Inovação & Tech 9 meses atrás | Mozart Mesquita

O profissional multimídia

A distinção entre o que faz um fotógrafo e videomaker ficará cada vez menos menor. Até porque a nova realidade do mercado e as novas demandas de trabalho vão levar a uma mistura mais intensa entre foto e vídeo. Veja como isso pode ser bom para os profissionais e para o mercado

por Revista FHOX
Tatiana Dyuvbanova – iStock

Nesta edição, FHOX dedica sua primeira capa ao tema vídeo que, pelo novo projeto gráfico da revista lançado há três edições, entrou como assunto de real importância para quem trabalha com fotografia. Por esse prisma, você vai acompanhar nestas páginas como a ascensão do vídeo impacta o mercado fotográfico, como os profissionais lidam com o assunto, os desafios e as perspectivas para o futuro de seu negócio.

Desde que a Canon lançou a EOS 5D Mark II em 2008 muito se especulou sobre o fotógrafo filmar ou o videomaker fotografar. Na prática, isso não se concretizou. De lá para cá, o que se vê são câmeras fotográficas com mais qualidade para vídeo e preço mais acessível e modelos de câmeras de vídeo, como os da Blackmagic e RED, em versões menores com funções para foto ou vídeo. Na ponta do mercado, de quem clica e filma, boa parte dos fotógrafos de casamento que FHOX conversa em papos informais diz que não vai e nem pensa em vender vídeo com a cobertura fotográfica. O motivo é simples: os noivos não pedem. Independente da demandados consumidores, fotógrafos brasileiros parecem ignorar o poder de divulgação do vídeo como ferramenta para mostrar sua marca e seu portfólio. Afinal, nas redes sociais e na internet, o tráfego de vídeo representa 75% do volume de dados e a previsão é que chegue a 80% em 2020.

iStock

O Facebook anunciou recentemente corte no volume de publicações de fanpages de notícias e empresas e diz que só não reduzirá a exposição de vídeos. Na verdade, apenas filmes, gifs e afins devem crescer nas timelines. Só no YouTube são mais de bilhão de horas assistidas diariamente e é visível um comparativo entre curtidas versus visualizações no Facebook e no Instagram. Vale lembrar: o Instagram segue como o canal mais quente do momento, dando mais destaque a vídeos, já que inseriu vídeo ao vivo, posts no stories e a possibilidade de colocar até um minuto de vídeo nos posts. Melhor: dá até para fazer uma entrevista com outra pessoa dividindo a tela no Instagram.

No ano passado, FHOX rodou por mais de 30 eventos pelo Brasil, graças ao Cameraclub. Em duas ocasiões ficou claro que o vídeo veio para ficar. Primeiro, na palestra de Guilherme Coelho (patrocinado pela Sony) no Congresso Meeting Raitai, em Brasília, em que dizia que a ferramenta é como uma moeda. “O que você coloca de esforço e energia no vídeo, retorna para você.” Ele atua na área de casamento e seus vídeos ganharam força no Facebook e no Instagram, sobretudo, servindo de inspiração para fotógrafos e videomakers, ao combinar a potência de uma câmera mirrorless com o fluxo das redes sociais em tempo real. Resultado: agenda lotada para filmar casamentos aqui e lá fora. Outro momento foi em evento em Limeira (SP), em que o fotógrafo e lojista Nelson Shiraga profetizou: “Daqui a cinco anos quem não fizer vídeo, ficará fora do mercado. E olha que eu tinha dúvidas disso, mas é algo que está cada vez mais claro para mim”.

>> Cameraclub: o grande parceiro dos eventos de fotografia e vídeo do Brasil 

Sites respeitados daqui e de fora indicam que vídeo nos equipamentos vai evoluir na forma de mais rapidez, menos lançamentos e mais avanços do software. 4K, conectividade e outros itens que eram vendidos como diferenciais já se tornaram norma. Basta olhar um exemplo recente do fotógrafo Rafael Karelisky. Ele postou no Facebook um vídeo que traz uma relação distinta e emocionante sobre as memórias e o tempo, mostrando o álbum de um parto. Interessante por misturar o livro de fotografia com um filme impactante. Em outro, ele traz a narração de uma noiva em uma história tocante, que aproveita uma sequência de fotos do casamento em slide show. Algo diferente do que se vê no mercado, que poderia ser vendido como produto. Aqui, no caso, esses vídeos servem para divulgar o portfólio do fotógrafo. Não é à toa que a estatística mostra que adicionar vídeos em e-mails aumenta a conversão de aberturas e cliques entre 200 e 300%. Encaixar vídeo em uma landing page aumenta a conversão em 80% e 90% dos consumidores relatam que vídeos ajudam na decisão de compra de um produto ou serviço.

