News 2 semanas atrás | Leo Saldanha

As tribos da fotografia existem, mas não do jeito que você imagina

Seria fácil e conveniente se a fotografia brasileira fosse dividida entre fotógrafos disso ou daquilo, mas a complexidade é maior e se intensificou em tempos de pandemia e polarização

por Revista FHOX
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Fotos: Pexels

Começo com uma provocação: qual é a sua tribo da fotografia? Você é newborn, casamento, família? faltou algo? Você se sente representado e “apresentado” completamente dentro do seu “nicho” de atuação? 

Tribos como conceito de negócio são interessantes para marcas, congressos, conteúdos e canais. Já tribos como causas essas sim são mais poderosas e raríssimas. O autor Seth Godin escreveu o livro “Tribos”. Ele abordou que uma tribo não nos pertence. Ela se auto ajuda, mas tem uma missão coletiva.  Na visão dele, as tribos podem funcionar se você criar uma base com sua história (uma plataforma) para que você possa criar a conexão e provocar uma mudança. É a chance de você explicar que é uma pessoa como nós. Que suas ações levaram a uma mudança. Daquelas que podemos ouvir, ver e entender. Depois ele destaca a força da nossa história. Esse é o núcleo da tribo. O que nos torna iguais? por que devemos nos importar? Como gerar empatia? Essa parte é muito importante pois a nossa história é sobre estarmos juntos e com benefícios do grupo. E por último a história do agora. É aqui que está a grande mudança. Uma forma de dar uma guinada. Godin traz a importância de unir as partes da história de cada um até o ponto da virada com a transformação. Um exemplo: em algum momento na história da fotografia uma mulher começou a fotografar. Quando só homens fotografavam e outras mulheres queriam fazer o mesmo. Uma história em comum, uma história de cada um e uma transformação. Isso vale para outras grandes mudanças. Aquelas que mudam tudo no mercado e na vida das pessoas. 

A sua história.

A nossa história. 

A história do agora.

O curioso no conceito do livro (best-seller) é a força da tribo mesmo quando o grupo é pequeno. A lealdade e a causa são fortes e podem inspirar mudanças e atrair novas pessoas. O líder pode e deve existir para liderar o processo. Mas o que o Godin trata é da tribo puxada por uma ideia. E de quem um negócio deve criar ou abraçar essa causa. Acreditar no que você faz, errar e ajustar, persistir e buscar o crescimento pela crítica. Ouvir aliás, para a causa funcionar e o movimento ocorrer é fundamental.

Foto: Seth Godin

 Logo, notamos que hoje as tribos estão bem distantes dessas possibilidades descritas pelo livro. Elas só são reais e efetivas quando provocam uma mudança de comportamento. Trazem um mercado movimentado por elas. Criam e mudam formas de consumir. Fazem isso em grupo. Importante: segundo Godin, é a manipulação que mata uma tribo. O que funciona é quando existe uma causa com pessoas que compartilham interesses, objetivos e idioma (linguagem). Importante: uma hora a tribo morre se a causa não for alimentada com novos desafios. 

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Tribo –  grupo de pessoas com ocupações ou interesses comuns, ou ligados por laços de amizade.

A fotografia profissional é uma causa única. Afinal, o fotógrafo trabalha solo e se relaciona em pequenos grupos. Daí a chamarmos essas turmas de tribos é um exagero retórico. Por outro lado tem a “tribo” (turma) de fulano de tal e por aí vai. São definições e usos distintos. A turma se ajuda e se indica, mas não muda comportamentos e nem orienta grandes mudanças mercadológicas. Imagino que você já pensou no termo “panelinha” porque realmente ele também se aplica nas linhas anteriores. Estamos de acordo então que as tribos são meras palavras vazias? Pois cada vez mais me parece que funciona bem como forma de explicar encontros de colegas e vantagens em indicações de trabalhos, camaradagens, troca de informações e favores. Dessas existem aos montes e são a média do mercado. Esse tribalismo é a regra do que vemos por aí. Sem julgamentos quanto a utilidade disso pois é questão de sobrevivência e influência. Mas daí a chamar isso de tribo no sentido do que Godin definiu como movimento transformador está beeeeem distante. 

