Negócios 3 semanas atrás | Leo Saldanha

10 motivos para acreditar na fotografia (e 10 razões para desanimar e fazer algo a respeito)

As possibilidades de criar coisas marcantes e inovadoras com fotografia são infinitas. E ao mesmo tempo, nunca a fotografia esteve tão desafiada nas mais variadas frentes

por Revista FHOX
Luis Quintero

Viver de foto não é fácil. Mesmo para um profissional reconhecido. E assim vale da mesma forma para um fabricante consagrado ou um laboratório famoso. Em diferentes segmentos do ramo fotográfico o grande desafio segue crescente. Pois com o avanço de um mundo conectado cada vez mais rápido onde tudo o que é digital tende ao valor ZERO. E como na vida a dualidade está presente: já que ao mesmo tempo existe o lado bom e o que se ponderar de ruim. A FHOX separou 10 motivos para seguir acreditando e outras 10 razões desanimadoras (e o que você pode fazer sobre elas) na rotina desafiadora de quem vive da fotografia. A decisão de qual caminho escolher, como encarar os cenário e como se portar vai obviamente depender de cada profissional da imagem.

1 – Uma língua universal (em um mundo onde todos são fotógrafos). Essa virou clichê, mas nunca foi tão forte. Na era em que a imagem está presente em tudo aqueles que dominam essa linguagem deveriam se destacar. Contudo, em teoria é bem mais fácil do que na prática. E muitas vezes ocorre justamente o oposto. Com a abundância de fotógrafos a banalização se tornou mais presente. Logo, justificar valor ficou muito mais trabalhoso. É sabido que o avanço dos dispositivos móveis e das redes sociais reforçou que fotos e vídeos se tornaram commodities. Então como se comportar nesse novo ambiente de fotografia e vídeos compartilhados em tempo real e obter valor nos serviços e produtos oferecidos? Sem ir para guerra de preços e conseguindo criar coisas novas e vendendo experiências verdadeiras aos clientes? Como retomar o valor da fotografia quando os clientes ficam satisfeitos com a “fotinha” na tela do smartphone e nas rede sociais? A expressão venda de experiência e marca forte são usadas como jargões sem nenhum embasamento. O curioso é que a fotografia como vemos no mercado é sempre uma experiência (seja ela boa ou ruim). Alguém é fotografado em um lugar e recebe um produto daquela vivência. E ainda assim, muitos fotógrafos tornam a experiência simplória, não ouvem as demandas dos clientes e volte e meia entregam só fotos digitais. O caminho para superar esses problemas passa por algumas questões (que não são simples). Do profissional encontrar uma assinatura única e na entrega de experiências e produtos realmente que se destaquem. As matérias a seguir mostram isso na prática:

– A experiência fascinante do marketing da KitKat

– Criativa Pix e a venda de experiências

– Criatividade, experiência e marketing

– LaLaLab e o enfoque em produtos diferenciados

– Sobre assinatura visual

2 – Nunca tivemos tanto acesso a informação (em um mercado quase sempre desunido). Uma década atrás tudo estava restrito a poucos eventos e conteúdos restritos. Agora está tudo na ponta do dedo e eventos ocorrem em todas as partes do Brasil. Quem vive da fotografia consegue achar quase tudo sobre fotografia em canais de fotografia do YouTube aos fóruns on-line. Desde técnica até matérias com inspiração. Além de poderem encontrar e seguir fotógrafos de qualquer parte do mundo e acompanhar trabalhos de forma instantânea. Ainda assim muitos profissionais apelam ao preço e copiam a estética vigente. Uma trilha que só reforça o problema das commodities. Também pudera, com um mercado nivelado no mais do mesmo a única alternativa é atacar no preço. A receita perversa para um ramo em crise em tempos de penúria econômica. O paradoxo é evidente: o acesso aos conteúdos em todos os canais nunca foi tão grande, mas ao mesmo tempo a absorção das melhores práticas para elevar o mercado parece surtir pouco efeito. A saída? A partir de agora não será quantos eventos, cursos ou livros que você leu. Mas quais que realmente farão a diferença de fato para o seu negócio. Chegou a hora de uma curadoria efetiva na educação. Pois embora a disponibilidade de conteúdos seja gigantesca, o que vai funcionar para o seu negócio é muito específico. O caminho é mais árduo do que parece.