Muitos sabem ler e escrever. Poucos escrevem livros. Este é um pensamento sobre o que realmente é contar histórias. Por quê a fotografia vira livro? (Ligue o som)Quanto mais o tempo passa, mais mergulho na imensidão do universo das imagens. A força vem da edição do conjunto e não da imagem mais estética. Não estou louco (pelo menos acho que não). A beleza nunca será a minha maior meta, pois acredito que ela venha até nós sozinha quando preenchermos as fotos de sensações sinceras. Como, onde, quando e por quê fazemos o que fazemos com nossas fotografias? Uma fotografia pode até se perder com o tempo, uma boa história por sua vez, é eterna.bit.ly/wsnarrativas3Em março no Rio de Janeiro, dias 6 e 7 quero te convidar a mergulhar mais fundo comigo com o Workshop Narrtivas.São mais de 18 horas de conteúdo1. Apresentação e discussão sobre o que é de fato narrativa.2. Faremos “leituras” de livros, filmes e outros exemplos de narrativas.3. Como escolher (edição) o melhor conjunto de imagens e a diferença entre as escolhas para cada suporte, seja um álbum, um slideshow ou um post no blog.4. Conhecer as melhores ferramentas para produzir melhor em cada um dos suportes.5. Produtivide, faça mais e melhor em menos tempo.6. Exercícios na prática, cada um dos alunos vai produzir um novo álbum de um casamento completo, e novos slideshow e post no blog.7. Desconto (50%) na encadernadora Premiere para a produção do álbum feito durante o workshop NARRATIVAS.

Posted by Rafael Karelisky on Monday, February 5, 2018

No avanço dos equipamentos, plataformas e meios, a fotografia se tornará parte fundamental da linguagem. O que fica claro é que o profissional de foto ou vídeo terá de olhar para a combinação. Esse é o ponto que merece atenção: um profissional que saiba criar peças, de produtos ou divulgação, com foto e vídeo no mesmo pacote. Se parece besteira que isso vá ocorrer, é melhor olhar para a grande ameaça a fabricantes de câmeras. Os smartphones não param de avançar na função vídeo. A Apple criou o Live Fotos, arquivos que são fotos, se você não tocar nelas. Mas quando se passa o dedo, a imagem vira vídeo instantaneamente.

>> Não somos fotógrafas e nem videomakers

Por falar em marcas gigantescas, estruturas como Netflix, YouTube, Facebook, Instagram, WhatsApp e Amazon merecem menção quando o assunto é video. A briga aqui é pelo tempo das pessoas. E nesse quesito o seu dia continua tendo as 24 horas, porém, o volume de informação acessível em uma tarde na internet é muito maior do que o disponível durante uma vida toda no começo do século passado. Essa lógica pode explicar uma das nuances poderosas do audiovisual no mundo atual: facilitar a comunicação. E todos vão precisar disso, da pizzaria à mecânica, do comediante ao Sebrae, do salão de beleza à loja de foto, das escolas ao estúdio de fotografia, do fabricante ao distribuidor, ninguém está imune à revolução em curso, proporcionada pela imagem em movimento.

O crescimento de plataformas, fontes de criação de conteúdo, canais de distribuição e consumo trazem impactos enormes na publicidade, segmento muito prezado pelos fotógrafos. Segundo relatório do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau, entidade sem fins lucrativos e presente em mais de 45 países), 80% dos internautas no País preferem ver conteúdo audiovisual a ler um texto. Outro dado interessante para indústria em geral é que 86% dos usuários de internet assistem a conteúdo em vídeo, sendo que 36% veem pelo menos uma vez ao dia. E o mercado responde. As verbas para publicidade digital em 2016 alcançaram a cifra de 11,8 bilhões de reais no Brasil e, desse total, o vídeo abocanhou 2,2 bilhões de reais, ou seja, 19%.

Em 27 anos de mercado, o videomaker Vinicius Credidio, em São Paulo, constata a força que o vídeo ganhou nos últimos tempos na vida das empresas e das pessoas, ele que atua nos segmentos social e corporativo. “O social sempre valorizou a fotografia, mas hoje isso mudou. Claro que um não substitui o outro.” Credidio grava uma média de 200 casamentos por ano e entrou no segmento por insistência de um cliente corporativo cuja filha ia casar. Isso na década de 90. Foi a oportunidade de mostrar como um vídeo de casamento podia ser atrativo frente ao que se fazia na época (longas gravações de noivos, convidados, olhando para câmera). Apoiado na linguagem e nas técnicas cinematográficas, ele criava o “videojornalismo no casamento”, estilo cuja aceitação foi imediata por parte dos clientes e que despertou interesse de colegas de profissão, ávidos pela inovação.

Cred. Vinicius Credidio

Nesses anos, um grande aliado dos videomakers é a evolução das câmeras que se tornaram compactas, facilitando o manuseio e permitindo a utilização de técnicas cinematográficas. Hoje, Credidio grava em uma Sony A7S2. Sua produtora emprega 12 editores que são também cinegrafistas. Ele observa que há muitos fotógrafos querendo migrar para o vídeo. “Só que nós também viramos fotógrafos com as DSLRs, tivemos de aprender”, diz.

