Negócios 1 ano atrás | Leo Saldanha

Chegou a hora do fotógrafo da família

Com a crise e a competitividade cada vez maior, ser o fotógrafo de uma família por uma vida toda se torna cada vez mais valioso. Mas é um desafio que vai muito além dos cliques

por Revista FHOX
Foto premiada de Irmina e Savio. O Panoptes é um talento tipo exportação. autenticidade e fotografia autoral na fotografia de família

Chega a ser curioso que a fotografia de família apareça em destaque em eventos, posts e matérias. Embora seja um estilo que existe desde o começo da fotografia, o segmento retornou com força e como “bola da vez” no mercado fotográfico nos últimos anos. Isso tanto aqui como lá fora. Prova disso é a abordagem documental. Dos fotógrafos que passam um dia todo com a família para mostrar momentos de intimidade. A questão é que todo o debate ficou muito mais sobre clicar famílias do que entender o verdadeiro potencial desse mercado. É algo que a FHOX divulga já faz um tempo. Seja em palestra ou conteúdo da revista e do site. Primeiro por ser um mercado do tamanho do Brasil. Segundo, porque é a chance real do fotógrafo ter clientes para uma vida toda. Basta notar o seguinte: o fotógrafo de casamento, newborn, do aniversário e afins é um na sua essência um fotógrafo de famílias. O casamento é o começo da história, depois vem a gestante, o parto, newborn, acompanhamento, aniversário, batizado e assim vai. Se fizermos as contas, quantos anos daria em termos de cobertura? Ou melhor, quanto de faturamento representa todas essas oportunidades com uma mesma família? Pelas contas da FHOX, de 100 a 200 mil reais entre 10 e 15 anos cobrindo a mesma família considerando casamento, newborn e todas as outras oportunidades de cliques. Obviamente são poucos os fotógrafos que conseguem atuar dessa forma (fazendo tudo) e garantindo que os clientes queiram retratar todos esses momentos importantes. Contudo, a figura do fotógrafos clássicos que seguem na ativa depois de décadas com uma marca forte é bem assim. Acabam fotografando várias gerações. Os fotógrafos de renome do mercado e que se tornaram marcas tradicionais criaram a fama justamente atendendo as mesmas famílias e sendo indicadas entre eles para amigos e parentes. Um ciclo virtuoso. O problema é que o mercado mudou e muito. Nunca foi tão fácil virar fotógrafo, nunca foi tão fácil divulgar o trabalho. Some a isso uma crise sem precedentes e ser fotógrafo da família se torna uma atividade complexa.  

Hellen Ramos

Hellen Ramos é fotógrafa de família em São Paulo. Para ela o mercado encontra-se dividido, mas segue aquecido. “Temos o público que valoriza e entende a importância da fotografia e investem e temos o público que prioriza preço e vantagens” diz. Para ela existe um mercado só dos fotógrafos de família. Tanto que esse é o segmento que ela atua com exclusividade. A fotógrafa oferece álbum, decoração com fotos e pen-drive personalizado aos clientes. O marketing mais eficiente para ela é o boca a boca (algo que quase todos os entrevistas concordam). Embora ela não deixe de lado marketing digital nas redes sociais e parcerias com fornecedores. Pois aparecer sempre é fundamental. Aparecer bem é o que vem fazendo Nina Estalisnau do Clicks da Nina. A profissional desponta como referência na área. A fotógrafa é cada vez mais requisitada para palestras e cursos on-line. Atuando em Belo Horizonte e com mais de 400 sessões de newborn na bagagem, Nina nota que o mercado está cada vez mais preparado para atender a fotografia de família. “Cabe muito ao fotógrafo educar seu cliente, e estamos conseguindo isso com cada vez mais sucesso. Com pouco esforço o cliente já está conseguindo enxergar os valores intangíveis da fotografia de família e mais aberto para consumir outras vezes” diz ela. Sem sentir a crise, Nina diz que em termos de trabalho está bem e crescendo. Ela procura incentivar os clientes a sobre a importância de imprimir. “Seja com álbum, impressões em papel fotográfico ou quadros, o impresso é a única certeza de perpetuar aquele registro. O digital é efêmero e se perde fácil! Essa nova geração é muito fotografa da e ao mesmo tempo pouco registrada, pois quase todo esse material digital produzido se perde” conclui. O marketing da marca é feito em revistas e nas redes sociais. Outro caminho encontrado por ela foi a participação em feiras voltadas para o público-alvo. Esse é o outro ponto similar aos negócios que vão bem no ramo. Atuação consistente no mundo virtual e real.  

