Entrevistas 1 ano atrás | Leo Saldanha

Rafael Petrocco: empreendedor multimídia e fotógrafo de casamento

Criador do primeiro podcast de entrevistas de fotografia do Brasil. Petrocco é profissional que atua em muitas frentes e que também cria belas imagens na fotografia de casamento

por Revista FHOX
Rafa Petrocco por André Martins

A FHOX conversou com Rafael Petrocco. Fotógrafo de casamento de campinas que criou o primeiro Podcast de fotografia do Brasil. Carismático e bem humorado, ele se tornou uma figura reconhecida no mercado fotográfico. Palestrante, mestre de cerimônias, influenciador digital (embora ele não acredite). Petrocco reúne um perfil diferenciado de boa parte dos fotógrafos do mercado. Leia a entrevista. Confira o papo sobre carreira, referências, ramo e o desafio de equilibrar a vida do Papo de Fotógrafo com a rotina de ser fotógrafo profissional.

Ana Cariane e Rafa Petrocco. Eles começaram o Papo de Fotógrafo e já entrevistaram dezenas de fotógrafos brasileiros e gringos!

 

  1. Como começou na fotografia?

O meu início na fotografia não é tão poético quanto a de outros profissionais, mas não deixa de ser interessante. O meu primeiro contato com a profissão foi quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, quando trabalhei por 3 ou 4 vezes como assistente de luz para o meu vizinho. Confesso que só ia por causa dos R$ 20 reais que eu ganhava na época e por poder comer os docinhos e sobremesas durante a festa. Mas foi depois do meu casamento, que a minha história nessa área começou. O estúdio que fotografou meu casamento precisava de uma pessoa para cuidar do blog e ajudar na diagramação, e como eu estava ‘desempregado’ (por opção), aceitei o convite. Porém em um final de semana, o dono da empresa precisava de alguém para acompanhá-lo em um evento, pois o seu 2º fotógrafo não estava disponível, então colocou uma câmera na minha mão, ensinou o que era abertura, velocidade e iso, e disse para eu ficar tranquilo, que ele garantia o casamento. Acho que o resultado não foi tão ruim assim, pois acabou me convidando em outras oportunidades para fotografar. E eu gostei da ‘brincadeira’.

  1. Qual sua grande referência hoje?

Essa talvez seja uma das perguntas mais difíceis de responder. Primeiro porque para muitas pessoas a referência está só relacionada ao trabalho fotográfico em si (a imagem), e eu levo o lado pessoal muito em consideração antes de avaliar a imagem. Existem muitos profissionais que eu admiro, e que hoje são meus amigos, com trabalhos incríveis, e é claro que eu gostaria de ter um trabalho igual ao deles, mas sei que nunca será, pois somos diferentes e consequentemente o resultado também será. Mas gosto de pessoas com trabalhos simples, que mostram o real de uma forma que você olha e possa dizer “Eu também posso fazer isso”. Adoro o trabalho do Danilo Siqueira, Fer Cesar, Rafael Fontana, Rocker in Love e outros nem tão conhecidos, como Nelson Junior, Fer Suhett e muitos outros que nem sempre são da área de casamento. Talvez a pergunta deveria ser “Quais são suas grandes referências?”, né?!

 

  1. Como está o mercado?

Estamos em um processo de aprendizado. Assim como foi a época de mudança do analógico para o digital, hoje estamos em uma mudança muito mais cultural do que tecnológica, mesmo porque já incluímos a tecnologia em nossas vidas. Agora temos que mostrar que o nosso diferencial não está somente na fotografia em si, mas sim em quem nós somos e como vemos e vivemos no mundo.

Temos que aprender como nos comunicar com nossos clientes através de canais que não existiam a 2 ou 3 anos atrás e que podem não existir amanhã. A concorrência é um outro fator que mudou de alguns anos para cá, antes éramos poucos com muitos trabalhos, e agora somos muitos para poucos trabalhos. Mas é essa oferta e demanda que mostra quem são os verdadeiros profissionais dos aventureiros.

  1. Como você equilibra o PdF e a vida de fotografar?

Não vou dizer que existe um equilíbrio, mas com certeza hoje está mais organizado do que no início. No começo, o PDF era uma ‘brincadeira’, então fazíamos nos tempos livres, não havia uma cobrança. Depois que ele se tornou uma empresa, a coisa mudou.

Quando mudou eu já estava de saída do estúdio que eu trabalhava como fotógrafo e editor de imagem, então foi uma transição tranquila, pois o tempo que eu me dedicava ao estúdio passei a dedicar ao programa, e não deixei de trabalhar como freelance nos finais de semana. Tarefa essa que eu realizo até hoje, primeiro porque me ajuda financeiramente, e segundo que é a profissão ideal para quem não tem tempo de atender cliente, tratar imagens, diagramar álbuns, fazer pós venda. Sendo segundo fotógrafo, entrego os arquivos para o contratante, ele assume o resto, e eu aproveito esse ‘tempo livre’ para dedicar ao programa e outros projetos.

