Entrevistas 2 anos atrás | Leo Saldanha

Pai fotógrafo

O polonês Thomas Laskowski clica a rotina com os filhos e defende a importância da foto no papel. O resultado é maravilhoso e celebra as memórias de uma forma única

por Revista FHOX
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Day In Life Storytelling Photography

“Eu fotografo o tempo todo. No caminho para a escola, nos feriados. Quando todo mundo está bem ou doente” disse Thomas Laskowski para o site HuffPost sobre sua empresa Day in Life Storytelling. De fato, ele clica de tudo. Desde os momentos de comer dos filhos até a hora do banho. Um trabalho impactante de fotografia documental de um pai que também é fotógrafo em tempo integral. Laskowski nasceu na Polônia e hoje vive com a família em Dublin (Irlanda). Os filhos são Constantin (4) e Suzie (8). Ele decidiu retratar tudo por não ter esses registros de quando ele era pequeno. O profissional disse que espera que os filhos vejam esses momentos daqui 30 anos e que possam se lembrar de tudo de uma forma especial. Para ele, a rotina tem tanto valor quanto os momentos de festa. Ou como ele diz: a vida real. O fotógrafo contou ainda que os filhos não reclamam dele clicar tudo. E que isso os faz ter mais consciência do que aconteceu e ainda poder relembrar tudo. Mas o melhor de tudo segundo ele é poder curtir a família enquanto fotografa. Uma forma de estar mais presente e fazendo aquilo que ele mais gosta. Ou melhor, as duas coisas que mais ama: ficar com a família e fotografar. Certamente isso deve ajudar nas vendas de ensaios desse tipo para os clientes interessados.

A parte mais incrível do relato dele é sobre a importância da impressão. “Vivemos na era de ouro dos smartphones e é muito fácil esquecer da importância das imagens. Fotografamos demais e esquecemos do valor dessas fotos. Elas perdem o significado. Ficam lá esquecidas no celular até o dia em que a memória está cheia e você tem que deletar para ter mais espaço”. Por essa razão ele encoraja os pais a imprimir e a decorar com fotos, fazer álbuns. Fazer com que as pessoas curtam esses momentos compartilhando impressões. Ele leva isso tão a sério que criou uma área no site só para mostrar o valor da impressão.

Day In Life Storytelling Photography
Day In Life Storytelling Photography

A FHOX entrevistou o talentoso fotógrafo sobre seu trabalho de fotografia documental e outras questões de tecnologia e sobre o valor da foto impressa. Confira abaixo:

FHOX – Como você começou na fotografia?

Thomas Laskowski  – Eu usava fotografia para o meu trabalho em design gráfico. Quando minha esposa ficou grávida de Suzie descobri que eu deveria pegar uma câmera. Eu pensei que seria bom poder tirar fotos da minha filha e que poderia criar algumas imagens para o meu trabalho. Ao longo do tempo percebi que o meu interesse pela fotografia estava crescendo e simultaneamente o interesse pelo design gráfico estava diminuindo.

FHOX – Como é o seu trabalho com as famílias? É o mesmo que você faz com sua família?

Thomas Laskowski  – É a mesma coisa. Eu geralmente vou sem uma câmera para tomar um café. Isso ocorre alguns dias antes da sessão real para conhecer toda família. Logo no dia em que eu estou lá para realmente fotografar não sou mais um estranho. Eles dizem: Ah, é só o Thomas e está tudo bem. E então eu estou apenas lá. Junto deles só que com uma câmera. Quando comecei, tentei essa abordagem da mosca na parede. De ficar quieto e não interromper. Só que isso não funciona. Além disso, acredito que estar envolvido com eles me torna mais invisível do que tentar ficar de lado. Eu realmente gosto de chegar perto. Para fazer parte da cena em vez de apenas olhar para o que acontece. Depois de uma hora ou mais, as pessoas não percebem a câmera. Agora quando se trata da minha família. Bem, aí o “papai está sempre com uma câmera”. Ninguém mais se importa. Claro, existem ocasiões que minha esposa diz: “Coloque a maldita câmera para baixo!”