Irmina, Sávio e a família. Tour pela Europa e a venda de experiência na fotografia de família

A venda de experiência é outro diferencial. Se existe um forte apelo na fotografia de família em todas as suas vertentes é a venda da experiência. Mas o que seria uma experiência? Uma sessão de fotos com os pais e as crianças é uma oportunidade de união, diversão e o registro disso é uma bela desculpa. Um encontro de quem se ama. Mais do que isso, uma oportunidade de gerar belas fotos, álbuns e outros produtos impressos. Para Irmina Walczak dos Panoptes (de Brasília), os clientes não param para pensar se o fotógrafo é de família, casamento ou newborn. “É um fotógrafo que vai proporcionar o momento e garantir os cliques. Ele (o consumidor) simplesmente se identifica com determinada fotografia e/ou fotógrafo e passa a desejar aquela experiência. Seja pela experiência propriamente dita ou pelo produto final: as fotos” diz ela. Segundo Irmina, quem costuma pensar no mercado e nas suas possibilidades são os fotógrafos. “Outro dia fomos numa loja de fotografia pra fazer uma foto para o passaporte dos nossos filhos. Além da foto padrão, séria, com o fundo branco, a fotógrafa tirou uma foto deles sorrindo num fundo colorido e depois nos mostrou e perguntou se não queríamos comprá-la. Na hora pensamos, nossa, que interessante! Já havíamos feito esse tipo de foto para documentos em outros lugares e nunca nos haviam oferecido nada além do demandado. Nós, como fotógrafos, vimos naquilo uma estratégia de mercado. Provavelmente aqueles que não são profissionais da fotografia vão simplesmente levar ou não a foto sem reflexão alguma” relata. Irmina faz um contraponto sobre a ideia de que o casamento, newborn, gestação e outros momentos importantes são urgentes. E que por isso o cliente não tem outra alternativa. Para ela, na verdade todos os momentos cotidianos não voltam mais e tem sua importância para uma família. “O cotidiano ainda precisa se mostrar mais necessário. Falamos isso pensando em generalizações e grandes públicos, porque os nichos sempre vão existir”. Atualmente está na Europa em um projeto de fotografia.

 

Ela e o marido Sávio atuam com fotografia autoral e de família. Recentemente os dois ganharam um prêmio de fotografia renomado, o Head On Photo AWards da Austrália. O casal também já foi destaque no Lens Culture do New York Times. Um belíssimo retrato de família que é capa da FHOX dessa edição. “O fato de que a nossa foto não foi o único registro familiar que recebeu o prêmio. Outras duas imagens que retratam cenas intimas familiares ganharam o destaque nesse concurso que de forma alguma não tem em sua proposta promover fotógrafos de família. Talvez seja uma crescente da fotografia de família, dos documentos familiares no mundo da arte” diz ela. Na visão dela esse mercado da fotografia de família se desenvolve dia a dia. O Panoptes diz não ter sentido a crise. E enfocaram em levar a experiência e o estilo dele para fora de Brasília. Primeiro, o casal saiu pelo Brasil oferecendo o serviço “Trocas Orgânicas” que proporciona uma experiência para os clientes. “Pouco tempo depois, nos mudamos pra Europa. Então não tivemos muito tempo pra avaliar a crise de perto. Aqui ela não é sentida ou melhor não existe o discurso da crise que deixa todo mundo paralisado e sem querer gastar. Mas a gente já conversou e tem conversado com alguns fotógrafos que revelaram passar por certa dificuldade” diz ela. O grande projeto dos Panoptes é internacionalizar do trabalho de fotografia de família Um processo que já começou com os prêmios e no tour da família pela Europa. “Há sociedades, que, ao contrário da brasileira, são muito pouco conectadas às redes sociais. Acessá-las em pouco tempo e antecedendo a nossa chegada no local tem sido um desafio” diz ela.  

