Negócios 8 meses atrás | Leo Saldanha

A nova fase do VSCO

O aplicativo fotográfico quer ser muito mais do que uma plataforma fotográfica

por Revista FHOX

 

Uma matéria recente da publicação norte-americana de negócios Forbes mostrou que VSCO quer expandir para além da fotografia. O artigo ilustra inclusive um encontro em 2013 do fundador do Instagram (Kevin Systrom) com os donos da empresa, Joel Flory e Greg Lutze. Naquele momento (pouco tempo depois do Facebook comprar o Instagram), VSCO tinha dois milhões com a hashtag #vscocam. Se na época não era pouca coisa, em 2018 são 200 milhões de posts com a mesma marcação. A força do VSCO já tinha mostrado força a ponto de atrair o CEO do Instagram. Uma rede social que possui seu próprio sistema de edição de imagens. Diz a matéria da Forbes, que no jantar ele teria “brincado” que o Instagram poderia comprar o VSCO. O ótimo artigo ilustra que VSCO quer ir além de ser uma ferramenta.

Os números do VSCO mostram a força de uma empresa que aproveita bem essa fase da fotografia como moeda digital. Em 2018, a receita da marca dobrou em 2018 em relação a 2017. Passando para 50 milhões de dólares. Por conta dos resultados: a empresa recebeu novo aporte, de 90 milhões de dólares. Em 2012, VSCO passou de 150 milhões de downloads no mundo (iPhone e Android). Em 2017, estreou um formato de assinatura. Hoje são 2 milhões de assinantes pagos, a maioria com menos de 25 anos de idade. Cada um pagando quase 20 dólares anuais para ter acesso a 130 filtros exclusivos e recursos mais sofisticados de edição e efeitos. Como GIFS e outros. Com esses números, a empresa hoje vale 550 milhões de dólares.

No fim, VSCO parece ter surfado na onda da geração Instagram e das selfies. Ficando no limiar entre os Instagrammers e fãs do Snapchat. O grande desafio é agora ir além. Como? Reforçando a característica de comunidade de criadores. Curioso é que um dos fundadores é um fotógrafo de San Francisco, Flory entrou em contato com o sócio Lutze quando precisou criar um site para o negócio do pai. E alguns depois contratou os serviços do futuro sócio novamente para outro site, dessa vez justamente para o site do casamento dele.  A partir da relação para esse último trabalho, ambos começaram a ter ideias para criar uma comunidade criativa. Algo que fosse útil e que as pessoas estivessem dispostas a pagar. Em 2011 eles lançaram um site de filtros  (presets) para usar no Photoshop e Lightroom. Fez tanto sucesso que em 48 horas eles venderam 250 mil dólares. A popularidade da ferramenta tinha relação direta com a agilidade de editar e aplicar filtros em grandes quantidades de fotos. Em 2011 isso era uma grande novidade. Não demorou para eles lançarem um avanço dessa ideia dos Presets. Dessa vez com um aplicativo que custava 99 centavos e só para iPhone. Em uma semana eles conseguiram 1 milhão de downloads. E logo de início perceberam que não valia a pena enfocar em desktop. O melhor era apostar nos smartphones. Um ano depois da versão para iPhone eles lançaram o VSCO para Android. Dessa vez de graça, mas com opções mais sofisticadas e pagas dentro da ferramenta. Cada filtro custando entre 1 dólar ou 20 dólares para um pacote completo.

Mas foi a aposta na comunidade que deu mais certo. VSCO Grid é uma rede social dentro do app. Lá os usuários podem acompanhar uns aos outros. Sem métricas de vaidade, só pelo prazer de ver e se inspirar. Sem seguidores ou curtidas. Nem ao menos comentários nos posts. Segundo os fundadores, uma forma de enfocar só na criação, apresentação de ideias e projetos visuais. O escritório da VSCO fica na Califórnia e a empresa cresceu com os aportes de dinheiro. Com os investimentos dobraram o número de funcionários e abriram um estúdio em Nova York que poderia ser usado pela própria comunidade. Ainda compraram anos atrás (2015) a Artifact Uprising (de impressão). Uma butique online de álbuns e itens de decoração com fotos. Contudo, algumas dessas apostas não deram certo. A própria Artifact Uprising não funcionou como eles imaginavam. Os usuários não passaram a imprimir as criações do VSCO usando a marca de impressão. Então eles venderam esse negócio aos antigos donos. A VSCO entrou em uma fase ruim. Com encerramento de algumas das investidas. Por outro lado, a empresa agora colhe frutos das parcerias. Caso do VSCO Connect: um programa da empresa em colaboração com marcas como a Nike e outras. Na prática, esse programa conecta fotógrafos que usam VSCO com grandes marcas. E qual a próxima fase? Expandir gerando mais conteúdo a partir dos próprios membros e inserir mais recursos de edição, tutoriais e novos filtros. E é algo que não vai ficar só no ambiente digital. Pois a empresa vai realizar oficinas de fotografia tanto na base da Califórnia quanto no estúdio de Nova York. E também com workshops em Londres e Tóquio. O que a VSCO quer é deixar de ser vista como uma aplicação exclusiva de fotógrafos. E assim se tornar uma ferramenta para criativos em geral como designers e afins. E fazer isso oferecendo uma experiência marcante e útil na plataforma. De preferência gerando mais assinantes pagos, claro.

Leia também: Quem realmente está ganhando dinheiro com fotografia?

O estúdio da empresa em NY
A sede na Califórnia, em Oakland
Mais detalhes do espaço em NY
Um local para fotógrafos e a comunidade criar
A sede também tem um estúdio
Estúdio VSCO em NY
detalhes da sede. Criatividade para desenvolver a comunidade

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