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No passado tivemos sensações de que tribos surgiram. De um segmento ou de outro em um encontro de um grande evento ou algo assim. Mas elas na verdade reúnem muitas turminhas subdivididas e espalhadas pelo mercado. Atuam sim no mesmo segmento, mas suas intenções, gostos, comportamentos, consumos,tudo bem diferente e específicas em suas rotinas e decisões. Esse é o desafio dos últimos anos. Essa transformação em micro “grupos” de amigos de um mesmo setor é movida por valores iguais. Sobretudo pelo pragmatismo negocial. E ok, pois isso faz parte do jogo e ocorre em outros mercados fora da fotografia não é mesmo? 

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A tribo dos equipamentistas…

O fato concreto é que as turminhas não se orientam a uma causa maior que poderia trazer benefícios reais no médio e longo prazo. Eu poderia divagar que as redes sociais amplificam nossas vontades únicas reforçando o estilo “eu sou mais eu” e logo se torna ainda mais complexo criar uma tribo de verdade. Lembra que a fotografia é um trabalho muito solitário? A comunidade com real valor não é um termo de marketing imposto em uma bio de Instagram ou reunião de colegas no evento online/presencial/grupo de Whats/rede social. Deveria ser um sonho sim, mas poucas vezes vemos isso acontecer de fato. Na história da fotografia as causas transformaram mercados e trouxeram evoluções reais. Foram provocadas por uma pessoa que abraçou oportunidades e desafios e puxaram tudo com elas. O mais curioso é que normalmente isso foi criado por uma revolução artística com nova linguagem ou com disrupções tecnológicas tremendas (o smartphone certamente entra nisso né?). 

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Com a pandemia o mundo virou de cabeça para baixo. Alguém ainda duvida disso? Até as “tribos” foram balançadas nesse contexto. O isolamento reforçou nosso perfil individualista da fotografia. Por outro lado vimos algumas pequenas causas online surgindo. Algumas com potencial real mas ainda pouco exploradas. Quem sabe em 2021. A tribo da fotografia em 2020 trouxe outras divisões inesperadas. Dos fotógrafos que querem trabalhar de qualquer jeito (com razão) e dos que não querem se expor (também com razão). Dos que levaram a polarização para suas dinâmicas de trabalho e os que acentuaram ainda mais o estilo “eu, eu mesmo e mais eu”. Os que estão 100% online e os que não aguentam mais essas coisas e por último os que estão com um pé no virtual e outro no mundo real. Até 2020 a fotografia (eu sempre disse isso) era um ato presencial. Vimos que as coisas podem ser adaptadas. O que não quer dizer que estar presente vire coisa do passado (para fotografar). O que me faz lembrar da tribo dos que querem fotografar e daqueles que querem voltar no tempo. Os que querem um mundo como era antes e os que querem que o futuro do “novo normal” com a normalidade de fato chegue de uma vez por todas. 

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A tribo da fotografia é feita só de caciques. Sobretudo no caso dos fotógrafos que são donos do próprio negócio e tem que fazer tudo, inclusive fotografar. A tribo da fotografia em 2020 precisa mesmo sobreviver. E é essa é a nova língua universal que vem nos atormentando em tempos tão delicados e desafiadores. Nos sinônimos de tribo está uma ótima definição: Tribo, grupo familiar mais ou menos numeroso, ou grande número de pessoas com um mesmo nome ou sobrenome. Muito apropriado para os fotógrafos que quase sempre definem uma marca com o mesmo sobrenome: fulano de tal fotografia. Logo, somos sim parte de uma grande tribo. Só que são caciques. Para 2021, a julgar pelo que estamos passando agora, os dilemas estarão mais presentes. Ficaremos mais divididos, distantes ou tentaremos uma nova causa que não seja só “eu comigo mesmo”? A propósito, qual é sua tribo mesmo? 

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