Panoptes

Se hoje todos são fotógrafos, com pais perambulando com uma câmera no bolso e postando o tempo inteiro nas redes sociais o impacto para os fotógrafos fica evidente. Para que contratar um fotógrafo se posso receber fotos espontâneas dos convidados. Usar uma hashtag da festa para estabelecer um álbum. Os fotógrafos dizem que isso não garante imagens profissionais. É verdade, mas e se para o consumidor isso não for fundamental. Até porque se estabeleceu uma estética Instagram que deixa as fotos belas o bastante. “Existem milhões. A fotografia de família é tão abrangente quanto a quantidade de cidadãos de um pais. Pais, mães que fotografam seu filhos, casais que fotografam seus momentos juntos, amigos que se fotografam uns aos outros, animais que são fotografados pelos seus donos, etc. Acho que nunca na história da humanidade tivemos tantos fotógrafos de família. Por isso, achamos que a fotografia de família deveria interessar a todo mundo. Todos deveriam refletir a fotografia de família, assim como todo mundo deveria se interessar pela culinária, pois também comemos todos os dias. Achamos que a culinária, profissionalmente falando, está mais desenvolvida que a fotografia. Existe praticamente um restaurante em cada esquina. Quando fomos nessa loja de fotografia para fazer as fotos para o passaporte, havia uma loja que vendia sanduiches na esquina e tinha fila, enquanto a loja de fotografia, provavelmente a única do bairro, estava vazia. Acho que a culinária tem um grande amigo que é o estômago. Ele está o tempo inteiro nos lembrando que é importante comer. A visão não possui nada em seu aparelho que seja tão ‘reclamão’, mas ver coisas belas é tão importante quanto degustar um bom prato. Os dois são alimentos pra alma” diz Irmina.  

Mauricio Messa

Ser fotógrafo da família vai além de sessões em casa ou externas. Afinal, existem eventos familiares relevantes. Aniversário, batizado e por aí vai. Um exemplo dessa combinação de eventos e sessões de família está no trabalho de Mauricio Messa, fotógrafo de família no Recife. A atuação dele é voltada para eventos relacionados. Hoje 70% do trabalho dele é enfocado em batizados, festas infantis. Os outros 30% são para sessões com família, bebês, gestantes, crianças. “Nas duas áreas, são muitos entrantes nos últimos 4 anos. Ao longo desse período, mais na área de eventos, a qualidade do trabalho dos profissionais que entraram também cresceu bastante” diz ele. Para Messa, os consumidor não entendem um fotógrafo como de família. A contratação é pontual e pela necessidade do momento. “Por exemplo, enxergam mais o “mercado de festa infantil”, colocando decoração, bolos, doces, recreação etc. tudo no mesmo mercado (o que não deixa de ser, mas posiciona o fotógrafo como mais um serviço). Igualmente na maternidade, tem as fotos, mas também tem a decoração da maternidade, e uma infinidade de produtos e serviços que envolvem o momento da maternidade. Tem clientes que atendo há anos só fazendo eventos, não valorizam as sessões ou não enxergam meu trabalho como de sessão de fotos. Outros só me contrataram para sessões de fotos” explica. Ele reduziu a divulgação de cobertura de festas justamente para ampliar as sessões de família e ser reconhecido nesse mercado. “Já estou tendo muito mais procura para sessões de fotos em geral” conta. Ele diz não ter sentido a crise por atuar em várias frentes. “Tenho a sensação de que aqui as famílias precisam de um motivo especial para contratar um fotógrafo: estar grávida, batizado, aniversário. É difícil fazer uma sessão de família com os pais e filhos sem um motivo especial. Até as que fiz em que a cliente não estava grávida, quase todas tinham um motivo que não só as fotos: para marcar os 10 anos de casados” diz ele. Messa vende no pacote álbuns e impressões. Agora ele conta com uma impressora própria e está planejando uma linha nova de produtos com caixas, porta-retratos, etc.

