Smartfhox 5 meses atrás | Leo Saldanha

O que aconteceu com o iPhone?

Fabricante que era referência em fotografia em smartphones foi perdendo a posição inovadora e destaque aos poucos. E parece que o cenário para a marca no ambiente fotográfico vai ficar ainda mais desafiador

por Revista FHOX

A Apple revolucionou vários mercados, inclusive a fotografia. Quando a marca lançou o primeiro iPhone e por muitos anos seguiu como a referência. De uns anos para cá a empresa passou a perder a força dos lançamentos (fotográficos). Muito por conta da própria concorrência. Sobretudo da Samsung e Huawei, mas também de outros fabricantes também chineses e sul-coreanos. Mesmo no cenário doméstico (Estados Unidos) a Apple perdeu relevância graças aos avanços do Google com a série Pixel. A FHOX elenca aqui alguns dos muitos motivos para esse declínio e analisa o mercado de câmeras em smartphones como um todo.

 


– Embora a guerra dos megapixels continue, não é isso que parece fazer muita diferença para o consumidor final (que muitas vezes nem imprime fotos). O que fez a diferença e parece ter deixado a Apple para trás foi o avanço da fotografia computacional por parte dos concorrentes. Samsung, Huawei, Xiaomi, LG e outras investiram pesado em recursos automáticos e com aprendizado de máquina que envolvem os consumidores com a proposta de fotografar bem com a ajuda de um sistema inteligente. E até no marketing esses fabricantes bateram muito. A Huawei por exemplo coloca ao lado da marca Leica nas lentes do smartphones sempre a expressão: AI Camera (câmera com inteligência artificial).

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– A era das múltiplas câmeras. Embora a contagem de pixels não impressione tanto, parece que as múltiplas câmeras (e lentes) seduzem melhor. Huawei e Samsung investiram em câmeras triplas e agora quádruplas enquanto a Apple ficou na câmera dupla. Para o consumidor mediano, mais lentes quer dizer mais qualidade. Até nas lentes frontais os concorrentes introduziram mais câmeras. Ou seja, faça selfies com mais qualidade. A Apple ignorou isso até agora.

 

– As quedas nas vendas da Apple em números de iPhones e o avanço da marca no conteúdo com um canal de “tevê por assinatura” com produção de séries e outros serviços parece reforçar que a Apple talvez tenha dado essa guerra como vencida. O risco é de os usuários mais fiéis acabarem sendo persuadidos por inovações dos concorrentes de ponta mais próximos.

 


– O modo retrato não é o bastante. A Apple tem feito todo um esforço em continuar mostrando que o modo retrato (agora ainda mais evoluído) é melhor do que todos os outros aparelhos do mercado. Quando na verdade marcas como Samsung, Huawei e outras parecem ter atingido um patamar senão igual muito próximo em termos de fotografia computacional. Lembrando que existem apps que reproduzem esse recurso de desfoque no fundo para retratos. Até o Instagram faz isso.

 


– O marketing da comunidade da Apple segue forte, mas até isso saiu arranhado quando a empresa tentou pagar os competidores de seu concurso mundial (Clicado com iPhone) para promover seus iPhones. A marca disse que pagaria com aparelhos e depois deu compensação em dinheiro. Um estrago que não tinha mais retorno.

 

Enquanto isso Huawei segue batendo na questão da inteligência artificial (treinada por fotógrafos) e que conta com lentes Leica (do Robert Capa e Cartier-Bresson). Não é mero acaso que a fabricante chinesa ultrapassou a Apple. E olha que fez isso mesmo sem competir em solo norte-americano.
A massificação dos diferenciais. A comoditização dos recursos é sempre uma questão de tempo. Câmera dupla já está presente em modelos de quase todos os fabricantes. Inteligência artificial, vídeo 4K e afins. Está tudo mais comum e agora presente em modelos medianos. Pior, em breve quase todos os aparelhos terão câmera tripla, sensores mais rápidos e poderosos. Além de funções ainda mais sofisticadas como realidade aumentada, inteligência artificial e outros presentes nesses dispositivos médios.

 

iPhone conceitual com câmera tripla. Provável

Enquanto isso a Apple pode lançar no próximo iPhone a ser lançado nesse ano um modelo com câmera tripla. Algo que chegará tarde. Um atraso que pode custar mais caro nos próximos meses. Se você acha exagero, fecho esse post com um dado factual. Apple perde nesse momento em investimentos fotográficos nos iPhones em comparação com Samsung e Huawei. Segundo matéria da Pplware de Portugal, “a margem média de lucro da Apple se tem situado em cerca de 60%, o Samsung Galaxy S10 tem uma margem de 57%. Já por sua vez, de acordo com a análise da lista de materiais, a margem da Huawei situa-se entre os 63 a 65%. Estes valores são baseados na análise preliminar da lista de materiais”. A Apple gasta por câmera nos modelos de ponta do iPhone cerca de 34.5 dólares. A Samsung investe 44 dólares na câmera do S10 (modelo com tecnologia Blockchain inclusive) e a Huawei gasta 56 dólares (tem Leica lembra?). Ou seja, o cenário deve ficar ainda mais desafiador para a Apple com seus iPhones daqui para frente. Alguém duvida?

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