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A era da fotografia mobile

Apple
IPHONE 11 PRO, ÚLTIMO LANÇAMENTO DA APPLE NO MERCADO

Qual é o maior vendedor de câmeras do mundo? Pessoas do mercado fotográfico vão logo dizer Canon. E estão corretas. Mas quem está por dentro do mercado de tecnologia e smartphones, provavelmente citará a Samsung. Só no último ano, a empresa foi responsável por 20,9% das vendas de smartphone em todo o mundo, segundo dados da International Data Corporation (IDC).

Aliás, não só a Samsung, como Huawei, Xiaomi e Apple são os grandes vendedores de câmeras digitais no mundo hoje. Tudo culpa de Steve Jobs, que em 2007 apresentou o iPhone, uma
evolução do iPod com celular, câmera e um monte de outras coisas no mesmo dispositivo. O impacto de Jobs foi tão grande nesse segmento, que ele entrou para o Hall da Fama da fotografia
nos Estados Unidos.

Um salto estonteante no tempo nos traz para o lançamento do iPhone 11 e do iPhone 11 Pro. Na
apresentação de quase duas horas, a Apple dedicou uma parte importante para a fotografia. O
fato é que várias marcas estão colocando todos os seus esforços na fotografia em si.

A Samsung, por exemplo, em um evento recente, mostrou um time de embaixadores/influenciadores da fotografia e do vídeo. A marca, aliás, acredita que o segmento de vídeo vai dar um salto com a chegada do 5G. Tanto que uma das grandes novidades do Galaxy Note 10 e 10 Plus é o foco dinâmico em vídeos de altíssima resolução.

O apelo de marketing das marcas líderes passa por inovação para fotografar melhor. O termo
“fotografia profissional” ou “câmera profissional” quase sempre está presente em peças de vitrines de lojas de rua, propagandas em revistas, redes sociais e afins. O consumidor, contudo, parece mais seduzido por outros itens: a quantidade de lentes, a capacidade de fotografar no escuro,
os recursos que tornam a qualidade da foto muito melhor automaticamente e ferramentas para
fazer selfies de forma divertida, simples e rápida.

DECISÃO DE COMPRA E STATUS

O que os consumidores mais buscam em um aparelho novo é tempo de bateria, câmera e capacidade de processamento. Nos modelos mais sofisticados, a quantidade de lentes virou item de status. Não para menos que Samsung, Huawei e Apple estão produzindo modelos de ponta com múltiplas lentes.

Basta olhar os lançamentos recentes da Huawei para comprovar isso. O P30 Pro, com 50x de
zoom, tem câmera tripla. Já o Mate 10 Pro que vem com quatro câmeras na parte de trás do aparelho.

A Samsung também passou a lançar modelos com três lentes. E o iPhone 11 Pro conta com a
mesma quantidade de câmeras. Ter mais lentes no aparelho é uma forma rápida e fácil de ser
identificado como alguém que tem o melhor smartphone possível.

No Brasil, a Allied é a maior distribuidora de celulares, além de diversos outros equipamentos.
Segundo Jorge Romboli, diretor comercial da empresa, 25 % do interesse de um usuário está
atrelado aos features de imagem.

“O que nós percebemos é que o desejo inoperacional ainda é um lugar muito ocupado pela
Apple, mas o volume é sempre algo muito forte com Samsung, que quando lança uma linha nova,
como fez recentemente, impacta fortemente o mercado. No exterior, sabemos que essas duas
marcas têm fortes concorrente, Xiaomi e Huawei, principalmente na Ásia. Por aqui, todas essas
também tem a companhia de marcas como Motorola e Asus, que vem com bom desempenho”,
explica Romboli.

Mas a questão no meio disso tudo é: fotógrafos estão realmente usando o celular como uma ferramenta fotográfica? Para um dos profissionais mais respeitados do mundo todo, Sebastião Salgado, a fotografia de verdade só existe mesmo quando impressa. A declaração foi dada durante uma conversa com o jornalista Pedro Bial, no programa Conversa com Bial, da Rede Globo. A entrevista foi compartilhada no podcast da FHOX e inúmeros fotógrafos comentaram sobre
o que Salgado disse.