Mauricio Messa

“Queremos pensar em presentes, para ocasiões especiais, como dia das mães, por exemplo. Presentes de netos para avós e outros” conta. O marketing é todo feito na base do relacionamento forte com os fornecedores. “Optamos por desenvolver uma rede de fornecedores que vamos nos alinhando: desde encadernadoras, costureira, bordadeira, ilustradora, designers gráficos, ateliês de caixas em tecido, profissionais que trabalham com madeira etc. Viemos da área de marketing e comunicação, mas sempre buscamos atualização com cursos e outros conteúdos. O marketing principal continua sendo o boca a boca, mas claro que as indicações são resultado de muito trabalho, de ações que vamos fazendo e desenvolvendo ao longo do tempo dentro do relacionamento com clientes, parceiros, muitos aspectos de comportamento, detalhes de serviços e de produtos, que acabam trazendo valor e gerando novos trabalhos e novos clientes”.  

Amanda Delaporta

Amanda Delaporta é fotógrafa de família e newborn do interior de São Paulo (Jaú, Bauru e região) e nota o crescimento no interesse pela fotografia de família. Ela afirma isso por conta da procura pelos cursos que ela ministra. O que só comprova a entrada de mais fotógrafos no segmento. O acesso ao estilo também se popularizou: “O cliente já entende que fotografia de família é algo que tem q ser feito por profissionais especializados na área, pois no mundo digital em que vivemos, os clientes pesquisam e tem fácil acesso a informações básicas se o profissional a ser contratado realmente é competente para registrar o bem mais precioso que está por vir ao mundo” diz ela.

Patricia Canale

Patrícia Canalle atua em Maringá (PR) e está feliz com seus trabalhos na fotografia de família e newborn. Sem sentir a crise ou a redução de trabalhos de newborn, festas, batismos, etc. A fotógrafa acha desafiador para o fotógrafo de casamento tentar investir em família. “O tempo que precisam para se dedicar para obter um bom resultado acaba impedindo que sobre tempo para outras sessões como batizado, gestante ou acompanhamento” diz ela. Para Patrícia os consumidores estão mais familiarizados com a fotografia de família. Bem diferente de quando ela começou faz 14 anos. “Estão se preocupando mais com a fotografia de família” diz ela. O casal de fotógrafos Licius e Junia Kreulich concordam e mostram que é possível para o fotógrafo de casamento trabalhar com família e casamentos. Licius e Junia Kreulich sempre foram reconhecidos pela fotografia de casamento. Hoje eles sentem o crescimento da fotografia de família. “O mercado de família tem sido um segmento crescente para nós. Acreditamos que a nossa experiência pessoal como pais, nos aproximou e criou um elo ainda mais forte! Sem falar que da empatia e identificação dos nossos clientes conosco”. Agora atuando em São Paulo, eles não separam casamento e família. Penso que o fotógrafo ele é “do que ele está cheio”. A capacidade artística e o olhar, é aperfeiçoado a cada dia e em cada tipo de situação que você fotografa. Mas, o seu coração é o que vai dizer o que você faz. Então, se o fotógrafo tem o gosto tanto pela família quanto para o casamento, ele vai saber expressar e retratar de forma bonita a forma que ele enxerga as relações. Tanto o casamento como a família, são relações verdadeiras e muito fortes, a sensibilidade necessária para registrar é a mesma” diz Licius. Para eles a sinergia de avançar na fotografia de família a partir do casamento é orgânico, natural. Até pela relação de confiança que é estabelecida com o fotógrafo no começo de uma família. “Quando se cria uma boa afinidade nesse momento, a chance de que essa nova família o convide para dar continuidade com eles nas fases seguintes é grande. Então, acho que a divisão é por escolha pessoal mesmo.  

Junia Lane – The Kreulich

Sobre o valor da impressão: “Por mais que exista a facilidade de se ter o conteúdo online, existe um prazer especial em pegar um livro para ler. Ver a foto impressa também tem um prazer, um tempo e uma calma totalmente únicos”. Com relação aos desafios do mercado. Licius comenta sobre duas vertentes: “Acho que podemos pensar em dois desafios: o desafio do mercado e o desafio do fotógrafo. Um se baseia em relação comercial, marketing pessoal, público que se quer alcançar, definição de valores e por aí vai. Como qualquer elemento dentro de relações comerciais. O outro desafio, que é o desafio subjetivo, é da busca incessante de enxergar a realidade, tentar ser imparcial em relação a ela e transmitir o que se viu sem ser tendencioso, a não ser que se queira fazer isso”.  

