Entrevistas 3 anos atrás | Thalita Monte Santo

Fotógrafa registra pequeno príncipe brasileiro em ensaio cheio de representatividade

por Revista FHOX

Existe um pequeno príncipe negro em terras brasileiras e a fotógrafa paulista Mari Merlim é a responsável por registrá-lo em um ensaio cheio de ternura. Forte e singelo, o trabalho surge como uma forma de debater diversos assuntos, entre eles o preconceito racial. Além de dialogar de forma que as crianças estejam incluídas na conversa.

Natural de São Paulo, mas morando atualmente em Florianópolis, Merlim começou sua história de amor com a fotografia infantil quando o irmão mais novo nasceu e seu pai adquiriu a primeira câmera digital da família. Mas foi só em 2010, depois de fazer parte de um grupo voluntário em uma comunidade no Rio de Janeiro, que ela descobriu a vontade de trabalhar eternizando os pequenos.

“Fiquei responsável pelo registro do trabalho, e um deles acontecia em uma creche. Foi aí que descobri o retrato infantil e me apaixonei por essa ideia de fotografar crianças”, conta.

O Pequeno Príncipe

Quando chegou em Florianópolis pela primeira vez, Merlim se encantou pelas dunas de duas praias: Joaquina e Campeche. Ela se recorda que a imensa extensão de areia a fez lembrar de um deserto inóspito, no meio da cidade.

“Veio-me à mente a figura de um pequeno príncipe, e o desejo de que ele fosse brasileiro, nosso, colorido. Fotografamos o menino Artur, e ele se tornou a imagem de um pequeno príncipe negro e brasileiro, desvendando o mundo. O que diz muito sobre a universalidade da obra de Antoine de Saint-Exupéry”, explica.

Existe um propósito pessoal da fotógrafa em dar voz e protagonismo à infância, quando se trata de debater certos assuntos.

“É preciso levar mais as crianças em consideração, perceber que elas compreendem sentimentos complexos, às vezes, melhor que os adultos. Podemos representar tudo isso de forma lúdica, fantasiosa, e ao mesmo tempo, real”.

Pouca gente sabe, mas Saint-Exupéry, além de escritor, era piloto. E enquanto trabalhava em uma companhia de correios aérea – chamada Aeropostale, uma de suas escalas era em Florianópolis, na região do Campeche. Não é coincidência que umas das principais avenidas do bairro recebeu o nome de Av. Pequeno Príncipe.

O trabalho de resgate histórico, presente no projeto da fotógrafa, é de Monica Cristina Correa, que desenvolveu toda uma pesquisa fundamentada na presença de Antoine de Saint-Exupéry no Brasil.

E segundo Mari, é isso o que torna o ensaio ainda mais especial. Possibilitar que quem veja suas fotos imagine os passos que o próprio autor pode ter dado onde o ensaio foi feito.

Para conhecer mais sobre o trabalho da fotógrafa: Site / Facebook / Instagram