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Inteligência artificial promete fotos do celular com qualidade de DSLR

Cientistas utilizam rede neural para ensinar software a fazer modificações nas fotografias.

por Revista FHOX

Pesquisadores desenvolveram uma forma de melhorar a qualidade das fotos nos smartphones utilizando inteligência artificial. A proposta é tornar as imagens capturadas pelo celular mais próxima do resultado oferecido pelas câmeras do tipo DSLR, com maior riqueza de detalhes e cores mais fiéis.

O trabalho foi apresentado por cientistas da ETH Zurique na Conferência Internacional sobre Visão Computacional da IEEE (ICCV, na sigla em inglês), e tem sido apontado com potencial para ser o futuro da fotografia nos smartphones. O evento aconteceu entre os dias 22 e 29 de outubro, em Veneza, na Itália.

Google Pixel 2 traz inteligência artificial para melhorar fotos (Foto: Divulgação/Google)
Google Pixel 2 traz inteligência artificial para melhorar fotos (Foto: Divulgação/Google)

Apesar das câmeras dos smartphones terem evoluído com o tempo, ainda há uma limitação física que impossibilita o aumento de tamanho do sensor e a inclusão de um conjunto de lentes com mais recursos. Por isso, ao comparar uma foto tirada nas mesmas condições por um celular e por uma câmera DSLR, a diferença de detalhes e cor pode ser gritante, especialmente quando é preciso imprimir.

A inteligência artificial já está começando a ser utilizada para melhorar a fotografia nos celulares. O Google Pixel 2 é um dos aparelhos que já contam com a tecnologia, além de alguns softwares como o Google Fotos já utiliza a IA para fazer alguns retoques. No entanto, a pesquisa criada pela ETH Zurique quer tornar o recurso ainda mais popular, podendo ser usado em qualquer dispositivo.

Rede neural

Diferença pode ser sentida em celulares mais antigos, como o iPhone 3GS (Foto: Divulgação/ETH Zurique)
Diferença pode ser sentida em celulares mais antigos, como o iPhone 3GS (Foto: Divulgação/ETH Zurique)

Para treinar o software, os pesquisadores utilizaram um tipo de inteligência artificial mais avançada, chamada de rede neural. O algoritmo é exposto a várias fotos – em diferentes cenários – tiradas por câmeras DSLR.

Após o clique com o celular, o software faz a comparação entre a imagem do smartphone e outra com perfil parecido, já mostrada à IA. Com isso, o algoritmo consegue fazer os ajustes necessários para entregar uma foto com uma série de correções, com qualidade mais semelhante a de câmeras DSLR.

Diferença de fotos com e sem inteligência artificial com a câmera do Xperia Z (Foto: Divulgação/ETH Zurique)
Diferença de fotos com e sem inteligência artificial com a câmera do Xperia Z (Foto: Divulgação/ETH Zurique)

Imagine uma foto na chuva tirada com o smartphone, por exemplo. A inteligência artificial, ao identificar que está chovendo, faria a comparação com o mesmo cenário e ajustaria a fotografia para um resultado com mais detalhes de acordo com esta condição do clima.

Os pesquisadores criaram um site onde é possível fazer alguns testes e comparar o antes e depois das fotos. O resultado final, entretanto, ainda precisa evoluir. Apesar de bom realce na luz, algumas fotos podem apresentar tons esverdeados.

No futuro, os cientistas acreditam que o algoritmo será capaz de conseguir mudar completamente o aspecto de uma foto. A tendência é de que seja possível, por exemplo, transformar um dia nublado em uma tarde de sol, na fotografia. Porém, ainda não há expectativa de quando o software chegaria a este ponto, e nem quando ele deve vir embutido em algum dispositivo ou ser usado por algum aplicativo.