura que vai muito além do momento. Talvez seja a oportunidade que faltava para se reposicionar digitalmente

por Revista FHOX

Embora hoje digital, a fotografia sempre foi e será um negócio físico. Você pode perguntar: como assim? A resposta é simples. Pois o ato de fotografar e tudo o que é gerado a partir da fotografia depende do mundo real para existir. Eventos sociais, corporativos, sessões na casa do cliente ou no estúdio. Ou vai ser via fotógrafo ou pode passar pela loja de foto, laboratório ou empresa de foto de formatura. Inegável é que tudo depende de pessoas para gerar cliques e memórias. Como se adaptar com essa nova realidade? em que as pessoas pararam (ou vão parar) de fazer todo tipo de atividade social, viagens, etc?  Com as medidas do governo e o avanço do coronavírus as restrições de circulação se tornam impeditivas para a continuidade do ramo. O caminho sem volta é a transformação digital genuína que inúmeros negócios evitavam até então. Agora pode ser questão de sobrevivência. Resumindo: buscar estratégias de coisas latentes que podem gerar negócios. E isso depende, dadas as condições atuais, depende diretamente do mundo digital.

Um panorama para cada segmento faz-se necessário:

Lojas de foto e estúdios – aqueles que dependem de seus pontos físicos terão que mudar a rotina. No caso das lojas de foto a alternativa seja a impressão online. Como assim? Em algum momento esses negócios físicos terão que se digitalizar buscando o atendimento mais virtual. Em algumas regiões o comércio será fechado. Mas em algum momento irá retornar. Seja como for é a oportunidade para a loja de foto mergulhar de vez no serviço de imprimir fotos pela internet. De usar o WhatsApp e outros canais digitais para servir aos clientes. A oportunidade é real e a partir de agora os clientes estarão mais disponíveis para isso. Como você pode mudar seu negócio para esses novos tempos? Exemplo: os consumidores estão juntos em casa e tem muitas memórias abandonas em HDs, smartphones e na nuvem. Como eles podem transformar isso em produtos como álbuns e afins?

Para o estúdio não é diferente. Considerando inclusive a possibilidade de passar a imprimir também e entregar na casa dos clientes. Coisa aliás que muitos estúdios fazem no Brasil todo. É isso e também focar mais em fotografar na casa dos clientes. De novo, passado o cenário de reclusão, os donos dos estúdios e fotógrafo terão que aparecer com soluções de levar o negócio até o cliente. Pois esperar que ele venha até você talvez se torne muito complicado. Contudo, o que o online tem a ver com isso? Tudo. Pois a forma de se comunicar e de informar os consumidores será 100% via na palma da mão. Os clientes que já não estão ficarão muito mais online.

Desconectados. Pode parecer surpreendente falar disso para muitos do mercado. Gente que talvez esteja mais preparada e posicionada na internet pode nem saber, mas sim, muitos negócios de loja de foto e estúdios muitas vezes nem tem site ou presença consistente nas redes sociais. Estão defasados e vivendo da clientela recorrente só na base da visita presencial. Só que agora os consumidores não podem (ou não poderão sair). O que você pode fazer para aparecer e se relacionar e atender esses clientes? A alternativa do contato digital em tempo real é uma necessidade imediata.

Lá fora os negócios de fotografia dos mais variados apostam na venda via Instagram combinada com WhatsApp. O insta como vitrine e relacionamento e informação. O WhatsApp como canal de contato e venda. Uma tendência que avança de forma agressiva. E no Brasil os dois canais: insta e zapzap são super importantes. Você esta trabalhando integrado e com estratégia nesses ambientes?

Foto: Tara Rochelle

A empresa de foto escolar ou foto de formatura se coloca em um quadro de quarentena forçada com o fechamento das escolas e universidades e adiamentos de formaturas e afins. O que fazer? Criar um produto digital como slideshows ou pensar em ofertas de produtos especiais caso a caso? Seja uma grande empresa ou pequena, esses negócios lidam com pessoas. Os empresários tem contatos de clientes que estão em casa. Será que um determinado momento os clientes em casa não teriam interesse em uma nova abordagem desses negócios? Não existe uma resposta fácil, mas a criatividade é um caminho. Propor e pensar o que pode ser feito para não ter um ano perdido. Será que o EAD vai avançar com rota ainda mais importante para instituições e pedindo uma postura mais estratégica para os negócios de fotografia que trabalham com esses segmentos?

Foto: Kelwynn Ramos

Os fotógrafos dos mais variados segmentos buscam alternativas com campanhas de apoio coletivo entre colegas e mais: incentivando aos clientes que “remarquem, não cancelem eventos“. A Fhox preparou 30 medidas práticas para quem atua no mercado. Saiba mais aqui: Covid-19

A transformação digital da fotografia aparece como oportunidade e desafio. E a chance para todos se adaptarem é essa. Não é fácil e pede como o próprio termo diz: uma transformação. Se serve de consolo e apoio o case da Lego é dos mais oportunos. A lendária empresa de peças de plástico estava a beira da falência anos atrás quando se transformou. Não só no ambiente físico criando produtos também para adultos, mas sobretudo no digital. Lançando videogames, desenhos, filmes e agora em nova fase com brinquedos de pecinhas com recursos de realidade aumentada.

Está todo mundo conectado? Não. Estimativas indicam que 60 milhões de brasileiros não tem acesso à internet. Isso mesmo. E olha que temos mais smartphones do que habitantes no Brasil. Uma parcela da população, quem sabe, mudará o comportamento com a quarentena. Quem sabe estejam mais propensos ao relacionamento, consumo e contato digital. Os que já estão acostumados provavelmente devem intensificar as condutas online. Claro, essa mudança envolve foco evidente em uma adaptação para a expansão do universo dos dispositivos móveis. Tudo tem que ser feito e pensado digitalmente para a nossa rotina na palma da mão. Aliás, onde você está lendo esse texto mesmo? Se isso não te fizer pensar aí complicou.

A transformação digital virou mais do que necessidade ou obrigação para os negócios de fotografia. Agora pode ser de fato uma questão de sobrevivência.

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