Lançamentos 8 meses atrás | Flávio A. Priori

Liderança e apostas da Samsung na fotografia

Renato Citrini, responsável pela divisão de dispositivos móveis da Samsung, fala sobre a evolução da fotografia nos smartphones.

por Revista FHOX

Texto por Flávio A. Priori | Entrevista: Leo Saldanha

A Samsung é líder no segmento de smartphones, tanto no mercado nacional quanto no mundial.
Mesmo assim, a empresa não se mostra acomodada com o primeiro lugar e se mantém firme na proposta de investir em tecnologia e novos produtos.

Seus mais recentes lançamentos provam isso. Entre eles estão um sensor de 108 Megapixels, o
Galaxy Note 10 e o Galaxy Note 10 Plus, aparelhos que a marca considera como os smartphones mais poderosos já desenvolvidos por ela.

Para falar sobre esses avanços tecnológicos e como eles impactam de diversas maneiras o
mercado da fotografia, FHOX entrevistou Renato Citrini, gerente sênior de produto da divisão de
dispositivos móveis da Samsung Brasil.

Renato Citrini
Renato Citrini, gerente sênior de produto da divisão de dispositivos móveis da Samsung Brasil.
Fotos: Gustavo Scatena / Imagem Paulista

Na entrevista, Citrini fala sobre como a marca está trabalhando para melhorar a produção de
imagens em seus aparelhos, sejam fotos ou vídeos, além da integração entre seus dispositivos e
as expectativas para o futuro. Confira:

FHOX – A Samsung está fazendo grandes avanços em sensores, lentes e inteligência artificial
de seus aparelhos. Como a empresa enxerga o mercado da fotografia atualmente?

Renato Citrini – Ouvimos muito tudo o que nosso consumidor diz. E nós, aqui do Brasil, temos uma voz muito forte na hora de conversar com a matriz sobre as tendências de mercado e suas direções. É importante entender o que os consumidores desejam na hora de escolher um smartphone. Geralmente as pessoas querem uma marca confiável e um design interessante na
hora de comprar um aparelho novo. Além desses pontos, a fotografia sempre é um dos primeiros
itens dessa lista. A qualidade da foto é um dos quesitos que o consumidor busca.

Houve uma evolução muito forte na experiência de fotografia com smartphones de um tempo
para cá. Começamos a trabalhar aspectos um pouco mais técnicos e então ficou a pergunta: como traduzimos isso para o consumidor?

No Galaxy S9 a Samsung trouxe a abertura variável de lente, mas é difícil explicar para o cliente
normal que uma abertura f/0.7 vai alternar para f/2.4 dependendo da luminosidade. Para ajudar,
os números estão ao contrário, quanto maior o valor menor a abertura. Traduzimos isso para
“você vai ter uma foto de excelente qualidade em qualquer condição de luz”.

Desta forma a gente começa a transformar o mundo da fotografia. O que antes era restrito ao
fotógrafo profissional, como esses termos técnicos, vai ganhando uma nova cara. Com ajuda da
inteligência artificial, fazemos com que o consumidor, ao tirar o celular do bolso, consiga fazer
uma foto da melhor maneira possível sem precisar entender o lado técnico, ou o que realmente
está acontecendo ali. Mas aquele cara que gosta e entende de fotografia, ele também vai conseguir fazer ajustes manuais para obter a foto na qualidade que ele quiser.

FHOX – Alguns fotojornalistas premiados já usam smartphones no lugar da câmera. Você
acha que no futuro veremos mais profissionais usando celulares ao invés de equipamentos profissionais?

Renato Citrini – Já vemos muito disso. Em nossos eventos mesmo, dando entrevistas, é cada
vez mais comum. Você tem smartphones, como os das nossas linhas S e Note, que conseguem
fazer vídeos em 4k. Depois de substituir diversos outros dispositivos, como rádio relógio, calendá-
rio e agenda, o smartphone deve tomar outros espaços. A própria máquina fotográfica, daquelas “amadoras”, também entra nessa lista. Vemos, cada vez mais, repórteres usando o celular como
meio de produção de conteúdo.

FHOX – Você acredita que há um limite para a tecnologia de imagem nos smartphones?
Vemos mais lentes sendo colocadas nos aparelhos, novos recursos sendo implementados.
Vimos até mesmo a Samsung anunciando um sensor de 108MP. Até onde isso vai?

Renato Citrini – Um dos nossos trabalhos de renovação é entender esses limites. Um dos nossos
motes é um mundo sem barreiras. Por isso nos perguntamos: nesse desafio tem um limite de resolução? Ou até, o que eu consigo fazer com a resolução desse tipo?