Day In Life Storytelling Photography
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FHOX – Você usa algum equipamento especial? O que tem na mochila?

Thomas Laskowski – Nada especial. Eu carrego o flash na mochila, mas eu realmente não lembro da última vez que eu usei ele. Eu tenho um pequeno softbox comigo quando eu comecei. Só que causava muita distração. Tanto para mim quanto para os clientes. E estava transformando o que deveria ser um dia normal em uma sessão de retrato. Agora eu só carrego 2 câmeras. Uma com lente 24-70mm e outra com 50mm.

FHOX – Você deixa tudo acontecer? Como lidar com situações ruins tanto em sua família como em um cliente?

Thomas Laskowski  – A ideia por trás da sessão e de passar um dia na vida é documentar a família exatamente como ela é. Sem sorrisos falsos e roupas sugeridas ou atividades especiais. Eu acredito que os dias mais significativos de nossas vidas estão disfarçados de rotina e monotonia. Que há magia no mundo e beleza no caos se estamos apenas dispostos a parar e reconhecer isso. Crianças acordando, escovando os dentes, mexendo na mesa enquanto tomam café da manhã, brincando e assistindo tevê. Ou simplesmente fazendo absolutamente “nada”. Um nada que seja tudo para aquela família daqui 15 ou 20 anos. Para relembrar quando a sua filha vai sair de casa para fazer faculdade ou seu filho orgulhosamente dizer que a esposa está grávida. Então, é isso que eu estou tentando garantir para minha família e meus clientes.
Como pai, não posso colocar essa função de lado quando estou atrás da câmera. Mesmo quando às vezes eu adoraria simplesmente estar lá. Eu fotografo 100% do que está acontecendo. Eu ainda preciso ser … bem … um pai. Quando venho trabalhar com meus clientes não tenho essa responsabilidade. Eu reagirei só se essa criança estiver em perigo. Mas é a criança que decide se derramar tinta no sofá é uma boa ideia. Eu não vou parar isso. Vou fotografar e não vou detê-lo. Meus clientes sabem que vou clicar de tudo. Ou se o cliente pedir o contrário. No trabalho isso represente clicar sorrisos e gargalhadas, mas também birras e lágrimas.

Day In Life Storytelling Photography
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FHOX – O que você acha que do futuro da fotografia … com todos os smartphones que nos rodeiam?

Thomas Laskowski  – Esta não é uma questão fácil. Há tantos lados dessa história. Por um lado, o smartphone colocou uma câmera no bolso de todos e isso é incrível. A quantidade de arte excepcional que está lá fora agora é incrível. As pessoas nunca tiveram uma oportunidade antes estão criando belas imagens. As famílias estão documentando suas vidas diariamente. Eu tenho uma caixa de fotos de mim mesmo a partir do momento em que eu era pequeno, o que me ajuda a lembrar aqueles tempos, mas agora as crianças podem voltar às memórias de ontem ou da semana passada assim. E acredito que isso os ajuda a refletir sobre quem são e, de alguma forma, subconscientemente, isso é uma reforço da importância da família. Eles riem e fazem perguntas sobre a situação nas imagens. É algo que ajuda as crianças a lembrar de tudo. Mas há outro lado para isso. Como criamos imagens com tanta facilidade agora, estamos tratando isso de forma muito leve, sem dar tanta importância. Aqui chamamos de snaps (cliques comuns). Nós não achamos que essas imagens são importantes. Nós guardamos esses arquivos em nossos smartphone e tablets, apenas ocasionalmente olhando para as fotos quando mostramos aos nossos amigos. Normalmente, apenas uma vez. “Aqui alguns snaps da nossa viagem para a Espanha e aqui alguns do aniversário” Então as fotos vão para Facebook ou Instagram para o resto de nossos amigos e familiares verem. Em duas semanas essas imagens vão lentamente perdendo o significado. As pessoas param de gostar, comentar e lembrar sobre elas. Alguns meses depois você vai para outra festa de aniversário ou uma viagem ao parque. Ou a minha filha está pendurada de ponta cabeça pela primeira vez. Mas a memória do seu telefone já está cheia. Então você exclui rapidamente algumas das imagens antigas, (Você as tem no Facebook de qualquer maneira. Além disso, você enviou por e-mail algumas vezes, então pensa que esses arquivos estão garantidos certo? Você pode recuperá-las se desejar). E assim liberar espaço para novas fotos. E assim por diante, e assim por diante, até um dia você receber um novo smartphone. O antigo entra na gaveta, assim como as imagens nele contidas.