Para se aprofundar no assunto:  /blogs/fotografia-educacao-memoria/

3 – Dá para fazer tudo com foto (e ainda assim todo mundo faz tudo igual em termos de produtos). Hoje um fotógrafo consegue criar personalização extrema com imagens. Aplicar em porta, criar uma joia com foto e por aí vai. Pode customizar um álbum e buscar uma oferta diferenciada. Então fica difícil entender o motivo que leva os profissionais a acabarem fazendo muitas vezes produtos impressos básicos e olhando só para preço. Aliás, a desculpa de que o básico é mais barato nem é verdadeira. Pois com criatividade e vontade um fotógrafo ou negócio de fotografia consegue sim criar algo simples e que se destaque. Tudo para que ao final ele posso responder à pergunta: Como conseguir valorizar o produto final e se destacar se vai para o caminho do mais barato possível? A resposta para essa questão é tão importante se não for a mais relevante. Pois ela levará a real valor do que o cliente leva para casa. Hoje um fotógrafo pode criar uma série única, com experiência única e produto exclusivo. Então por que raios está tudo tão igual? Ao cliente resta um caminho óbvio escolher o mais barato. Não existe outra saída: tudo passa pelo produto e o composto completo do marketing.

Se aprofunde clicando aqui: /blogs/consumidores-nao-percebem-valor-naquilo-que-e-digital/

4 – As possibilidades de divulgação e promoção do negócio nunca foram tão fáceis. Aparecer é fácil e pode ser no YouTube, Instagram, Facebook e afins. O problema é que os fotógrafos e negócios de fotografia estão transformando suas redes sociais em vitrines de portfólio ao invés de usar o lado social (pessoas querem ver e conhecer pessoas mesmo nas redes sociais). De contar histórias e mostrar bastidores. De informar e ajudar o cliente. De encantar e mostrar o resultado final. Postar fotos de um trabalho incrível com a promoção de preço com oferta especial é como colocar uma placa na rua ou no supermercado com aquela ação de desconto do dia. Fotografia não é banana! Marketing digital é lindo, mas pessoas compram pessoas. A e fotografia ocorre no mundo real. Os fotógrafos que estão tornando do primeiro contato até a entrega do produto em algo humano, sensível e palpável estão com uma vantagem e tanto.

Para se aprofundar mais no assunto: /negocios/a-culpa-nao-e-do-preco/

Virar fotógrafo para fazer o que todo mundo faz? ou criar algo que dê orgulho e que seja de fato gratificante?

5 – Viver da fotografia ficou fácil e rápido. Com acesso rápido a informação e podendo pular etapas ficou muito mais simples se dizer fotógrafo. Comprar a câmera já não é algo inacessível. E feito isso é só criar um site com algumas fotos para se dizer fotógrafo. Treinamento? Basta mergulhar em treinamentos rápidos com todas as ferramentas disponíveis, cursos online, congressos, workshops e afins. Esse fato é incontestável: se tornar fotógrafo é muito fácil do que era uma década atrás. Curioso é que se manter fotógrafo ficou cada vez mais difícil. Os fotógrafos que antes ficavam 24 meses até desistirem estão durando 12 meses em média nesse mercado. Então a expressão certa é: começar a tentar viver da fotografia é rápido e fácil. Ficar nessa vida e crescer de forma sustentável é outra história. Como faço para crescer e me manter? Volte ao item 1, 2, 3 e 4. Entenda que preço e promoção serão os últimos itens do trabalho.  Primeiro você tem que ajustar seu posicionamento, produto e presença (física e digital). É uma jornada dura e só sua (você não quer ser único de verdade como diz que suas fotos são?).