Carla Durante

 Carla Durante, referência em fotografia de família e newborn, diz que as fotos de recém-nascidos seguem como carro-chefe do trabalho. Ela diz que a demanda nas fotografia newborn não caiu por conta do trabalho bem feito de profissionais sérias. No caso dela, as fotos de bebês ajudaram a manter o estúdio no período mais agudo da crise. “É uma fotografia que tem que ser feita quando o bebê é muito novinho as famílias não deixaram de fazer. O que elas deixaram de fazer é de comprar o álbum ou o plano mais completo de um fotógrafo. Ou deixaram de fazer combo de fotos de gestante mais bebê. Para dar prioridade para o newborn” diz ela. Carla conta que no começo desse ano sentiu a retomada com mais pedidos de orçamentos e procura. Ela pontua ainda a questão da concorrência: antes não tínhamos tantos concorrentes, mas as famílias não conheciam as fotos newborn. Agora de fato existem mais competidores, mas por outro lado temos mais consumidores reconhecendo e menos inseguros para fazer esse trabalho. A diferenciação no caso da Carla foi a fotografar debaixo d´água. Underwater Photography começou com ela faz dois anos e vem obtendo bons resultados de visibilidade e mercado para Carla. Foi destaque na internet e em matéria da revista Fotografe Melhor. Não sem desafios técnicos por questões óbvias. “É um nicho que está crescendo, mas que é um pouco complicado dos outros entrarem. Não tanto pelo equipamento, mas até pela logística é complexa. O Brasil é um país propicio para esse tipo de ensaio. Sobretudo no nordeste e outras regiões quentes que poderiam ter esse ensaio o ano inteiro. Carla será palestrante do Belly Baby and Beyond com uma masterclass de underwater photography na Califórnia. Com direito a parte teórica e prática com os cliques feitos na hora. Talento tipo exportação.  

Quase todos os fotógrafos entrevistados para essa matéria dizem que a fotografia de família pura, aquela do ensaio feito com todos com (ou sem) uma data especial foi a mais afetada pela crise. Justamente porque pode ser adiado. O grande desafio é a concorrência cada vez maior e se diferenciar. A queda no preço por conta dos entrantes. Um equilibro delicado. Como ser criativo e se diferenciar quando a cópia é cada vez mais rápida e o preço se torna um atrativo ainda mais em tempos de crise. “Esse é o grande desafio no newborn e dos outros mercado. Do fotógrafo entender a importância de dar valor ao próprio trabalho” diz Carla Durante.  A fotógrafa sugere um outro produto que está atrelado a nova fase do fotógrafo multimídia. Vídeo como produto bem editado e mostrando os bastidores. Rápido e divertido. Tendência como oferta e opção para fotógrafos junto com álbum, foto presente e decoração. Um exemplo é a Carla Durante com as sessões subaquáticas. Ela já testou alguns vídeos de bastidores com bons resultados e vai passar a oferecer como produto separado. “Às vezes que entreguei aos clientes eles amaram” diz.  

Camila Pajuaba

Uma importante mudança de comportamento do mercado é a educação e preparação dos consumidores quanto aos ensaio de gestante e newborn. Antes as mães deixavam para ver as fotos de recém-nascido depois do parto. Agora já orçam e fecham com antecedência. A vantagem para as mães é poder comprar um combo com as duas sessões com desconto. Uma ideia bacana que é bom tanto para a futura mãe quanto a preparação da fotógrafa. Esse é o caso de Carla Durante. Ela acredita que as gestantes que fecham com ela para o combo nem consideram quem fez o casamento. “Sem querer a gente acabou tomando esse mercado. Eu não preciso anunciar que faço ensaio de família porque isso vem como consequência. Se a gente cuida bem do newborn acaba virando fotógrafo de família” Carla acaba fazendo algumas vezes também o acompanhamento do mesmo bebê. E o aniversário é indicado para colegas que só atuam com aniversário. Uma visão interessante da fotógrafa é quanto ao poder que o newborn tem de ajudar a desenvolver o mercado de família. Se as mães estabelecem essa relação fotográfica já nas primeiras semanas do bebê. Logo é natural que criem uma relação de importância de seguir registrando o crescimento e estar junto nessas fotos. “Sou otimista até porque estou envolvida nisso. Creio que as mães que investem logo no começo no newborn são mordidas pelo bichinhos de ter fotos lindas de outros momentos. Então tem mercado sim, mas que foi semeado e vai crescer aos poucos” diz ela. E se educar é crucial, deve envolver a conscientização da importância das memórias impressas.