Day In Life Storytelling Photography
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FHOX – Por que você promove a importância da impressão?

Thomas Laskowski – Dois motivos. Primeiro: somos a geração mais fotografada da história, mas em 20 anos não teremos fotos. Nos últimos cinco anos houve mais fotos tiradas do que em todos os anos anteriores combinados. A maioria dessas imagens desaparecerá em um ano. Algumas dessas fotos sobreviverão três anos, algumas poucas cinco, e quase nenhuma delas existirá em 15 anos. A menos que comecemos a imprimir.
As imagens desaparecerão em discos rígidos antigos, tecnologias desatualizadas (veja CD ou DVD) plataformas de mídia social abandonadas (o Facebook e Instagram não estarão aqui para sempre. Eles vão desaparecer como Myspace, Friendster ou Orkut) e contas da nuvem esquecida (Eu não tenho ideia da senha do meu pai. As imagens futuras abandonadas na nuvem ficarão perdidas para sempre.) Somente fotografias impressas sobreviverão. Caixas antigas de gravuras, álbuns impressos em papel excelente e arte de parede.
A segunda razão é incrível. Uma foto emoldurada personalizada de 30×40 cm na sua lareira é uma linda peça de arte que lembra constantemente o que é importante. Há algo mágico sobre uma impressão na parede. Isso permite que você pare e se pergunte e aprecie o que você tem. Os álbuns de família permitem que você se sente no sofá e passe por memórias página por página. O papel tem uma certa textura, um cheiro que você vai adorar ao longo dos anos e isso o levará de volta a certas lembranças sempre que você olhar para aquele momento. Tente sentir essa sensação da mesma maneira sobre um iPad ou imagine o olhar no rosto da sua avó quando você a presentear com uma linda caixa coberta de linho cheia de lindos fotos no papel. Agora imagine que você está lhe dando um pendrive. As impressões de fotos são lindas.

Day In Life Storytelling Photography
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FHOX – Que tipo de impressão você faz para você e sua família?

Thomas Laskowski – Nós temos todo tipo de coisas. Fotos 10 por 15 cm clássico em álbuns e lindos livros de arte 100% algodão (acide free). De pequenas impressões emolduradas no formato 20 por 25 cm para lâminas em impressão fine art ou em tamanho maior 1 metro por 75 cm. Acabei de criar alguns produtos lindos (grandes formatos) que eu quero ser capaz de fornecer para os meus clientes e eu quero gravar um vídeo sobre cada um deles. Neste momento tenho fotos prontas para ir para parede espalhadas pelo chão.

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Foto: Day in Life Storytelling

FHOX – Você também fotografa com o smartphone?

Thomas Laskowski – Na verdade não. Tem algum tempo que estou planejando explorar isso. Eu sei que as pessoas criam belas imagens com seus smartphones.

Day In Life Storytelling Photography
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FHOX – O seu marketing parece ocorrer de forma mais natural … já que você faz um ótimo trabalho com sua família. Ou você não vê dessa forma?

Thomas Laskowski – O marketing é um tópico complicado e nem estou perto de entender como funciona. O fato de eu focar muito na minha própria família me permite partir da honestidade do que eu vivo. É real e autêntica. Mas ao mesmo tempo a complexidade e as dificuldades são provavelmente as mesmas que para qualquer outro fotógrafo

Saiba mais: http://dayinlife.ie/

Em tempo: no site do fotógrafo ele é generoso. Traz um seção com dicas para fotografar melhor (clique aqui) e outra área mostrando porque a fotografia de família é cara e tem seu valor (clique aqui). Um case que serve de exemplo para quem pensa ou já atua na fotografia de família.