Para se aprofundar: /negocios/mercado/dinheiro-na-fotografia-brasileira/

Mario Cuadros

6 –Ficou muito mais fácil criar belas imagens. Os equipamentos estão cada vez melhores e ajudam muito nesse processo. Isso está conectado com os itens anteriores. Mimetizar o estilo de fotógrafos se tornou simples quanto um clique e em poucos anos copiar um fotógrafo será questão para algoritmos (com os recursos de inteligência artificial que estão surgindo). Se o conhecimento, acesso a informação e equipamentos se tornaram muito acessíveis, então como um fotógrafo deve se comportar nesse ambiente de super abundância e facilidades? Para quem começa os recursos disponíveis agora são estonteantes. Seja na quantidade de informações e nas falsas ideias que são repassadas em palestras dos “empreendedores de palco”. Resumindo: o fotógrafo chega ao mercado acreditando que só fotos incríveis vão fazê-lo se manter nessa vida. O tipo de receita pronta para a confusão. Em especial porque os fotógrafos começando (todos eles) estão com as mesmas condições de ação para trabalhar e estudar. O grande desafio? Entender de uma vez por todas que a fotografia faz parte do marketing e vice-versa. Se uma foto postada no Instagram gera um julgamento imediato de um prospect ou consumidor final e pode levar a um contato então a foto é uma importante ferramenta no processo de venda. Uma foto faz isso e muito mais: passa uma mensagem, vende um conceito e na melhor das hipóteses deveria ter uma assinatura visual. O problema é um mercado que valoriza fotos lindas mas não sabe fazer conta na hora de formular preço e de valorizar o mercado em que atua.

Para se aprofundar mais: /negocios/o-que-vale-mais-o-seu-trabalho-ou-o-seu-preco/

/negocios/fhoxcast-questao-do-preco-no-mercado-fotografico/

/negocios/fhoxcast-afinal-fotografia-e-um-bom-negocio/

Tim Mantoani

7 – Quem tem marca e grife ou experiência tem uma vantagem e está protegido. O fotógrafo reconhecido e com experiência construiu uma carreira e uma base de clientes e indicações muito valiosa. Contudo, o consumidor está exposto a concorrentes da mesma forma que a informação ficou disponível em toda a parte. O valor da marca só é bom até o próximo leilão de preços disparados em e-mails e WhatsApp. O que muitos fotógrafos renomados e com experiência muitas vezes não entendem é que suas carreiras passam por ciclos. Etapas de crescimento e sim, com tendência de desgaste e queda. Como fazer para se manter bem e renovar produtos, ideias e projetos? O fotógrafo de renome pode ter uma certeza: o stress da inovação vai acompanhar sempre. O que não quer dizer se tratar de um estresse desgastante. É aquela zona entre o desconforto e a pressão total. Um equilíbrio delicado e complexo. Aquele ponto que leva ao crescimento. Quer um exemplo: a Annie Leibovitz acaba de entrar no Instagram e participou de um projeto com uma marca de smartphone. Ela precisava disso? Provavelmente não. Ainda assim ela se propôs ao desafio e conseguiu destaque mundial mostrando que está conectada com o momento e com inovações.

Para se aprofundar mais: /inovacao-tech/o-que-a-parceria-entre-annie-leibovitz-e-o-google-pixel-4-representa-para-a-fotografia/

Ou ouça esse episódio.