A foto vencedora do Prêmio Newborn Brasil de Camila Pajuaba.

Isso é algo que Camila Pajuaba, fotógrafa newborn e de família de Uberlândia (MG) faz muito bem. Ela foi a ganhadora do Prêmio Newborn Brasil 2018 com a melhor foto newborn do Brasil. Iniciativa que foi organizada pela FHOX e patrocinada pela Fujifilm do Brasil. Além de notar um interesse cada vez maior das pessoas pela fotografia de família. “As pessoas estão começando a perceber que a fotografia só no celular não tem o mesmo significado e o quão importante é a fotografia profissional e a fotografia impressa…” diz ela. E Camila destaca a importância do fotógrafo ter uma especialidade. “Especialização” é importante na fotografia também, para que consigamos fazer bem, com qualidade aquilo a que nos dedicamos mais.  Se começamos a abraçar o mundo” fazendo fotos de tudo, muitas vezes não fazemos com excelência nenhuma. Mas entendo que o casamento ainda é um momento em que a maioria das pessoas não deixa de registrar e com isso acabam   criando   um   vínculo   e   confiança   com   o   fotógrafo   que   fez   seu casamento. Sendo assim, o próximo passo da vida é o crescimento da família com o bebe e então as pessoas tendem a buscar este fotógrafo para registrar este momento também, ao invés de procurar um novo profissional.  

Camila Pajuaba

 A oportunidade de acompanhar uma família fora o tradicional traz um potencial enorme e inexplorado. Para Camila, o brasileiro criou um lapso de memórias dos filhos depois que a criança passou dos 4 anos. “O que acontece são registros do primeiro ano da criança, depois talvez os primeiros aniversários e então ocorre um lapso temporal muito grande se registros profissionais.  Entretanto, tenho percebido um aumento mesmo que discreto da procura pela fotografia de família sim.  Também tenho procurado fazer minha parte oferecendo e mostrando a importância da fotografia ao longo da vida e não apenas nesses momentos tidos como “importantes” ou marcos de transição. E se registrar é importante, não esquecer de oferecer a foto impressa e o álbum é fundamental. “Meus clientes curtem muito álbum e acredito porque eu também valorizo demais a foto no papel, então tenho várias opções de álbum como o  

Do pacote, as réplicas para avós, caixas personalizadas.  Tenho tentado introduzir no meu mercado os quadros e produtos de madeira, o que tem sido mais difícil, mas acredito que seja um processo. Agora eles chegam em minha sala e veem os quadros e demais produtos além dos álbuns, então começam a perguntar   sobre.   Novamente   digo   que   o   cliente   compra   o   que   vê, e, principalmente o que nós oferecemos. Se acreditamos e valorizamos o produto o cliente também o fará. Sobre o futuro do álbum, não vejo que está ameaçado, pois cabe a nós fotógrafos mostrar ao cliente que ninguém senta em frente ao computador para olhar as fotos.  Aquela velha e boa frase “foto boa é foto no papel” é a mais pura verdade. Sempre digo aos meus clientes que os álbuns são herança que eles deixarão para os filhos, netos, bisnetos. É o registro da história deles, é a forma de recordação do que viveram e o meio pelo qual eles passarão para futuras gerações as suas histórias de vida” acredita ela. 