Quando você pega um smartphone, ele tem que ser compacto, as pessoas querem usar
na mão, algo que caiba no bolso ou na bolsa. Está aí o desafio: como eu consigo um zoom
de qualidade nessas condições? Mesmo tendo aparelhos como, por exemplo, o Galaxy A80
com 48MP, não há espaço físico para colocar mecanicamente as lentes necessárias. Como eu
compenso isso?

Para esse trabalho temos um sensor de grande resolução. Na hora que você amplia a imagem
consegue uma resolução boa na foto. Não é um zoom ótico, o qual você não perde qualidade,
mas sim um zoom digital com tanta resolução que, mesmo você cortando ou mexendo, ainda
gera um resultado com qualidade para imprimir ou usar on-line.

Qual o próximo passo para que as pessoas tenham cada vez mais recursos? A gente mergulha muito no técnico, mas no fundo a gente quer é entregar mais recursos para o consumidor. Podemos falar “meu smartphone tem câmera tripla”. Mas a “briga”, não é se tem duas, três ou quatro lentes. A questão é: “o que eu consigo fazer?” Quais são as características que estarão presentes no aparelho que vão fazer minha foto ficar excepcional, que não vão me deixar perder aquele momento especial, que vão tornar meu vídeo mais legal? Colocamos uma série de recursos para que o consumidor fique satisfeito em qualquer situação que ele esteja.

FHOX – A parte de fotografar no escuro, que era um desafio, é algo que está caindo também. Tirar fotos em condições de baixíssima luminosidade parece o grande próximo passo.
Isso vai deixar de ser um problema e ser algo mais fácil de lidar nos smartphones?

Renato Citrini – Sim. É interessante ver o feedback que temos dos consumidores do nosso modo
noturno, que trabalha uma abertura maior na lente. Mas como você consegue ampliar e melhorar essa experiência? Isso acontece de maneira imperceptível para o consumidor, o aparelho vai tirar várias fotos e sobrepor imagens para montar o resultado final.

Se você tirar uma foto de um ambiente bem escuro, uma cidade à noite, por exemplo, esse
recurso entra em ação através de inteligência artificial. O smartphone percebe a situação de
baixíssima luminosidade e já processa: “preciso obter mais ‘conteúdo’ para montar uma
foto final de qualidade”. Então mesmo uma iluminação fraca deixa de ser um problema
para tirar foto.

FHOX – Vamos falar sobre o vídeo com foco dinâmico. Isso é algo surpreendente e foi mostrado lá no evento de lançamento do Galaxy Note 10. O que você pode falar sobre isso?

Renato Citrini
– Isso veio da fotografia, quando a gente fala do efeito bouquet. Nele você distorce o undo e desfoca ele. Até pouco tempo era possível fazer isso na foto, usando duas lentes ou
via software. Mas agora a gente evoluiu com a chegada do Note 10 e Note 10 Plus para fazer
isso também em vídeo.

O 10 Plus possui um sensor de profundidade que percebe com grande precisão o que está
perto e o que está distante. Assim, ele consegue aplicar esse efeito na velocidade de movimenta-
ção do vídeo. A pessoa em primeiro plano está focada e o resto fica desfocado. Tem um efeito que eu gosto muito, parece as antigas fitas VHS, com as cores embaralhadas, uma imagem
cheia de ruído. Você consegue brincar com essas características e leva para o usuário comum
uma qualidade de vídeo que antes era restrita aos profissionais que sabiam fazer isso. Agora a
gente faz de maneira fácil e super tranquila.

FHOX – Temos ouvido muito falar sobre a fotografia computacional. Mais do que as lentes e
quantidade de câmeras, essa parte é um aspecto de inovação muito importante. Você acha
que isso é o futuro da fotografia?

Renato Citrini – Nessa parte de inteligência artificial você tem o smartphone e o sistema interno, chamado de unidade de processamento neural, trabalhando nisso. Essa unidade é responsável por toda a IA por trás desse processo, e vai aprendendo conforme a pessoa usa o aparelho.
Na parte de fotografia temos uma base de milhões de fotos já carregadas para iniciar o aprendizado. Na hora em que você mira em uma paisagem, a IA vai entender, por exemplo, que é uma cena de pôr do sol, ou uma cachoeira. Assim, ela vai definir quais as melhores configurações de acordo com o cenário.

Samsung Galaxy Note 10
O Samsung Galaxy Note 10 é um dos smartphones Android mais avançados e completos que estão em
circulação no mercado.

