Entrevistas 2 meses atrás | Leo Saldanha

SP-Foto: A força da arte na fotografia

Fernanda Feitosa, criadora e responsável pela SP-Arte e Sp-Foto, fala sobre o evento e o mercado autoral de fotografia

por Revista FHOX

Entre 21 a 25 de agosto, em São Paulo, acontece a 13ª edição da SP-Foto, no centro de eventos do Shopping JK Iguatemi. O evento, que tem se firmado como o principal do meio dedicado à linguagem artística no País, reúne fotógrafos renomados e jovens apostas do mercado. Fernanda Feitosa, criadora e responsável tanto pela SP-Arte quanto pela SP-Foto, conversou com a FHOX e falou sobre o mercado de fotos autorais e as expectativas para o SP-Foto.

SP-FotoJéssica Mangaba
Fernanda Feitosa

 

FHOX – Uma nova edição da SP-Foto vem aí. Como estão os preparativos?

Fernanda Feitosa – Estamos muito contentes em comemorar a 13ª edição da SP-Foto. Estamos expandindo o Circuito Ateliês Abertos para o centro, além do tradicional roteiro pela Vila Madalena. No sábado que antecede a SP-Foto, 17 de agosto, ateliês abrem as portas ao público, que poderá conhecer de perto os bastidores do universo fotográfico e da imagem. Durante a Feira, oferecemos visitas guiadas com especialistas para os interessados em conhecer histórias por trás das obras expostas.

FHOX – E qual a sua expectativa para essa edição?

Feitosa As expectativas são altas. A última edição da SP-Foto recebeu 18 mil visitantes em cinco dias de evento e acreditamos que iremos superar esse número este ano. Por meio de um cuidadoso dedicado trabalho selecionamos galerias de qualidade, prezamos também pela  diversidade de expositores e por uma curadoria de conteúdo relevante para tornar a experiência cultural o mais abrangente possível. Nesta edição, estão confirmadas as presenças de obras de nomes influentes da fotografia como Jean Manzon, Ellen von Unworth, Ana Vitória Mussi, Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco, Cinthia Marcelle e Mauro Restiffe.

Em meio ao ambiente de promoção da fotografia criado pela Feira, convidamos especialistas internacionais para se aproximarem da produção nacional. Neste ano, Barbara Tennenbaum, curadora de fotografia do Museu de Arte de Cleveland; Margot Norton, curadora de fotografia do New Museum (Nova York); Julieta González, diretora artística do museu Jumex (Cidade do México); e Sophie Hackett, curadora de fotografia da Art Gallery of Ontario (Toronto), vêm à SP-Foto pela primeira vez. Já Simon Baker, ex-Tate Gallery (Londres) e atual diretor da Maison Européenne de la Photographie (Paris), retorna a São Paulo na ocasião do evento para acompanhar as tendências da fotografia local.

FHOX – Acredita que ainda há espaço para crescimento dentro da fotografia autoral?

Feitosa – A fotografia autoral brasileira, desde o período modernista, se destaca como referência no mundo. Nos anos 1940, integrantes do Foto Cine Clube Bandeirante como Thomaz Farkas, Gaspar Gasparian e Geraldo de Barros iniciaram uma pesquisa formal que explorava planos, texturas, ângulos, sombras e experimentações técnicas. Na contemporaneidade, a riqueza da fotografia permanece e vem ganhando ainda mais destaque.

Neste ano, a brasileira Bárbara Wagner, que trabalha principalmente com fotografia e videoarte, está em destaque na 58ª Bienal de Veneza, junto com sua dupla Benjamin de Burca. Desde os modernistas até os contemporâneos, todos estarão na 13ª SP-Foto que abarca aproximadamente cem anos de história da fotografia brasileira.

SP-FotoJéssica Mangaba
A Feira chega à sua 13ª edição como o mais importante evento dedicado ao trabalho fotográfico no Brasil

 

FHOX – Pode falar de números de mercado? Quanto representa a fotografia nessa parte autoral para o mercado?

Feitosa – Como a fotografia não pode ser dissociada do mercado de arte, não há dados exclusivos. De uma forma em geral, podemos dizer que a fotografia brasileira vem crescendo, tanto no Brasil como no exterior, e está cada vez mais presente em acervos de instituições, assim como em leilões e galerias comerciais. O MoMa, de Nova York, por exemplo, já adquiriu mais de 100 obras de autoria de fotógrafos brasileiros.

Instituições com o Museu de Fine Arts de Houston, o Metropolitan Museum (Nova Iorque), Museu Stedelijk (Amsterdã) e Centro Pompidou (Paris) também possuem nomes nacionais em seus acervos de fotografia a exemplo de Claudia Andujar, Miguel Rio Branco e Sebastião Salgado. A tendência é que a visibilidade da fotografia brasileira no exterior influencie o valor das obras e fomente ainda mais o crescimento do mercado.

FHOX – A fotografia é um bom negócio?

Feitosa – Nós não olhamos para fotografia e arte por um viés comercial, mas como uma oportunidade de fomentar a cultura no Brasil. Com a SP-Arte e a SP-Foto, oferecemos a aproximadamente 55 mil pessoas a oportunidade de se aproximar de obras de arte, raramente expostas em instituições públicas. Além disso, facilitamos um canal para as galerias gerarem negócios. Os números demonstram que ambas a SP-Arte como a SP-Foto têm sido lucrativas para os expositores.