Paula Cruz da Sony do Brasil

É fato que a linha de câmeras Sony conquista profissionais de vídeo. Segundo Paula Cruz, gerente de Marketing da categoria Alpha da Sony Brasil, a marca teve crescimento acima de 250% na categoria em 2017. “E temos expectativa de crescer ainda mais em 2018”, diz entusiasmada. Paula destaca uma ampla linha da empresa em que todos os modelos trazem tecnologia 4K, exceto o A7M2. “Consideramos uma tendência mundial no vídeo que, além da maior qualidade de imagem, oferece maior versatilidade para o videomaker. Atualmente, além de conteúdos para tevê e cinema, vemos muitos profissionais usando a tecnologia 4K para casamentos, documentários e conteúdo digital.”

Sony Alpha em ação

Em termos mercadológicos, Paula conta que a marca trabalha com preços competitivos para o mercado local, considerado muito forte em vídeo e foto. “Hoje, os profissionais podem achar nossos produtos no mercado local, com procedência e nota fiscal, garantindo o suporte técnico adequado e a legitimidade da operação”, completa a executiva.

>> Por dentro da produção de vídeos

Palestra sobre vídeos com Rodrigo Ferreira

O videomaker Rodrigo Ferreira fará uma palestra exclusiva para o Canon College, dando várias dicas de como fazer vídeos com qualidade.Quer uma amostra? Dá uma ohada neste vídeo dele sobre Estilo de Imagens!A palestra vai acontecer em São Paulo no dia 16 de Abril . Inscreva-se no link http://bit.ly/2H8mJaV

Posted by Canon Brasil on Tuesday, April 10, 2018

Na Canon (leia mais em “Perfil”), além de uma linha robusta de câmeras, a empresa investe no educacional ao promover workshops e palestras nos principais centros do País. O videomaker Rodrigo Ferreira, do UOL e do coletivo Brokenglass, é um dos que realizam palestras pela marca e falou sobre o perfil dos participantes desses encontros.

>> A força da Canon no vídeo 

 

Em meio a essa efervescência de imagens em movimento, a realidade virtual e a realidade aumentada fazem suas apostas. Em São Paulo, a startup de tecnologia xGB vem se impondo no universo da realidade aumentada. Um de seus diretores, Pablo Funchal, fala do sucesso que foi a campanha de “caça aos descontos”, na última Black Friday do Shopping Eldorado em São Paulo. Por causa do uso intensivo de smartphones, a tecnologia ganha escala. “Primeiro precisa desmitificá-la, porque essa tecnologia existe faz tempo e já deixou de ser cara”, comenta. Apesar de desenvolver projetos focados no marketing de promoções, a xGB tem soluções para convites de casamento e outras festas. Segundo Funchal, a realidade aumentada deverá movimentar 80 bilhões de dólares até 2022 no mundo todo, enquanto a realidade virtual atingirá 25 bilhões de dólares.

>> Esse vídeo mostra como a realidade aumentada pode ser impressionante

Ele concorda com o CEO da Apple, Tim Cook, quando diz que a realidade aumentada será tão importante quanto a criação dos smartphones. “Segundo a Business Insider, 58% dos consumidores que usam e-commerce gostariam de utilizar realidade aumentada antes de comprar um produto. O curioso é comparar esse dado com uma pesquisa da IBM sobre o app desenvolvido para visualizar informações dos produtos no mercado usando realidade aumentada. A pesquisa da empresa mostrou que 58% dos consumidores desejam obter informações sobre o produto na loja antes da compra e que 19% dos clientes navegarão nos dispositivos móveis durante as compras. 40% deles estarão dispostos a pagar mais por um produto, se pudessem experimentá-lo pela realidade aumentada”, destaca Funchal. Ou seja, as empresas já têm muito trabalho para desvendar os anseios do consumidor de amanhã.

Vinicius Credidio

>> Esse vídeo feito com um  minidrone está bombando

Um acessório ligado às câmeras de filmar são os drones. No Brasil, o segmento passa por mudanças após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ter criado regras para operações civis de aeronaves não tripuladas. Para Emerson Granemann, organizador da feira DroneShow, a regulamentação tirou muitos amadores do mercado. “Os contratantes das filmagens também estão mais cuidadosos, exigindo que a empresa esteja certinha com a Anac, porque do contrário ela também pode ser punida”, finaliza ele, que se prepara para a próxima edição da feira em maio.

>> CAMERACLUB: UMA COMUNIDADE DE BENEFÍCIOS E DESCONTOS COM MAIS DE 2 MIL VANTAGENS E 3 MIL MEMBROS 
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