“Continuo achando ele um excelente fotógrafo, mas quando o ouvi dizer que fotografia com celular não é fotografia, parei de dar credibilidade”, disse Anderson Silva, fotógrafo profissional de São Paulo.

Ao mesmo tempo vemos profissionais de tanto renome quanto Salgado, caso de Annie Leibovitz, apostando no Instagram e nos smartphones. Aos 70 anos, a fotógrafa norte-americana
entrou na rede social em outubro passado e parece estar disposta a abraçar a nova fase da fotografia em tempo real.

Huawei
A qualidade da câmera dos smartphones se tornou ponto crucial na decisão da compra do aparelho.

A NOVA REVOLUÇÃO

Qual é a próxima fronteira da foto com smartphones? A resposta deve estar na inteligência artificial
da fotografia computacional. Na prática os avanços nessa parte garantem fotos melhoradas em
condições de baixíssima luminosidade, capacidade de mesclar arquivos para criar fotos incríveis (HDR de nova geração) e e efeitos de zoom melhores.

O Google Pixel 4, que acaba de chegar ao mercado dos Estados Unidos, traz uma incrível capacidade de clicar galáxias. Em seu lançamento a marca apresentou fotografias do céu feitas no escuro, que davam a dimensão do potencial desse novo equipamento. O modelo com lente dupla foi testado por Annie Leibovitz e a fotógrafa fez retratos e vídeos que foram usados no evento de lançamento. A indicação é clara: a fotografia é fator decisivo na estratégia das marcas em várias frentes.

Aliás, além dos smartphones, Google também atua forte no universo dos apps. O Fotos, por exemplo, dá armazenamento de graça sem custo e serviços de impressão (só nos EUA) com photo books e fotos avulsas. Já a Apple renovou o conceito das lojas Apple Store pelo mundo. Usa a fotografia para decorar ambientes e contrata fotógrafos como consultores de vendas. Promove workshops, degustações e passeios fotográficos. Algo inclusive que começou a ser oferecido aqui no Brasil. As propagandas da marca quase sempre destacam a importância da câmera para retratos ou para fazer vídeos incríveis.

A DOMINAÇÃO MOBILE

A GSMA Intelligence, entidade global que trata de telefonia móvel no mundo, estimou que em 2017
haviam cinco bilhões de smartphones em todo o planeta. Na prática, isso representa uma realidade
muito distinta de 1980, época em que se vendeu a mesma quantidade de câmeras vendidas atualmente. De 2010 para 2018, passamos de mais de 120 milhões de câmeras digitais vendidas no pico para menos 30 milhões. Como tudo em negócios, trata-se de algo que oferece oportunidades e ameaças.

A ameaça é óbvia e já ocorre. Câmeras compactas praticamente sumiram e os modelos profissionais de entrada sentem o baque de dispositivos mais poderosos com recursos que antes eram impensáveis em smartphones, como modo retrato e desfoque.

Esse ano também, a Leica dispensou dezenas de engenheiros de câmeras na Alemanha e contratou um bom número de desenvolvedores de soluções de fotografia para dispositivos móveis. O CEO da marca disse em entrevista, no ano passado, que a empresa sonhava em lançar um smartphone próprio. Isso não ocorreu, mas a parceria com a Huawei levou a marca chinesa à segunda posição mundial.

A Leica também acaba de lançar um módulo fotográfico junto com uma fabricante de drones, a
Yuneec. Ou seja, a lendária marca que virou sinônimo de luxo, parece atenta ao novo momento
do mercado conectado.

Ainda em 2018, a Zeiss lançou sua primeira câmera conectada, que já vem com Lightroom e
permite editar a foto no próprio dispositivo, sendo possível enviar a imagem direto para as
redes sociais ou por e-mail. Marcas como Sony, Olympus e Fujifilm trabalham com modelos mais
compactos e, ao mesmo tempo, extremamente sofisticados, com foco em conectividade, controle e funções avançadas para filmar.

Apple
IPHONE 11 PRO, ÚLTIMO LANÇAMENTO DA APPLE NO MERCADO

Ainda em 2018, a Zeiss lançou sua primeira câmera conectada, que já vem com Lightroom e
permite editar a foto no próprio dispositivo, sendo possível enviar a imagem direto para as
redes sociais ou por e-mail. Marcas como Sony, Olympus e Fujifilm trabalham com modelos mais
compactos e, ao mesmo tempo, extremamente
sofisticados, com foco em conectividade, controle e funções avançadas para filmar.

