Negócios 5 meses atrás | Leo Saldanha

A vida de um fotógrafo de um serviço tipo Uber de fotografia

Fotógrafos de plataforma australiana dizem que os salários são baixos e expectativas dos clientes quanto aos trabalhos entregues é irreal

por Revista FHOX

O assunto foi tema de uma matéria na Austrália dá Inside Imaging. Lá o serviço Snappr atua como um Uber de fotografia provendo consumidores finais com oferta de serviços fotográficos de forma conveniente ao menor preço possível. Os conflitos começaram a ser mais frequentes porque determinados fotógrafos credenciados pela plataforma passaram a oferecer serviços fora do Snappr. Até para não ter que dividir parte da receita com a ferramenta. Algo que a Snappr não só não permite como pune com multa de 5 mil dólares australianos. 

Vantagens e desvantagens – não existe consenso sobre esse tipo de plataforma on-line. De um lado, diversos fotógrafos gostam da ideia de uma oportunidade de ter acesso a clientes de forma rápida e com garantia de pagamento. Na outra ponta, profissionais reclamam de concorrência com oferta de precinho e aumento da competitividade que também leva a pressão nos valores. Dentro do Snappr, clientes encontram sessões a partir de 75 dólares australianos. O que prevê? meia hora de sessão e a plataforma fica com 15 dólares. O cliente recebe 3 arquivos digitais se contratar essa opção. Em uma das versões mais caras chega na faixa dos mil dólares com várias horas de fotos e de 60 arquivos. 

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Diferencial – A parte vantajosa que o Snappr dispõe é de fazer o marketing, garantir clientes, pagamento direto na conta e inclusive com seguro de responsabilidade civil. Esses seguros são obrigatórios para fotógrafos em diversos países. Como Austrália e Reino Unido. Uma garantia para os consumidores. Outra desvantagem é que o fotógrafo precisa arcar com os custos de deslocamento e alimentação para qualquer atividade externa. A Snappr não ajuda em nada. 

Igual ao Uber – o Snappr diz que os fotógrafos não são funcionários do serviço. Logo, a parte de tributação não está inclusa. Nesse caso, o regime de trabalho é de contrato independente o que quer dizer que eles devem ter um registro oficial para atuar na formalidade (uma espécie de MEI australiano). Em 2017, a Snappr recebeu aporte de um grande fundo de investimento da Califórnia e até montou uma base naquele país. Aliás, lá nos EUA atuam outros concorrentes com propostas similares. Todos com algo em comum: estão expandindo com mais adesão de profissionais e mais procura por parte dos consumidores finais. No ano passado, a Snappr comprou um concorrente australiano. A empresa está avançando tanto na Austrália quanto nos Estados Unidos com campanhas digitais no Facebook, Google e YouTube. 

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Em defesa do modelo de negócio – a Snappr e outros serviços similares dizem que não concorrem com fotógrafos. Na verdade, eles dizem, seria uma forma de popularizar a oferta de cobertura fotográfica para quem não tem condições de pagar. Daquela pessoa que busca de última hora um fotógrafo para clicar um casamento, festa de aniversário ou afins. Os profissionais com mais tempo de mercado dizem que a Snappr atrapalha porque clientes cotam com eles e depois são seduzidos por ofertas mais em conta de um parceiro Snappr. 

A visão de quem trabalha dentro – Um fotógrafo citado na máteria da Inside Imaging (e que pediu para não ser identificado) disse que ficou chocado com a quantidade de agências de publicidade e grandes contas que estão usando a Snappr. Até porque a marca atende também varejistas, corretores imobiliários e outras grandes empresas de consumo. “Eu os odeio, mas entendo que é para esse lado que o mercado está indo. É uma forma de me conectar com empresas”. Na visão desse fotógrafo experiente que entrou na plataforma, as empresas e consumidores encontraram essa rota para desviar dos preços altos. Ele comentou ainda que consegue por lá entre um e dois trabalhos por mês. 

Os grandes desafios do serviço tipo Uber de fotografia  – outra ocorrência citada pelo fotógrafo anônimo é que os profissionais atuando para a Snappr estão sendo explorados. Como? acabam se estendendo acima do tempo definido porque os clientes querem mais uns cliques ou o trabalho pede um cuidado maior. Isso também acontece porque os fotógrafos mais novos e inexperientes levam mais tempo para criar. Outro ponto: assim como o Uber, existe um sistema de avaliação. E para não ser mal-avaliado, os fotógrafos credenciados tentam agradar avançando no tempo para não ter notas negativas. E por ser com apelo de preço, o Snappr atrai clientes grosseiros que acham que o fotógrafo pode ser maltratado. Ou sentem que o fotógrafo tem que entregar o melhor possível com o menor preço possível. Gerando assim expectativas irreais sobre a função e a entrega final. Vários fotógrafos entrevistados e que trabalham com os dois formatos: Snappr e independente disseram que quando o trabalho vem de fora da ferramenta o cliente é mais respeitoso. 

Recomendações – no guia de conduta do fotógrafo Snappr, a empresa recomenda que o profissional credenciado faça ao menos uma foto “boa” por minuto. Todas as fotografias que serão entregues de acordo com a proposta contratada devem tratar as imagens em Lightroom e necessitam ser enviadas para a Snappr em no máximo 48 horas. Todos os contatos entre o fotógrafo e a Snappr ocorrem via email ou telefone (e com os clientes que usam a ferramenta também). Fotógrafos disseram na matéria que é possível fazer bons serviços de publicidade e que sessões de produto ou comerciais rápidas valem a pena.

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