FHOXCast: O poder e a maldição do legado

8 – A comunicação com os clientes e prospects tornou tudo mais fácil e rápido. Contar histórias dos clientes nesse ambiente é uma possibilidade fascinante. De certa foram essa mesma velocidade cria ansiedade e facilita a comoditização da venda. Se o cliente tem ferramentas rápidas, ampla oferta de profissionais e nivelamento de estilo fotográfico, como o fotógrafo vai se destacar da concorrência? O cliente aparece no WhatsApp ou no Insta ou no e-mail pedindo orçamento e você manda o PDF com belas fotos e suas condições de preço e pagamento. O caminho de quem se destaca nessa era da comunicação em tempo real passa por contar histórias e usar as ferramentas justamente para valorizar isso.

Para se aprofundar no assunto:

/blogs/fotografia-de-partoumercadopromissornoseua/

/variedades/historia-criativa-por-tras-do-meme-mais-visto-dos-ultimos-tempos/

9 – Criar algo único e ser reconhecido e gerar autoridade não é tão difícil. Basta uma notícia ou uma imagem viralizar e um profissional pode ser alçado ao estrelato aqui e lá fora. Da mesma forma se for algo ruim a viralizar pode acabar com uma carreira. Em tempos de comunicação instantânea o cliente tem o poder de falar da experiência que teve com seu negócio na hora. Então vale para os dois lados. Uma ideia incrível, um projeto, uma foto fantástica, tudo isso pode lançar um fotógrafo ao estrelato de maneira imediata. E um deslize antiprofissional também. O meio termo entre uma coisa e outra fica naquele ponto do mais do mesmo. Mas não sem deixar de ter valor. Um trabalho bem feito para um cliente pode render indicação entre amigos e familiares nas redes sociais e no contato pessoal. Isso é muito valioso para o negócio e deve ser feito de uma forma que seja parte da rotina. Pois clientes felizes voltam, indicam e fazem seu negócio crescer. Esse deveria ser o melhor jeito de viralizar: encantando seus clientes para que ele falem de você para amigos e clientes.

Para se aprofundar: /news/ensaios-por-uma-boa-causa/

FHOXCast: quando uma foto viraliza

10 – As pessoas estão valorizando mais a fotografia porque fotografam mais. Ou seria o contrário? As pessoas podem desvalorizar a fotografia porque ela está disponível em toda a parte. Com mais de um trilhão de fotos geradas por ano, qual o real valor de uma foto digital sua ou minha nesse universo fotográfico efêmero e volátil? A oferta de imagens só deve crescer com o avanço do 5G, da internet das coisas e das câmeras de vestir. Estimativas indicam que em poucos anos teremos até 10 trilhões de fotos geradas por ano (dez vezes mais o que temos hoje!!!). Então, a previsão do especialista Chris Anderson, de que o digital tende ao valor zero, só parece se aproximar com mais força. E não estamos distantes disso. Basta lembrar que só aqui no país já são mais smartphones do que brasileiros e todo mundo fotografando quase toda hora. Em festas em geral isso é ainda pior. O fotógrafo pode perceber esse momento da fotografia de duas formas: com uma visão otimista acreditar que as pessoas gostam de fotografia, mas não sabem fotografar. E eu como fotógrafo tenho que mostrar para elas como podem ficar incríveis sob a minha ótica. Mais do que isso, que sou o profissional e possuo o controle e o domínio dessa linguagem. E de preferência gerando um resultado final encantador (ou ao menos acima da média) para os clientes. Então, esse papel é do fotógrafo. De mostrar seu valor e indicar a diferença e liderar esse processo de valorização da fotografia nas suas mais diferentes frentes. Ou você pode olhar tudo de uma forma pessimista e seguir pelo caminho mais fácil: eu quero só fotografar e fazer tudo do jeito que eu achar melhor. E ok. É legítimo e deve ser acompanhado de um desejo de “boa sorte”. Mas caso você se importe sugiro fazer esse exercício (clique aqui – R.U.M.O.) e mergulhe para acertar seu negócio de fotografia de verdade para 2020. Aí nesse caso eu te desejo “bom trabalho”.

Leia também: R.U.M.O – uma novidade da Escola de Negócios Fhox