  1. Qual a importância do equipamento e o que usa hoje?

Eu uso 2 câmeras Canon 6D, com as lentes 85mm, 50mm e a 28mm.

Já faz um bom tempo que utilizo esse equipamento, mais ou menos uns 3 anos, e ele, apesar de ser um equipamento profissional de entrada (ou seja, seria a primeira linha de câmeras profissionais) me atende perfeitamente. E vale lembrar que só fiz a troca do equipamento quando percebi que o equipamento anterior já não me atendia mais tecnicamente, ou seja, quando precisava de um pouco mais de ISO, velocidade no foco e rapidez na gravação das imagens no cartão.

Apesar da maioria dos fotógrafos dizerem que os equipamentos não fazem diferença, não é uma verdade. É importante sim ter um olhar apurado, conhecer a técnica, mas como profissionais precisamos de ferramentas que atendam nossas necessidades quanto artistas e também quanto empresários, pois além de oferecer mais recursos, precisamos também de equipamentos que correspondam mecanicamente e que não falhem no momento mais importante que é quando estamos trabalhando.

  1. Qual seu sonho como fotógrafo?

Depende de qual lado do fotógrafo estamos falando.

Como fotógrafo-empresário-autônomo, o meu sonho é poder através da fotografia sustentar, dar conforto e proporcionar momentos de lazer a minha família. Como fotógrafo-artista, é poder usar a fotografia como ferramenta de transformação, e quando eu falo essa frase não é clichê, é verdadeiro. Se houvesse uma maneira de manter uma estabilidade financeira produzindo fotografia para pessoas e projetos que poderão mudar a vida de outras pessoas sem que precisem me pagar, seria perfeito. Mas enquanto isso não acontece, fotografar pessoas de bem em seus momentos mais felizes, já seria um sonho realizado.

  1. Como vê a mentalidade dos profissionais hoje?

Existe 2 mentalidades ‘em alta’. A da maioria, que buscam receitas de sucesso, e a da minoria que procuram os questionamento para que consigam transformar sua própria fotografia ou negócio.

A primeira além de esperar que uma receita de sucesso mude a sua vida, compram discursos e os defendem com ferro e fogo. Basta acompanhar os grupos de Facebook para ver o que eu estou falando.

A segunda é formada por alguns profissionais que já entenderam suas missões como fotógrafos e não procuram mais o sucesso na sua forma de ‘idolatrismo’ (ser idolatrado por outros profissionais), mas sim o sucesso através da satisfação pessoal e de saber que podem contar qualquer história através da sua profissão.

  1. Como busca a reciclagem para fotografar e melhorar seu estilo?

Eu não gosto de usar a palavra reciclagem quando estamos falando de desenvolvimento pessoal, pois reciclar é pegar algo e encontrar uma nova forma de usar, e isso na fotografia nem sempre funciona. O ideal é que a gente aprenda coisas novas, que possam ser acrescentadas a aquelas que a gente já usa, já faz e que deu certo.

Como diriam alguns amigos, sou arroz de festa de congressos e já fui mais ativo na participação de workshops, que são encontros incríveis para aprender algo novo. Mas nada substitui uma boa conversa com pessoas que você admira e tem amizade.

Vejo muitos profissionais participando de leitura de portfólio, concursos e premiações fotográficas, que também é um ótimo caminho para o desenvolvimento do olhar e da fotografia, mas o grande problema está na escolha dos profissionais que fazem essa avaliação. O ideal é que seja alguém com um trabalho que você admira, que tenha o conhecimento e a didática de analisar e encontrar os erro e que, principalmente, te conheça, pois só assim ele terá uma base para poder falar se o caminho que segue está certo ou precisa de alguma mudança.

  1. Qual a dica que daria para quem está começando?

Ouça o Papo de Fotógrafo … (risos)

Apesar da brincadeira, é uma dica real. Não é porque sou eu quem apresento junto com a Ana Cariane, mas porque eu gostaria de ter ouvido muitas histórias que estão ali, antes de desbravar o mundo da fotografia. Mas talvez esse seria meu quarto ou quinto conselho. Os primeiros seria algo do tipo:

“Não tenha pressa” – Você vai chegar onde quer chegar e pular etapas pode fazer com que você não consiga realizar o seu sonho ou ele não se realize como deseja, e isso será frustrante. Não há nada pior do que querer desistir no meio do caminho sem saber se está ou não perto de conseguir o que você quer. Por isso, não pule etapas, vá com calma.