Na verdade, as compactas antigas deram espaço para aparelhos compactos super avançados, muitas vezes full-frames com recursos poderosos e preço premium. Nesse ponto vale a análise e posicionamento da Sony. A empresa apostou pesado nas mirrorless de ponta e agora lidera em receita, passando a Nikon e só atrás da Canon. A marca japonesa ganha tanto com a venda de câmeras quanto de sensores, já que atende fabricantes de smartphones e câmeras nesse quesito.

Se para a indústria de câmeras a transformação foi grande, para as outras áreas as mudanças seguem ocorrendo. As lojas de foto já faturam mais com envio de fotos de smartphone no quiosque
ou via WhatsApp. Criou-se aí um desafio. O quiosque teve que evoluir oferecendo mais recursos e facilidades no ponto de venda.

As lojas de foto que estão entendendo a nova fase do cliente e suas demandas estão se adaptando de forma surpreendente. Com ofertas de fotopresentes e valores maiores para menos cópias, dão enfoque para decoração e álbuns a partir do smartphone. As possibilidades mostram-se inesgotáveis. Basta ver o exemplo da Aura, uma empresa gringa que cria porta-retratos digitais e oferece um porta-retrato físico exclusivo junto com um serviço de assinatura de impressão. O assinante adere ao serviço via app e recebe as fotos em casa para colocar no porta-retrato,
que tem até um compartimento para 60 fotos extras.

Esse formato de assinatura reconhece e valida a nova fase da economia. Hoje, no Brasil, são cerca de 800 empresas atuando nesse formato, de bebida, livros a impressão de fotos. Com a vantagem da recorrência e a possibilidade de atrair clientes que querem conveniência e um produto
único. Oferecer algo que surpreende, assim como fotos em casa é uma boa ideia. Por isso as experiências nesse sentido se mostram acertadas.

POSSIBILIDADES

A nova fase do smartphone e da fotografia não passa só pelo aparelho e tecnologia. Passa por
mudança de comportamento de forma consistente. Pessoas gostam de selfies e curtem compartilhar esses momentos. De olho nisso surgem negócios “instagramáveis” aqui no Brasil e lá fora.

Em shoppings, museus e eventos, para públicos de diferentes classes sociais, a ideia é oferecer
um cenário para que as pessoas possam parar com amigos, fazer poses e compartilhar. Talvez
imprimir se tiver a impressão disponível na hora.

O Museu mais Doce do Mundo, que está com atração pop-up no shopping Morumbi, em São
Paulo, e com atração principal no Rio de Janeiro oferece uma série de cenários divertidos para fotos no Instagram e outras redes sociais. Marcas como Bauducco e Huawei fizeram parcerias com
esse museu em ações de ativação de marca envolvendo fotografia. Não demorou a surgir um
novo tipo de negócio, os estúdios de Instagram.

É o caso do Wall Crawl, de Orlando, um negócio que conta com 30 cenários em uma cidade com
vocação turística. As pessoas conseguem agendar horário no site e podem levar fotógrafo pessoal,
contratar um fotógrafo do negócio ou levar só o smartphone. A empresa só abre às sextas, sábados
e domingos para consumidores finais. Durante a semana aluga o espaço para eventos corporativos.

E NO BRASIL?

O Brasil já possui mais smartphones do que pessoas. São 230 milhões de aparelhos ativos
segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada em abril deste ano. Assim,
qualquer ação de marketing deve ser pensada para os dispositivos móveis: divulgação, interação, vouchers, promoções. A ideia de só ter uma conta no Instagram e ficar postando promoções
e portfólio está mais do que desatualizada.

As boas empresas em qualquer segmento da fotografia já entenderam o óbvio: o “social” do termo rede social quer dizer que pessoas querem lidar com pessoas. Conversar com os clientes,
interagir e encantar com as ferramentas disponíveis é o caminho que os negócios estão conseguindo para se diferenciar.

Thalita Monte Santo
É jornalista e integra a redação da Revista FHOX. Escreva para: thalita@fhox.com.br