FHOX – A integração com outros equipamentos também ficou muito visível. O Galaxy Note 10
pode se conectar com o laptop e outros produtos da linha da Samsung. Como funciona?

Renato Citrini – É o que chamamos de ecossistema, conectando toda a linha de produtos para
que funcionem de forma conjunta. Agora consigo ligar o Note 10 no computador e tenho todo
o conteúdo do meu smartphone replicado no meu PC ou Mac. Posso abrir um arquivo do Word
no computador e buscar uma foto que está no smartphone. Eu clico e arrasto como se o arquivo
estivesse dentro do PC.

São recursos voltados à produtividade, que irão aumentar usando essas tecnologias. Essa
interconexão com outros equipamentos é super importante. Você pode usar o smartphone
como um Hub da sua casa, no qual todos os dispositivos estão conectados na mesma rede:
smartphones, tablets, TV, o aspirador de pó, a máquina de lavar. Todo esse contexto de dispositivos que hoje já estão conectados. Era uma visão nossa, na Samsung, que até 2020 todos
os dispositivos estariam conectados. E hoje isso é uma realidade.

Com tudo isso integrado, você pode controlar essas coisas do smartphone ou da TV. Todo esse
mundo interligado forma o sistema da Samsung e vai trazer benefícios ao usuário na parte que
ele vai conseguir usar melhor o tempo dele, consegue se divertir mais, e entende o porquê desse
mundo com diversos dispositivos.

FHOX – A chegada do 5G deve impulsionar ainda mais esse cenário de dispositivos interligados, até mesmo para a criação de conteúdo, que será muito mais fácil. É uma nova revolução?

Renato Citrini – O 5G vai realmente ser uma revolução. A gente sempre brinca: como conseguíamos nos encontrar em lugares públicos antes do celular? O que vai acontecer com 5G será uma revolução tão grande que será algo parecido. Como vivemos sem o 5G até agora?
As pessoas costumam associar essa tecnologia a uma velocidade de transmissão de dados altíssima, mas isso é só uma parte. Outro aspecto importante é o que a gente chama
de latência zero, ou seja, a rede responde de maneira imediata. Também há a confiabilidade, pois é uma rede muito confiável. Hoje acontecem casos de, por problemas na rede, você passar um comando para abrir um site e ele se perder na transmissão. Com 5G isso não ocorre.

FHOX – A Samsung é líder mundial de smartphones. Você vê mais avanços em outras áreas para se manter nessa posição, o que vocês estão imaginando para o futuro da marca?

Renato Citrini – O maior desafio da Samsung é ser comprometida em diversas categorias. Não
é só uma fabricante que produz um dispositivo de uma única categoria. Faz toda a parte
de refrigerador, ar-condicionado, smartphone, smartwatch, TV, tablete, etc. Então o ímpeto é ser incansável nessa busca por inovação para se manter na liderança. Como trazer novos recursos que, com certeza, vão migrar para smartphones com preços mais acessíveis. São tecnologias que começam nos dispositivos mais caros, mas depois a tendência natural é fazer com que todo esse desempenho desça no portfólio para entregarmos essa tecnologia para o maior número de pessoas.

FHOX – Como é sua relação com fotografia, o que você gosta de fotografar?

Renato Citrini – Pouca gente sabe, mas eu fui estagiário da Kodak, lá na década de 1990, na parte
de filmes profissionais. Foi meu primeiro emprego, sempre gostei muito de fotografia. Eu tinha
câmeras de 35mm, tirava muitas fotografias. Era daqueles que deitava no chão para tirar fotos
buscando ângulos diferentes. Na época do filme, eu tirava a mesma foto com um ponto a mais de
exposição, depois um ponto a menos. Na hora de revelar, o pessoal falava: “mas você tirou três fotos iguais”. Aí eu respondia que tinha que prestar atenção, elas não eram iguais. Gosto muito de tirar fotos de paisagem e de pessoas, mas prefiro mais naturais, quando elas não estão percebendo.

FHOX – Com essa experiência lá atrás, sua visão da transformação na fotografia deve ser bem ampla. Pode falar mais sobre isso?

Renato Citrini – Muito! Veja conceitos de hoje que são da época da fotografia analógica, como
o número ISO, uma característica física do filme. Agora é uma reprodução digital, não existe
mais a granulação do filme, por exemplo. Desde a época que fui estagiário da Kodak, tudo evoluiu
muito. E o que é legal é que com a tecnologia uma pessoa comum pode tirar uma foto com a
qualidade que antes era restrita.