“Você não precisa ser ele” – É comum a gente se espelhar em grandes nomes da fotografia. Querer ter um trabalho igual, parecido ou chegar onde ele chegou. Mas só conhecemos o final do caminho e não todo o percurso, não sabemos o quanto ele abriu mão de outros sonhos para chegar até onde chegou, e o sonho dele com certeza não é o mesmo que o seu. Aproveite a sua jornada, curta cada conquista e no final, quem sabe, você seja até melhor do que ‘ele’.

“Equipamento faz a diferença, mas só quando você perceber o porquê” – Você vai ouvir muito por aí que o equipamento não faz o fotógrafo, mas sim o seu olhar. Essa é uma meia verdade. O olhar é a primeira ferramenta que temos que desenvolver e para isso qualquer equipamento ajuda, até mesmo um celular, mas vai chegar um momento em que o equipamento vai fazer a diferença, principalmente se a fotografia for o seu ganha pão. Uma câmera que aguente o tranco, uma lente mais clara e nítida serão essenciais para o desenvolvimento na qualidade da imagem produzida por você.

Existem muitas outras dicas que poderiam ser colocadas aqui, mas acho que a gente poderia fazer uma outra matéria sobre o assunto (risos).

  1. E para quem está cansado do mercado?

Eu não sou psicólogo e nem quero fazer o papel de, mas acho que muitos dos profissionais que dizem estar cansado do mercado na verdade estão desanimados consigo mesmo. É a impressão que eu tenho, e acredito que não tenha nada de errado com isso. Todos nós somos assim de alguma forma.

Chega um momento em nossas vidas que as prioridades mudam, sonhos mudam, tudo muda, e talvez a fotografia não faça mais parte desse percurso. Muitos profissionais começaram na fotografia porque não estavam mais felizes em suas profissões ou empregos, e mudaram. É hora de buscar e encontrar algo que ascenda o fogo da energia, da autoestima.

Aos que estão realmente cansados do mercado, é hora de pensar no que podem fazer para mudá-lo. Sabemos que é um trabalho difícil, árduo, mas que alguém precisa começar, plantar uma sementinha de mudança, que um dia irá crescer e dar frutos.

  1. Qual a importância da impressão para você?

Que bom que usou o “para você”. Se não houvesse essa parte na pergunta, talvez a resposta teria sido um pouco mais polêmica (risos).

Eu sou o primeiro filho (quem tem irmãos vai entender) e nascido na era analógica-digital, cresci com milhares de álbuns grandes e pequenos contando toda minha infância e um pouco da adolescência. Gosto e acho muito legal ter a possibilidade de ter a fotografia em mãos e quando posso mando revelá-las.

Sem falar que hoje temos milhares de formas diferentes de termos nossas imagens de alguma forma. E essa é uma das vantagens da nossa geração, a fotografia não precisa mais ficar guardadas em caixas de sapato no fundo do armário. Podemos revelar, transformar em quadros, peças decorativas, fazer álbuns … Só não tira do HD quem não quer.

  1. No Brasil passamos tempo demais nas redes sociais. Acredita que esse canal vai continuar forte para fotógrafos?

Falei esses dias em algum post do Facebook que sou um tiozão da internet. Tem algumas coisas que eu ainda tenho o pé atrás e depois de conversar com uma especialista em Marketing Digital, eu acredito que algumas coisas possam mudar.

As redes sociais se tornaram um canal democrático, oferecem oportunidade a todos e acredito que não deixarão nunca de ser um ótimo canal, desde que, o fotógrafo esteja sempre atualizado e saiba como usá-las adequadamente. Mas também estamos passando por uma geração que está aprendendo a trabalhar para viver e não mais viver para trabalhar, ou seja, então descobrindo que precisam curtir a vida, aproveitar mais o que o trabalho pode oferecer.

Estamos em um pico de uso das redes sociais por ainda serem ou trazerem novidades, mas acredito que daqui alguns anos a busca pelo off-line, pelo anonimato, seja algo cada vez mais frequente, assim como é hoje, por exemplo, a busca pela alimentação saudável e que antigamente era pelo Fast Food.

  1. Qual seu grande sonho pessoal?

Ir para a Disney.

Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas sonho nos remete a algo fantasioso, inacreditável e impossível, e a Disney é, para mim, o lugar onde eles podem se realizar. E mais do que isso, eu quero levar a Elena comigo para que ela possa, mesmo que pequena, acreditar em um mundo onde as fantasias e os sonhos possam se tornar reais.

É claro que existem outras coisas que eu gostaria de conquistar, seja pelo lado pessoal ou profissional, mas talvez eles não sejam tão importantes quanto a de viver uma experiência de conhecer um lugar mágico (Disney).

  1. Algum outro comentário?

Não esqueçam de ouvir o Papo de Fotógrafo (risos).

Ouça e conheça: http://www.papodefotografo.com.br/

Rafael Petrocco: http://www.rafapetrocco.com.br/

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