Foto de Camila Pajuaba vencedora de um desafio da associação de fotógrafos de recém-nascidos – ABFRN

 Se imprimir é obrigatório por uma questão de sobrevivência, gerir e cuidar do marketing também deveria estar sempre na pauta dos profissionais. Isso é algo que as lojas de foto com estúdio fazem bem. Chega a ser curioso, hoje mais de 3 mil lojas atuam no Brasil e boa parte delas com estúdios que fazem fotos de família e newborn. Pecam muitas vezes em um estilo próprio fotográfico mais rebuscado, algo que sobra e muito para os fotógrafos que atuam solo. Por outro lado, as lojas-estúdio em todo Brasil sabem divulgar bem e tem a vantagem de um ponto normalmente bem localizado e que aplica marketing e gestão o tempo todo. Coloco divulgação frequente e usam o calendário promocional. Logo, marketing e gestão deveriam ser foco constante. Ainda mais porque a maioria dos fotógrafos não contam com estúdio físico. “Sempre fui funcionária de uma agência grande e produtora. Quando fui tocar meu negócio e vi o quanto é desafiador. Fotografia é 20% do nosso trabalho e então a gestão e marketing é muito importante e o fotógrafo que não souber disso vai quebrar. Eu consegui corrigir meus erros e aprendi a delegar e terceirizar. Entender a questão da gestão empresarial é o principal. Todo mundo comenta de regulamentar a profissão. Se fosse assim tinha que ter na faculdade um curso de 4 anos de gestão e marketing. Deveria ser obrigatório porque é a coisa mais importante. Um fotógrafo mediano com bom marketing consegue sobreviver e até se destacar. Já o fotógrafo com bom trabalho mas sem marketing e gestão não aguenta muito tempo”. diz Carla. É fato que os melhores cases do mercado estabelecem equilíbrio entre anúncios nas redes sociais e parcerias com lojas físicas relacionadas ao público. Como butiques de roupa de gestante, infantil e negócios similares.  

Clicks da Nina

 Um marketing poderoso são as notícias. Pode ser via assessoria de imprensa ou na própria divulgação do profissional enviando sugestões de pauta para meios de comunicação. Aqui vale dizer que não precisa ser só os grandes meios, mas também portais, revistas e jornais locais. A efetividade da notícia como ferramenta de vendas é forte. Primeiro porque pode ser usada no próprio site da fotógrafa e segundo porque tem força de viralizar nas redes sociais. A fotógrafa Nina Estalisnau do Clicks da Nina clicou o bebê na atriz global Sharon Menezzes (por indicação de outra famosa). A notícia apareceu no site O Tempo que tem boa audiência em Minas Gerais. Aliás, a combinação notícia + ensaio de famoso é ainda mais eficiente. Pois gera interesse das clientes por envolver uma celebridade. Outra ideia que funciona é mostrar estilos de fotos de família para obter matérias e artigos em sites de notícia. Algo que acontece com frequência para newborn, parto, gestante, pet e outros. Mostrar como um ensaio desses funciona e sobre a importância desses registros.

Clicks da Nina

Outra forma de marketing é ser autêntico. Se um fotógrafo é único, então faz todo o sentido que ele tenha uma venda mais pessoal e seguindo seu instinto respeitando os clientes, a interação pessoal e o relacionamento com os clientes. No início a gente diferenciava aquilo que era comercial do que era autoral. Umas fotos eram feitas para serem apresentadas em festivais, nas exposições ou num livro e outras para nossos clientes. Hoje não vemos nenhum sentido nessa separação. Inclusive, nas redes sociais já assumimos essa unificação. Achamos muito difícil nos dividirmos entre duas abordagens. Achamos que mesmo o trabalho pago, comercial, pode ser autoral. Se a nossa proposta de trabalho for realmente sincera, não há como ser diferente. Além disso, o próprio trabalho autoral pode se tornar comercial. Recentemente fizemos um trabalho autoral, a versão polonesa do Mamaço no Espaço – projeto que promove amamentação em espaços públicos – sob o guarda-chuva da Bepantol. Para a nossa alegria, as marcas, cada vez mais, buscam associar seus produtos às ações socialmente significativas e autenticas. Esperamos poder repetir essa mesma campanha em outros países pelo mundo.  Outra resposta de como atuar para obter resultados é não seguir manuais clássicos de marketing. Ou seja, autenticidade. O próprio histórico do Panoptes exemplifica isso. “A gente sempre optou por algo muito natural e intuitivo na divulgação do nosso trabalho. O modelo convencional de gestão e de marketing sempre nos incomodou. Nos parece um modelo ultrapassado e pouco afetivo e pessoal. A gente optou por colocar a nossa personalidade em tudo que fazemos. A nossa principal estratégia é a autenticidade e a originalidade. A nossa fotografia sempre foi o carro-chefe do nosso marketing. Vemos muitos fotógrafos virando as costas pra fotografia e colocando o marketing em primeiro plano. Como se a fotografia no nosso ramo fosse apenas um detalhe. Toda sua produção fotográfica é colocada em função de um modelo de negócio. No nosso caso, isso funciona de maneira invertida, de dentro para fora. Acreditamos que as coisas estão mudando. As pessoas querem saber cada vez mais de quem estão consumindo. O tipo de fotografia que oferecemos é uma proposta muito intima e pessoal. Antes de tudo, temos que mostrar quem somos e em que acreditamos. Neste sentido, além da divulgação via internet, é importante um contato olho no olho, um aprofundamento das relações pessoais e muita sinceridade. Palavras vazias de significado não têm mais vez nesse tipo de abordagem mercadológica. No início nos sentíamos mais inseguros em seguir por esse caminho. Aos poucos fomos vendo que as pessoas estão cada vez mais em busca de propostas menos robóticas e mais humanas” diz ela. Algo que faz todo o sentido. Se as pessoas compram pessoas, ser autêntico na fotografia é um caminho acertado.  

Centro Europeu em Curitiba. Investindo na educação séria para esse mercado

Uma boa notícia na parte educacional indica o quanto o segmento se consolida no país. O Centro Europeu, escola curitibana que ensina fotografia entre os cursos trabalhados, anunciou um curso de especialização em fotografia de família. Com duração de seis meses e ministrado por especialistas da escola (fotógrafos). ” “O objetivo desta atividade é fornecer toda a estrutura e conhecimentos necessários para habilitar  profissionais capazes de atender as demandas deste mercado com o máximo de qualidade e excelência .Para isso, “nós elaboramos uma grade curricular que envolve disciplinas e metodologias baseadas em técnicas e experiências práticas especialmente desenvolvidas para estimular a sensibilidade e alcançar os melhores resultados” disse Tânia Bachman supervisora do núcleo de fotografia do Centro Europeu para o Jornal do Oeste (PR). O curso é bem completo já que aborda ensaio de casal, gestante, parto, newborn, criança, família enfim. Importante porque trata de direito autoral e negócios.  

A exposição do Prêmio Newborn Brasil patrocinado pela Fujifilm no shopping Frei Caneca. Valorização do papel e de um mercado que só vai crescer

Enquanto no Brasil o mercado de família e newborn amadurece (embora para muitos a percepção é de saturação) alguns países sentem a euforia que ocorreu no Brasil uns 5 anos atrás. Argentina, Portugal e outros países europeus estão com um interesse crescente das famílias sobretudo para as fotos de recém-nascidos. Além da argentina, Colômbia, Peru, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia também veem iniciativas educacionais e aumento da procura por esse fotos de bebês e de famílias. Por outro lado, os mercados estabelecidos e mais avançados como Austrália e Estados Unidos estão parecidos (ou até piores) do que o Brasil em termos de competividade. Como ocorreram muitos workshops e eventos voltados para newborn nos dois países a concorrência aumentou, mas o interesse das mães pelo assunto não parece ter acompanhado a entrada de tantos profissionais no mercado. Até porque, tanto Estados Unidos quanto Austrália não estão com taxa de natalidade (nascimentos) em alta, na verdade é o contrário. Aqui cabe um dado curioso. Fotógrafas newborn que vem palestrar no Brasil mas que em seus países já não contam com uma agenda tão cheia e que nas redes sociais vendem outros produtos fora da fotografia para compensar a renda. Não chega a ser uma regra, mas é cada vez mais perceptível. A velha pergunta se newborn é moda nem vem ao caso. O que parece claro é que a transformação do mercado já está ocorrendo. Basta notar que na feira WPPI desse ano poucos estandes eram voltados para o assunto (um choque, já que alguns anos atrás existia um pavilhão inteiro voltado para esse mercado). Por que dessa tendência? Uma das explicações é a própria mudança de comportamento do consumidor. As mães buscando sessões mais clean e sem props. Ora, isso afeta diretamente o mercado de fundos, adereços e afins. Não que seja o fim dessa indústria, mas é certo que o mercado vai seguir se transformando. Nada mais natural que a mudança para que a fotografia de família continue se desenvolvendo.  

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